SEMINÁRIO SINODAL “FÉ E COMPROMISSO”
Área: Minas Gerais
Estava programado apenas um dia (27.09.03) de intenso trabalho sobre
o tema “fé e compromisso”. O tempo,
sem dúvida, era curto, e a programação estava apertada.
Não obstante, as/os representantes começaram a chegar
aí pelas 6:00 horas da manhã. Eram 20 participantes e
foram chegando de ônibus, de carro, de carona. Veio Funil, veio
Teófilo Otoni e Juiz de Fora. Belo Horizonte havia se oferecido
para hospedar e organizar a infra-estrutura para o seminário
na área de Minas Gerais.
Sem perda de tempo, a parte da manhã foi preenchida com a acolhida,
banho, café e um caloroso devocional, conduzido pela Pa. Aneli.
Em seguida, passamos para uma dinâmica de apresentação
em duplas, em que, além de falarmos de nós, falávamos
de nossa comunidade e de que maneira ela reforçava nossa fé.
Entre os presentes distribuíram-se metades de um coração.
Cada metade encaixava-se perfeitamente em outra metade, que precisava
ser localizada. Encerramos essa rica dinâmica, falando uns sobre
os outros e sobre suas comunidades.
Numa nova dinâmica, fomos animados a descrever cenários
e situações da “fé e compromisso”
em nossas comunidades, com imagens previamente distribuídas pelo
chão. Desenhamos um instigante painel do tema, que estimulou
muitas reflexões. Ambas as dinâmicas foram conduzidas pelo
P. Gert.
O P. Zulmir fechou o painel dos cenários “fé
e compromisso”, trazendo para o diálogo o texto
de Atos 6.1-7 e chamando a atenção para a “dicotomia”
entre atividades voltadas para a espiritualidade (orar e pregar) e tarefas
voltadas para o serviço (diaconia) insinuada no texto. Esta “dicotomia”
é reproduzida quando, em nossas comunidades, os presbitérios
propõem que o pastor cuide do “espiritual” e que
eles cuidem do financeiro e do administrativo.
Após o almoço, sem muito descanso, uma breve reflexão
conduzida pelo P. Valério, introduziu o tema “A
fé compromete todo indivíduo e o indivíduo todo”,
acentuando que a comunhão é o espaço de atração
de todo e qualquer indivíduo e que, nesse espaço, o compromisso
amadurece em direção ao discipulado, ao seguimento, para
além das distinções entre crer e comprometer-se.
Após um rápido cafezinho, Miltom de Oliveira e Lothar
Wirth introduziram os participantes na parte mais concreta do seminário,
ensaiando algumas propostas.
Miltom expôs a atual modalidade do “dízimo”
da IECLB, sobre que receita incide, e ressaltou que as comunidades continuam
com autonomia para organizarem sua arrecadação. Falou
dos documentos que necessitam ser enviados para o Sínodo e para
IECLB, enfatizando a importância de buscarmos – em todos
os níveis eclesiais – maior transparência nas contas.
Lothar iniciou mostrando como é simples reduzir despesas
numa comunidade. É possível, quem sabe, até zerar
todo tipo de custo. A questão é que uma comunidade de
custo zero é, muito provavelmente, uma comunidade de serviço
zero. Se há algo nas comunidades que se acompanha com muita diligência
é a área de custos. Certamente, há um controle
rigoroso de gastos. A questão é saber se o controle de
gastos, sobretudo os cortes, é feito realmente sobre os itens
que precisam de controle ou corte. Sabemos quando custa uma visita?
Um culto? Uma reunião de presbitério? Uma atividade da
OASE ou dos casais? Provavelmente não. Em geral nossos orçamentos
e demonstrativos isolam os gastos (água, luz, telefone, limpeza,
salários, etc.). Não seria interessante apresentar um
orçamento para nossos membros por serviço (visita pastoral,
sepultamento, batismo, reunião da OASE, da JE, culto, etc.) e
por projetos (desenvolver um grupo de liturgia, um trabalho de visitação
com membros da comunidade, criar um grupo de mulheres, animar um bazar
com enfoque diaconal, implantar um trabalho de aconselhamento pastoral
multidisciplinar, criar um grupo de terceira idade, etc.). Talvez, assim,
os membros comecem a entender para onde vai o dinheiro das suas contribuições,
das ofertas, das festas, etc. Talvez entendam quando, numa assembléia,
tiverem que optar entre manter um determinado trabalho ou iniciar um
projeto novo. Talvez tenham que assumir a responsabilidade de deixar
um determinado grupo sem acompanhamento ou encerrar a iniciativa de
visitação a doentes porque não há pessoal
nem dinheiro para manter isso.
No lado das receitas, enfatizou-se que é preciso
continuar caminhando em direção ao compromisso financeiro
individual de cada membro. O compromisso financeiro não é
da família, mas da pessoa. É preciso desenvolver desde
cedo o compromisso como uma verdadeira pedagogia da fé. No quesito
receita, não somos tão diligentes quanto no das despesas.
Quem sabe deveríamos investir uma quantidade igual de energia
para diversificar de forma criativa as nossas possibilidades de receita.
Encerrando, Lothar propôs a criação de um fórum
entre os presbitérios das comunidades de Minas para continuar
a reflexão e para trocar idéias criativas de como atacar
a questão de administração e finanças.
A jovem Ayesha conduziu um momento de devocional que encheu todos de
ânimo para a volta e o desafio da concretização
das idéias levantadas no seminário.