Heitor
Villa-Lobos, (Rio de Janeiro 05.03.1887 - 17.11.1959 Rio de Janeiro)
filho de um modesto funcionário público, letrado e melômano,
que tocava violoncelo, muito novo é iniciado no estudo do instrumento
pelo pai, que, dada a pequena altura da criança, utiliza para
o efeito uma violeta voltada para baixo. Falecido Raul Villa-Lobos prematuramente
em 1899, a mãe do futuro autor de Amazonas pensou em fazê-lo
seguir a carreira de médico, mas a paixão era por de mais
forte e, munido do seu violão, dava-lhe largas, tocando em rodas
e conjuntos instrumentais populares, os chamados choros e, começando
em 1900 a compor para o instrumento uma série de pecinhas de
gosto também popular. Em breve ganhava a sua vida como violoncelista,
tocando em cinemas, teatros e cafés.
Dos 18 aos 20 anos leva uma vida errante e aventurosa
através do Brasil, visitando o Norte, o Centro e o sul do país,
tocando, compondo familiarizando-se com a música popular e recolhendo
nessas peregrinações impressões que vão
às suas futuras obras. Os seus estudos haviam-se feito irregularmente.
Aperfeiçoara a técnica do violoncelo com Breno Niedemberg,
mas da curta passagem pela aula de harmonia de Frederico Nascimento,
no Instituto Nacional de Música do Rio de Janeiro, pouco proveito
tirara. Em 1913 abandonara a vida errante e fixa-se no Rio.
Continua a compor abundantemente em todos os gêneros:
música sacra, música teatral, música solística,
musica sinfônica ao mesmo tempo que estuda com atenção
as partituras dos mestres, o que foi bem dizer a sua única escola.
Em 1915 realiza o primeiro concerto de obras suas. Iniciando
de certo modo o modernismo musical brasileiro, a arte de Villa-Lobos
provocou as mais violentas reações da parte do público
e da critica, por muitos anos se prolongando a posição
ao artista que assim ousava insurgir-se contra a tradição.
Só por volta de 1918, na realidade, a orientação
nacionalista e propriamente folclorizante de Villa-Lobos começa
a precisar-se com a composição pianística intitulada
Prole do Bebê , que foi também a sua primeira obra que,
graças à arte de Arthur Rubinstein, levou o nome do compositor
pare além das fronteiras do seu país. O nacionalismo folclorizante
adquire feição sistemática em meia dúzia
de obras que àquela se seguem e que são das mais significativas
da produção do compositor.
Em 1922 a famosa semana da Arte Moderna de São
Paulo consagra o nome do compositor.
Oficialmente já o talento de Villa-Lobos se achava
reconhecido pelo governo e é o próprio parlamento que,
em 1953, vota um subsídio para que o compositor possa efetivar
uma viagem para à Europa. De regresso em 1925, realiza concertos
em Buenos Aires, São Paulo e Rio de Janeiro, ao tempo em que
prossegue a composição de uma série das suas mais
características obras de inspiração folclórica,
os Chôros.
Em 1927 parte de novo para a Europa. Até 1930
vive em Paris, assinalando-se este período na realidade como
de decisiva importância na carreira do compositor, graças
aos contatos que estabelece na capital francesa à revelação
nela da sua obra, o que lhe granjeia a reputação internacional
do mais representativo e original músico da América Latina.
De regresso ao Brasil, Villa-Lobos inicia um período
de grande atividade, dirigindo concertos de obras contemporâneas,
promovendo uma intensa campanha no sentido de implantar o cultivo da
música coral nas escolas e realizando, dentro deste plano, gigantescas
concentrações orfeônicas, que ele próprio
dirige, não sem uma certa dose de espectaculosidade. A subida
ao poder, em 1930, de Getúlio Vargas foi de molde a favorecer
as ambições do músico, que apoiando o ditador,
encontrou nele o mais estimulador apoio. É colocado à
testa da Superintendência de Educação Musical e
Artística, cria o Orfeão dos Professores, promove vasta
obra de educação musical popular e, em 1943, vê
coroados os seus sonhos e esforços com a criação,
pelo governo federal, do Conservatório Nacional de Canto Orfeônico,
que passa dirigir.
Com tudo isto, a sua criatividade de compositor não
diminui de intensidade, mas há reconhecer que as obras que a
partir de então escreve perdem algo de originalidade e força
nativa.
Tornado de certo modo músico oficial do Brasil,
Villa-Lobos funda em 1945 a Academia Brasileira de Música, de
que é nomeado presidente, e passa a fazer regularmente viagens
ao estrangeiro, já para representar o seu país em congressos,
já para dirigir concertos das suas próprias obras. Por
outro lado surgem as distinções internacionais: em 1937
é feito membro honorário da Academia de Sta. Cecília
de Roma; homenageado na Colômbia e na Argentina, recebe em 1943
o titulo de doutor em Musica honôris causa pela Universidade de
Los Angeles. Em 1948 a sua ópera Malazarte é estreado
nos Estados Unidos e em 1954 visita Israel, a convite do governo do
país.
(Fonte: Dicionário de Música Ediçoes
Cosmos)