Você
sabe quem era José? José era um dos filhos de Jacó.
Tinha uma porção de irmãos. Dez irmãos
grandes e um irmão pequeno. Este se chamava Benjamim. Jacó
gostava muito dele, mas de José ele gostava mais ainda.
O pai Jacó amava mais a José que a todos os outros
filhos. Ele até o mimava um pouco. Deu a ele uma roupa bonita
de muitas cores, uma roupa de príncipe.
O pequeno Benjamim quase sempre ficava em casa com o pai. E também
José muitas vezes ficava. Mas todos os outros, os dez irmãos
grandes, estavam o dia todo no campo, para pastorear as ovelhas e
as vacas.
Às vezes José também ajudava. Mas ele não
gostava de estar com os irmãos, porque sempre eram rudes contra
José. Você sabe por quê?
Porque ele ganhou uma roupa tão bonita, e eles, não.
Mas, também, porque às vezes faziam alguma coisa má,
e José contava tudo ao pai.
E, ainda, porque José às vezes tinha uns sonhos esquisitos.
Certa vez José sonhou que ele com seus irmãos estavam
num campo de trigo. O trigo já estava cortado. Agora tinha
que ser amarrado em feixes. José fez um feixe e colocou-o no
campo, mas de repente o feixe se pôs em pé. E os feixes
dos irmãos juntaram-se em redor do seu e curvaram-se profundamente
diante do feixe de José.
José não podia esquecer este sonho. E contou-o a seus
irmãos. Mas estes ficaram muito zangados e disseram: "Sim,
isso é que você gostaria, que nós nos curvemos
diante de você, que você seja senhor de nós, seu
sonhador convencido".
De outra vez, José sonhou uma coisa mais esquisita ainda.
Aí desceram do céu o sol, a lua e onze estrelas e curvaram-se
à sua frente. Quando José contou este sonho, também
seu pai ficou aborrecido com ele e disse: "Menino, menino, que
sonhadeira é esta! Você acredita mesmo que todos nós
iremos curvar-nos à sua frente, eu, sua mãe e seus irmãos?
Isso não é possível!"
Bem, José mesmo também não acreditava exatamente
isso; mas que o tinha sonhado, era verdade!
O pai Jacó não podia mais esquecer esses sonhos. Sempre
de novo tinha que pensar neles.
E os irmãos estavam muito aborrecidos com José. Tinham
vontade de bater nele, de tão aborrecidos que estavam. Quase
tinham vontade de matá-lo. Mas para isso não tinham
coragem. Porque o pai Jacó ainda vivia.
Certa vez os irmãos tinham ido para bem longe com as ovelhas.
E de noite não voltaram para casa. Então o pai Jacó
disse a José: 'Vá para o lugar onde estão seus
irmãos e veja como estão passando. E depois, volte depressa
e conte-me tudo. Estou um tanto preocupado por causa deles".
José pôs-se a caminho para procurar seus irmãos.
Muito tempo andou errante pelos vastos campos e procurou por toda,
parte, mas em nenhum lugar conseguiu achá-los.
Mas, por fim, encontrou um homem que lhe mostrou o caminho. E então
achou os irmãos.
Eles também já o tinham visto chegar de longe, os irmãos
maus.
"Vejam só", disseram uns aos outros "ali vem
o sonhador! Que tal, finalmente o temos! Agora o pai está tão
longe. Vocês sabem o que vamos fazer?... Vamos matá-lo,
e depois o jogaremos dentro do poço, e diremos ao pai que um
animal selvagem o comeu. Então vamos ver qual será o
resultado dos seus lindos sonhos".
Mas o irmão mais velho disse: "Não, não
façamos isso. Não vamos matá-lo. Vamos jogá-lo
vivo dentro do poço". O irmão mais velho chamava-se
Rúben. Ele não era tão, mau como os outros, mas
tinha medo deles e por isso quis ser bastante esperto. Ele pensava:
"Hoje à noite, no escuro, tirarei José às
escondidas".
Então agarraram José e o arrastaram consigo. Arrancaram-lhe
do corpo suas roupas bonitas e o jogaram no poço. Ele chorou
e se lamentou, mas eles não se importaram. Não tinham
pena dele.
"Pronto", disseram eles, "aí você está
bem. Continue a sonhar que você é senhor de nós".
E depois, sentaram-se perto do poço e comeram. Sim, eles eram
capazes de sentar-se para comer calmamente, enquanto o irmão
chorava bem no fundo do poço.
Mas Rúben não era tão mau e cruel. Para não
ouvir o choro de José, Rúben saiu para o campo.
Esperem só, pensava ele, assim que ficar escuro... E ele pensou
ter sido muito esperto.
Felizmente não havia água no poço. José
não se podia afogar. Mas também não podia sair.
As paredes eram muito altas e lisas. E seu pai não sabia de
nada. Estava longe, e não podia ajudá-lo.
José tinha muito medo. Chorava.
Mas então pensou no Pai do céu. Este sem dúvida
podia vê-lo. Só Ele podia ajudá-lo. Quando José
pensou nisto, não tinha mais tanto medo.
De repente ouviu vozes de novo. Seus irmãos tinham voltado.
Será que agora ele podia sair do poço? Podia, sim. Eles
o puxaram para cima com uma corda.
Mas que homens estranhos estavam por ali? Tinham consigo camelos que
estavam carregados com grandes sacos. Pareciam negociantes vindos
de terras estrangeiras. E por que olhavam tanto para José,
e o examinavam de todos os lados?
Esses homens estranhos deram dinheiro aos irmãos de José.
Então amarraram José com uma corda e levaram-no para
junto dos camelos. Só agora José compreendeu o que iria
acontecer com ele. Seus irmãos o tinham vendido. Ele foi amarrado
a um dos camelos, e desse jeito teve que ir com aqueles homens estranhos.
Ele chorava de cortar o coração e gritava: "Ajudem-me,
ajudem-me, quero voltar para junto de meu pai!"
Mas os irmãos não tinham pena dele. E Rúben
não estava ali. Só quando José já se encontrava
bem longe, Rúben veio de volta. Mas era tarde. "Ai, ai",
disse Rúben, "que dirá nosso pai?"
Mas os outros já sabiam o que fazer. Eles não tinham
medo de uma mentira.
'Mataram um carneirinho e com o sangue lambuzaram as lindas roupas
de José. Essa roupa ensangüentada, enviaram com um empregado
a seu pai e mandaram perguntar: 'Veja aqui, pai, achamos isto no campo.
Não seria a roupa de José?"
Assim lograram o pai. Pois quando Jacó viu a roupa, pensou
que José tivesse sido devorado por um animal selvagem.
Estava tão longe, o pobre do velho pai! Ele dizia: "Nunca
mais poderei estar alegre, agora meu querido José está
morto".
Pobre Jacó!
Ele não sabia que o sangue na roupa era só o sangue
de um carneirinho.
Mas... não tinha ele mesmo logrado seu pai, há muito
tempo, com um carneirinho e com as roupas de seu irmão?
Podem ser feitas atividades escritas, fazendo-se questões
sobre a estória. Aproveite a riqueza de detalhes que a estória
oferece e aborde questões como os sonhos, o ciúme dos
irmãos, entre outras que podem ser extraídas da estória.
Para as crianças menores, você pode desenhar a seqüência
da estória fora de ordem e pedir que coloram, recortem e coloquem
na ordem correta, por exemplo. Use sua criatividade...