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grupo de mulheres
 

"Assim Deus criou os seres humanos; à Sua imagem e semelhança.
Ele os criou homem e mulher"
(Gn 127)

 

Alteração do dia e horário de encontro! Agora sempre no terceiro sábado do mês, às 14:30h, todas as mulheres da comunidade e além da comunidade estão convidadas.

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Na Bíblia temos dois relatos acerca da Criação do universo, que retratam a fé que pessoas queriam manifestar de que na origem de tudo o que existe está Deus. O versículo acima é o primeiro destes relatos e testemunha que Deus é o autor da criação da humanidade e o fez para que homem e mulher reflitam Sua imagem. Tradicionalmente, porém, reforçado por algumas traduções da Bíblia, temos ouvido e repetido que Deus teria criado apenas o "homem" à Sua imagem e semelhança, sendo a mulher criação secundária.

Ao longo da História este tipo de interpretação parcial e tendenciosa da Bíblia tem contribuído para que as mulheres ficassem em segundo lugar em muitos aspectos da vida, como se fossem predestinadas a refletir menos a imagem de Deus, levando a supor inclusive que Deus tem sexo: masculino. Esse modo de pensar busca reforço no fato de Jesus ter sido homem, logo Deus também o seria e assim o Homem criou deus à Sua imagem.

Entrementes, uma sucessão de fatos fez com que as mulheres ocupassem mais espaço de ação em âmbito público, mesmo com a consciência pesada muitas vezes por terem sido levadas a crer que são menos imagem de Deus do que os homens. Deixaram a dedicação exclusiva aos assuntos da casa e passaram a dedicar-se também ao domínio das ciências, da política, da religião e outros tantos campos tidos, até então, como de propriedade e competência somente dos homens.

E, se durante séculos poucas mudanças foram notadas, em poucas décadas muita coisa mudou na vida de homens e mulheres. As mulheres ocuparam as fábricas, as escolas, as igrejas, a administração pública e continuam, quase que via de regra, sendo as únicas responsáveis pela educação dos filhos e pelo cuidado dos assuntos domésticos. São consumidas por um superativismo, pela dupla ou tripla jornada de trabalho (trabalham fora e dentro de casa e ainda estudam, sem falar na dedicação de muitas também para a militância política e para o trabalho voluntário em atividades comunitárias, diaconais e sociais). Enfim, sobram atividades e falta tempo para "mastigar" e "digerir" isso tudo.

Essas constatações motivaram a criação de um Grupo de Mulheres na Comunidade Evangélica de Confissão Luterana em Belo Horizonte. Trata-se de um espaço para as mulheres que não querem simplesmente se deixar levar pelo ritmo das coisas - como se isso fosse um condicionamento externo - tomarem o tempo necessário para pensar e discutir sobre o que realmente é importante e significativo na vida. A partir daí elas podem decidir, conscientemente e por si mesmas, em que vale a pena continuar investindo e o que é melhor ser revisto.

Com encontros mensais, todo terceiro sábado do mês, às 14:30, o Grupo de Mulheres se propõe a estudar textos, trocar experiências e idéias que ajudem as mulheres a deixarem de ser meras personagens nas histórias que outros traçam, e passem a ser sujeitas de suas próprias histórias - sempre com a fé de que também foram criadas para ser imagem e semelhança de Deus.

 

  dia internacional de não violência contra as mulheres

O dia 25 de novembro foi a data definida pela ONU, em 1999, para lembrar a necessidade de nos ocuparmos com muita preocupação e seriedade com o tema da violência contra as mulheres. A escolha deste dia foi uma homenagem às irmãs Minerva, María Teresa e Patria Mirabal, brutalmente assassinadas em 1960, por liderarem um movimento de oposição e combate à ditadura militar do General Trujillo que governou a República Dominicana durante 31 anos.

Todas as formas de violência devem ser denunciadas e combatidas para que, desde já, se possa viver relações saudáveis e construtivas, que permitam a cada pessoa encarar o futuro com menos descrença e maior confiança.

"É fato que, em nosso contexto de tantas contradições sócio-econômicas, as mulheres são vítimas de violência tanto quanto os homens. Mas a situação das mulheres é ainda agravada pela violência sexista."

Em nosso país grande número de mulheres vive em situação de violência física e psicológica (63% das mulheres brasileiras já sofreu algum tipo de violência) e, especialmente, a violência doméstica (75% dos casos de violência contra mulheres e crianças acontecem no âmbito familiar). Acostumamo-nos a considerar como violência somente os atos que provocam algum tipo de lesão física. No entanto, a violência também ocorre na forma de destruição de bens, ofensas, intimidação das filhas e dos filhos, humilhações, ameaças e uma série de atitudes de agressão e desprezo; situações que desrespeitam os direitos das mulheres, seja na rua, no trabalho, nas escolas, nos consultórios, nos ônibus, nas festas e, sobretudo, em casa.

Veja abaixo algumas formas de violência dirigida às mulheres e como elas se manifestam:

Violência física e emocional:

  • Sofrer agressões físicas, inclusive, deixando marcas, como hematomas, cortes, arranhões, manchas, fraturas;
  • Sofrer humilhações e ameaças diante de filhos e filhas;
  • Ser impedida de sair para o trabalho ou para outros lugares, e trancada em casa;
  • Ficar sozinha com o cuidado e a educação das crianças;
  • Sofrer ameaças como de espancamento e morte, incluindo suas crianças;
  • Ocupar-se sozinha com os afazeres domésticos;
  • Ficar sem assistência quando está doente ou grávida;
  • Ter utensílios e móveis quebrados e as roupas rasgadas;
  • Ter os documentos destruídos ou escondidos.

Violência sexual:

  • Relações sexuais quando a mulher está com alguma doença, colocando sua saúde em perigo;
  • Relações sexuais forçadas ou que não lhe agradam;
  • Críticas ao desempenho sexual da mulher;
  • Gestos e atitudes obscenas;
  • Estupro e assédio sexual;
  • Exibição do desempenho sexual do homem;
  • Discriminação pela opção sexual.
Violência psicológica:
  • Ignorar a existência da mulher e criticá-la, inclusive, através de ironias e piadas sexistas/machistas;
  • Falar mal de seu corpo;
  • Insinuações de que tem amantes;
  • Ofensas morais contra a mulher e sua família;
  • Humilhação e desonra, inclusive, na frente de outras pessoas;
  • Desrespeito pelo trabalho da mulher em casa;
  • Críticas constantes pela sua atuação como mãe;
  • Uso de linguagem ofensiva em relação à sua pessoa.
Violência religiosa
  • Considerar as mulheres como inferiores e justificar isso usando a Bíblia ou a tradição religiosa;
  • Culpar as mulheres pelo mal e pela morte ou a causa do pecado;
  • Usar as cerimônias matrimoniais para afirmar a supremacia masculina e a submissão das mulheres;
  • Não permitir às mulheres à participação plena e ativa da vida religiosa e desqualificá-las em sua atuação religiosa e vivência de fé;
  • Fazer uso de textos bíblicos específicos para desqualificar ou impedir a participação religiosa plena, negando às mulheres a potencialidade e participação no discipulado de Jesus;
  • Fazer uso de linguagem discriminatória, em que as mulheres não estão incluídas;
  • Estabelecer normas ético-morais que limitam a vida das mulheres, estabelecendo critérios de conduta diferenciados para homens e mulheres;
  • Ter o salário diminuído em função da profissão ou remuneração do companheiro;
  • Ser discriminada por estar divorciada, ou por ser mãe sem ser casada;
  • Ser induzida a silenciar sobre a situação de violência e não receber acompanhamento pastoral adequado em situações de violência.
Violência social:
  • Salários diferenciados para o mesmo cargo;
  • Exigência de boa aparência;
  • Assédio sexual;
  • Exigência de atestado de laqueadura ou exame de gravidez;
  • Discriminar em função da etnia (raça/cor);
  • Discriminar em função de posicionamento político ou religioso;
  • Expor e usar o corpo das mulheres como objeto nos meios de comunicação;
  • Promover e explorar a prostituição de meninas e o turismo sexual."
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