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planejamento para o novo milênio
  apresentação da ceclbh*
* Comunidade Evangélica de Confissão Luterana em Belo Horizonte

 

1 – História da CECLBH

As primeiras famílias alemãs chegaram em Belo Horizonte antes da Primeira Guerra Mundial. A razão da vinda foi a oportunidade de trabalho em Belo Horizonte, que estava em construção. Por volta de 1930, já havia na cidade uma pequena comunidade austríaco-germânica. Muitas famílias tinham fixado residência no bairro Serra. Esse fato acabará por determinar o local da construção da futura Igreja Luterana de Belo Horizonte.

Pastores da Comunidade Luterana de Juiz de Fora percorriam o interior do Estado, visitando as colônias alemãs - João Pinheiro, David Campista, Álvaro da Silveira e Raul Soares. Nessas ocasiões, o pastor também realizava ofícios em Belo Horizonte. A primeira visita de um pastor luterano às famílias residentes em Belo Horizonte ocorreu em 1912.

Em 25 de janeiro de 1933, é fundada a Comunidade de Belo Horizonte pelo Pastor Viktor Schwaner. Nesse mesmo ano a comunidade recebe seu primeiro pastor, Walter Schlupp. Inicialmente cultos e aulas de alemão eram realizadas numa casa alugada pela Sociedade Escolar Alemã. O complexo relacionamento com a Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB) dificultava o trabalho. Três meses após a fundação da Comunidade de Belo Horizonte, um pastor da Missouri passou também a visitar as famílias.

Em 1935, em substituição ao P. Schlupp, veio o P. Alfred Busch, que, como o P. Schlupp, ao lado das funções comunitárias, exercia também funções junto à Escola Alemã. Foi uma época de entusiasmo, destacando-se aí a construção de uma sede social alemã para aulas, cultos e atividades culturais. A falta de dinheiro limitava o trabalho pastoral e, para garantir o salário do pastor, a comunidade recebia recursos da Alemanha.

A partir de 1936 a Comunidade passou a fazer parte da Igreja Evangélica da Alemanha, à qual foi filiado o Sínodo Brasil Central. Nesse período, a língua oficial da Comunidade era o alemão.

No afã de ter uma sede própria, em 1939, a Comunidade de Belo Horizonte conseguiu um terreno, mas o vendeu em seguida porque não contava com recursos para a construção de uma igreja.

A partir de 1942, com a Segunda Guerra Mundial, as atividades sociais e religiosas da comunidade foram praticamente encerradas. A sede social foi requisitada pela polícia e entregue ao exército. Pastor e grande parte dos alemães ficaram em prisão preventiva. A requisição do terreno por parte da polícia não é um episódio ainda totalmente digerido pela Comunidade, pois o imóvel jamais foi devolvido. Membros ativos nesse período entendem que a comunidade deve reivindicar seu direito nem que fosse em forma de uma indenização. O presidente da comunidade durante o período em que o General Geisel esteve no poder disse que foi desestimulado pelo Cônsul Alemão em Belo Horizonte a levar a questão do imóvel ao então presidente da república.

A partir de 1945 o P. Schwaner transferiu-se de Juiz de Fora para Belo Horizonte. Em 27 de janeiro de 1946, com 50 famílias, a comunidade é (re)fundada agora com o nome de Comunidade Evangélica de Belo Horizonte. Por 14 anos os luteranos usaram o templo da Primeira Igreja Presbiteriana de Belo Horizonte. A reedificação da comunidade no pós-guerra foi difícil.

Com a chegada da Siderúrgica Mannesmann, a partir de 1953, e de outras empresas alemãs o número de famílias luteranas cresce consideravelmente. P. Schwaner é contratado como professor de língua da Mannesmann, o que facilitava o contato com as famílias luteranas que vinham da Alemanha. Ainda que crescesse o número de alemães que vinham para as firmas aqui instaladas, a adesão à comunidade era baixa e o número de membros oscilava freqüentemente com o retorno dos alemães para Alemanha.

Em 1961, através de uma doação e de uma ajuda da Alemanha, a comunidade adquiriu um terreno de 650 m² na Serra e pôde, finalmente, em 16 de setembro 1962, inaugurar o seu templo. A casa pastoral só foi construída em 1969 e inaugurada em 28 de novembro de 1970.


templo da CECLBH, logo após sua inauguração

Em 1971 a comunidade contava com 140 famílias (93 membros contribuintes e 47 famílias mais ou menos ligadas), perfazendo um total de 500 almas. A partir de 22 de agosto de 1971, o P. Wolf Dieter Wirth assumiu as funções pastorais da Comunidade. Em dezembro de 1975, constatou-se que a comunidade tinha 150 famílias contribuintes e 110 endereços de famílias ligadas à comunidade sem serem contribuintes. A causa do crescimento foi a visitação às famílias. Em 1972 percebeu-se a necessidade ampliação do salão paroquial. Em 1974 a comunidade comprou uma casa pensando na mudança da família pastoral. Porém, isso não se concretizou. O plano só foi concretizado em 1997, com a compra de um apartamento situado à Rua Palmira. Nesse período, o foco central do trabalho da comunidade era a OASE. Vale lembrar ainda que em 1976 foi realizado, em Belo Horizonte, o Concílio Geral da IECLB, que contou uma participação ativa da comunidade, sobretudo do Sr. Georg Fuchs como delegado.

Em 1979, com a vinda de um estagiário da Alemanha, surge em Santa Fé, a "Missão Suburbana". A partir de 1980 começa também o atendimento de famílias em Patos de Minas. Diante das dificuldades em atender toda essa ampla área, é criado o segundo pastorado com a seguinte missão: atender idosos e acompanhar a construção de um ancionato - que receberá o nome da sua idealizadora, Sra. Luisa Griese -, dar continuidade à "Missão Suburbana" e atender, alternadamente, o triângulo mineiro.

Em 1982 o segundo pastorado é preenchido com a vinda do P. Hermann Mühlhäusser. A venda de uma casa, doada pela Sra. Irene Schott, possibilitou a aquisição de uma casa na região da Pampulha, onde foi instalado o segundo Pastor com sua família. Essa casa tinha inclusive espaço suficiente para realização de cultos. A decisão pela aquisição de uma casa na região da Pampulha deveu-se à crescente concentração de famílias luteranas naquela região e à proximidade do distrito de Justinopólis, onde estava em curso, no bairro Santa Fé, o projeto da "Missão Suburbana". Em função do trabalho desse projeto missionário é construída a capela em Santa Fé e, dentro da perspectiva da "Missão Suburbana", é fundada, em 1984, a Associação Comunitária Povo Unido.

Entrementes, foi lançada a pedra fundamental do futuro ancionato. A área de 17.000 m², localizada em São José da Lapa e destinada à construção, foi adquirida mediante a venda de um terreno na Pampulha, que, por sua vez, tinha sido adquirido mediante a venda de uma casa doada pela Sra. Augustine Löwi. Já antes da chegada do P. Wolf Dieter Wirth, a Sra. Luisa Griese havia doado duas casas no bairro Santo Antônio para esse fim. Uma delas foi vendida e aplicada na construção do ancionato. Além disso, doações de diversas fontes contribuíram para as obras do Ancionato. Entre essas fontes, cabe destacar o Martin-Luther-Verein da Baviera, que doou verba para o início da construção.

Em 1987 o P. Wolf Dieter Wirth transferiu-se para Uberlândia/MG e, no mesmo ano, o P. Hermann Mülhäusser transferiu-se para Blumenau/SC. No período de atuação do P. Wolf Dieter Wirth e, mais tarde, do P. Hermann Mülhäusser, a CECLBH assiste a uma paulatina transformação do seu perfil. Foram dados os primeiros passos concretos em direção à uma comunidade missionária e diacônica. A perspectiva missionária não se manifestava apenas no projeto Missão Suburbana em Santa Fé, mas principalmente na lenta transformação da comunidade, onde os cultos em alemão foram dando lugar a cultos em português.

Com a saída do Wolf Dieter Wirth e do P. Hermann Mülhäusser, candidatou-se o casal Maria Luisa e Paulo Rückert, que assumiu as funções pastorais em agosto de 1987. O acento do trabalho pastoral do casal Rückert foi a espiritualidade cotidiana. Em fevereiro de 1989, a P. Dirci Bubantz, que estagiara na comunidade, assume o pastorado em Santa Fé, dando seguimento ao projeto "Missão Suburbana". Durante os dois anos da atuação da P. Dirci foram confirmados 4 jovens em Santa Fé e o trabalho estava ganhando consistência. Em janeiro de 1989, o casal Rückert deixou a Comunidade.

Em julho de 1989, P. Ralf Weissenstein assumiu as funções pastorais na Serra. Neste período, foi constituído um grupo de trabalho, cuja tarefa era dar continuidade às obras do ancionato "Lar Luisa Griese", que foram paralisadas antes da fase de acabamento. A primeira reunião do grupo de trabalho deu-se no dia 17 de setembro de 1989. Participavam desse grupo os seguintes membros da CECLBH: Sr. Francisco Berenstein, Sr. Cláudio Berenstein, Sr. Conrado Wagner, Sr. Nelson e Sra. Roswitha, Sr. Friedrich Renger e Sra. Elisabeth Renger. Mais tarde o grupo foi acrescido dos seguintes nomes: Sra. Ana Jokl, Sra. Lieselotte Jokl, Sra. Barbara Markus, Sr. Sigfried Hubert, Sr. Valentin, Sr. Mario Rieper, Sr. Gustavo Bücker e o P. Ralf Weissenstein.

Entrementes, visando oferecer suporte jurídico e financeiro ao Lar Luisa Griese, foi fundada, em agosto de 1990, a Instituição Beneficente Martim Lutero (IBML). Em setembro de 1991, o P. Ralf Weissenstein deixou a comunidade. Em agosto do mesmo ano, o Conselho Paroquial da CECLBH decidiu encerrar os trabalhos em Santa Fé, alegando falta de verbas. A Pª. Dirci desligou-se do pastorado e continuou residindo em Santa Fé. Esse período foi de muita tensão na comunidade e algumas feridas ainda não estão completamente cicatrizadas.

Em dezembro de 1991, o P. Karl-Hans Zeller, vindo da Alemanha, assumiu as funções pastorais. Nesse período, a CECLBH estava vinculada ao Distrito Brasil-Central. As distâncias e as diferenças sócio-culturais com a realidade do Brasil-Central dificultavam o trabalho da Comunidade. Não obstante, muitas iniciativas foram desencadeadas em várias áreas, ativando e mobilizando amplos setores da CECLBH. A CECLBH foi animada a tornar-se uma comunidade cada vez mais acolhedora e aberta a novidades. Cabe mencionar aqui as seguintes iniciativas:

  • Na área musical, surge, em 1992, o Departamento de Música. Em 1993 é fundada uma pequena orquestra. Muitos jovens da comunidade interessam-se pelo aprendizado de um instrumento. Para isso, são oferecidas aulas regulares, visando a capacitação desses jovens e seu aproveitamento na orquestra. Essa momento de efervescência musical é sustentado por doações que sustentavam a compra de instrumentos e proviam fundos para realização das atividades. Entretanto, diferenças de compreensão quanto à orientação do Departamento, acabarão acarretando, em outubro de 1996, a saída do casal coordenador do Departamento. Outra pessoa assumiu a coordenação do Departamento. Graças aos esforços dos próprios participantes, o coral vem resistindo à essas mudanças e às mudanças de regentes.
  • No início de 1992 o trabalho em Santa Fé foi reativado, com a criação da Creche Cantinho Amigo. A opção por uma creche resultou de uma pesquisa feita junto à população acerca de suas necessidades reais e imediatas. Simultaneamente, vem se tentando, através de pequenas celebrações e momentos de leitura e reflexão bíblica, formar uma comunidade em torno desse trabalho diaconal. Não se pode falar ainda nem de um ponto de pregação nem de uma comunidade. Evidentemente, a experiência frustrada da "Missão Suburbana" em Santa Fé gerou nas pessoas uma incerteza quanto à continuidade e persistência do trabalho. A base de confiança para uma proposta que vá além do serviço prestado foi abalada.
  • Também em 1992, a família pastoral iniciou a oferta de cursos de trabalhos manuais para jovens das redondezas. O trabalho chamava-se inicialmente "Projeto Esperança". Os trabalhos, inicialmente realizados no salão paroquial da Igreja da Paz, cresceram e demandaram espaço mais adequado. Em agosto de 1996 um barracão foi alugado na vila Fátima. A partir de um contrato de comodato, firmado com Associação de Moradores Vila Senhora de Fátima, do Aglomerado da Serra, proporcionou ao trabalho um local adequado para as atividades. A partir de setembro de 96 as atividade passaram a funcionar nesse local e o resto do ano foi dedicado à avaliação e planejamento das atividades futuras. O "Projeto Esperança" passou a chamar-se "Centro de Integração Martinho" (CIM). A partir de 1998 o CIM começou a atender regularmente 100 crianças e adolescentes.
  • A introdução, a partir de 93, de novos cancioneiros com ritmos brasileiros deu início à paulatina substituição dos tradicionais hinos de origem alemã. Hoje o novo cancioneiro convive com o antigo hinário. Os cultos, transferidos para as 9:30 hs, passaram a ser celebrado somente em português, sendo que o terceiro domingo do mês estava reservado para o culto em alemão. Entretanto, a grande freqüência dos membros de fala portuguesa levou a transferência do culto alemão para 8:30 h. Essa mudança suscitou e suscita alguns questionamentos por parte dos falantes da língua alemã.
  • Em 1993 cinco casais, inclusive o casal pastoral, participaram do trabalho com casais em São Paulo e trouxeram a metodologia para Belo Horizonte. Em 1994 aconteceu o primeiro encontro organizado pela equipe, criada a partir da experiência em São Paulo. O trabalho com casais vem se organizando e conta hoje com uma equipe organizadora dos encontro e uma equipe de apoio. A equipe está preparando o VII Encontro. Até o momento o trabalho já atingiu 73 casais, incluindo aí casais do Espírito Santo e Rio de Janeiro que vieram conhecer a experiência em curso na CECLBH. A equipe organizadora vem reelaborando e reestruturando o material recebido e pode-se dizer que o Encontro de Casais da CECLBH tem um hoje perfil próprio, cujos pilares fundamentais são a abertura ecumênica da proposta e a ação voltada para a pessoa no constante encontrar-se e reecontrar-se consigo, com o outro e com Deus. Esse segundo enfoque tem revertido de forma positiva no despertar de lideranças dentro da CECLBH. A experiência tem mostrado também que o trabalho com casais vem servindo como porta de retorno para pessoas que, por razões diversas, estavam distantes da comunidade.
  • Ainda em 1993, no mês de agosto, começou a funcionar o Lar Luisa Griese, acolhendo alguns idosos, mas sem chegar à sua capacidade máxima. As obras foram concluídas com auxílio financeiro da Alemanha e também de um jantar tradicional alemão, o Biergarten, que estava já na IV edição.
  • Em 1994 surge a idéia de desenvolver um trabalhos missionário, priorizando as áreas de Contagem e Betim. Surge o projeto missionário "Belo Horizonte II". Inicialmente o trabalho não visava a criação de um segundo pastorado, mas de uma vaga para um/a catequista. No início de 1995, após tramitar nas instâncias distritais, o projeto foi enviado, em maio de 1995, para as instâncias regionais e, no mesmo mês, para a Secretaria de Missão. Em julho de 1995, a CECLBH recebeu a notícia de que o projeto foi aprovado pela IECLB com duas ressalvas. Em primeiro lugar, do total orçado a IECLB aprovou financiamento apenas para 50% das despesas. Em segundo lugar, o financiamento estava condicionado à obtenção destes recursos no exterior. A IECLB deteminou ainda que o preenchimento do segundo pastorado só deveria acontecer após a obtenção desses recurso e que o nome escolhido deveria ter o "aval expresso" da direção da IECLB. Em novembro de 1996, a CECLBH foi notificada de que os recursos foram obtidos junto à Obra Gustavo Adolfo, na Alemanha. Em março de 1997, a Assembléia da CECLBH decidiu que a vaga para o trabalho missionário deveria ser preenchida por um/a pastor/a. Em julho do mesmo ano, a CECLBH pediu para que a vaga fosse publicada. Vale registrar que a CECLBH não ficou parada, esperando os recursos prometidos. De 1994 a 1996, a CECLBH tocou com recursos humanos e financeiros próprios a missão em Contagem, dando início às atividades e alugando um pequeno salão para as atividades comunitárias.
  • Surgiu dentro da Equipe Organizadora do Encontro de Casais a idéia de começar um culto especial, diferente e com um liturgia mais solta. Iniciou-se, então, em 1996, o "culto de louvor". Esse culto, sempre com a participação dos casais, tem como objetivo o louvor e a reflexão. Um momento forte desse culto é o convite aos aniversariantes do mês, já contatos antes por carta e telefone, para que se posicionem junto ao altar para um momento especial de bênção. A frequência ao culto tem crescido assim como o interesse das pessoas pelo momento da bênção, mesmo que não estejam aniversariando.
  • Também a partir de 1996, no esforço de oferecer melhor qualificação às lideranças da comunidade, o P. Hans envolveu-se na organização de cursos de capacitação teológica (ICTE) para leigos da região sudeste. Os membros da CECLBH fizeram-se presentes nos cursos nos anos de 1996, 1997, 1998 e 1999. Entrementes, a IECLB estava passando por mudanças estruturais, que culminou, em 1998, na criação dos sínodos como unidade administrativas e eclesiais. A CECLBH, nesse meio tempo, havia deixado de pertencer ao Brasil-Central e retornado à região Sudeste, vindo compor, posteriormente, o Sínodo Sudeste.

Em 1 de janeiro de 1998, o P. Col. Valério Schaper, aceito pela comunidade em novembro de 1997, começou a trabalhar na CECLBH, ocupando o segundo pastorado dentro do projeto de missão "Belo Horizonte II", que estava voltado para as áreas de Contagem e Betim. Com retorno iminente do P. Hans para a Alemanha e a recente aquisição de um apartamento na Rua Palmira, próximo à R. Dona Salvadora, o P. Valério foi instalado nesse apartamento e, em virtude das circunstâncias, ocupou-se com o trabalho da CECLBH como um todo, sem que fosse dado um acento especial ao trabalho missionário em Contagem e Betim. A publicação para o preenchimento do pastorado, que vagara com o retorno do P. Hans, é feita desde meados do primeiro semestre de 1998.

O retorno para Alemanha do P. Hans, e sua família, em agosto de 1998 foi sentido profundamente pela comunidade que, depois de um longo período de instabilidades nas relações obreiros/as-comunidade, havia reencontrado seu eixo e adquirido um claro e firme direcionamento para sua existência como comunidade. O carisma do P. Hans marcou decisivamente o perfil da CECLBH.

Diante da saída do P. Hans, da incerteza quanto ao preenchimento do pastorado vacante e do crescente volume de trabalho gerado na CECLBH, Aneli Schwarz, ex-pphpista da CECLBH e fiel colaboradora nos trabalhos regulares da comunidade, acelerou seu planejamento pessoal e encaminhou ao Sínodo e à IECLB o seu pedido de ordenação. A Pª. Aneli foi ordenada em 1999 num regime de pastorado de tempo parcial, dando ao origem ao "pastorado voluntário" na CECLBH. Ela continuou ocupando suas funções normais e integrais de secretária numa empresa em Belo Horizonte. Somente com essa ajuda da Pª. Aneli, não sem sacrifícios de sua parte, o trabalho pastoral pôde ser conduzido no segundo semestre de 1998, após a saída do P. Hans, sem maiores quebras de continuidade.

A CECLBH estava, porém, resolvida a dar seguimento ao projeto missionário em curso desde 1994. Entretanto, decepcionou-se com o desinteresse pela vaga pastoral em Belo Horizonte. Depois de alguns esforços, alguns nomes apareceram e a comunidade optou pelo nome do P. Cláudio Molz, que retornava de um período de trabalho em Quito, no Equador. Também essa vaga foi preenchida dentro de um resoluta disposição missionária da CECLBH e no claro anseio de ver florescer um trabalho em equipe, envolvendo e motivando a comunidade.

Considerando a amplitude da área abrangida pela CECLBH, a situação de diáspora de seus membros e a conseqüente dispersão de energia e multiplicação de atividades, a comunidade concluiu que deveria tentar coordenar e orientar todos esses esforços para otimizar a melhor aplicação dos recursos humanos e financeiros. Buscando fazer frente a essa conclusão, buscou-se assessoria para a elaboração de um planejamento estratégico.

A IBML vem se estruturando sempre mais e, a partir de 1998, assumiu a coordenação do Biergarten, visando transformá-lo numa fonte de recursos para os trabalhos da instituição. A diretoria da IBML vem dando seguimento às mudanças organizacionais que P. Hans tinha desencadeado a partir de uma nova proposta de estatutos e de reestruturação funcional. A diretoria vem se preocupando com a questão do "marketing" da instituição, a qualificação das diretoras e das administradoras, com um plano de cargos e salários compatível com a realidade do país e da instituição. A IBML começa também a buscar fontes alternativas de financiamento para seus trabalhos e até mesmo trilhar caminhos que lhe proporcione no futuro meios de auto-sustentação.

2 – Um panorama contextual da CECLBH

2.1 - Belo Horizonte no contexto da região sudeste e do país

Em 1996 a Região Sudeste tinha 67.000.736 habitantes, dos quais 59.823.964 viviam na cidade e 7.176.774, na área rural. Nesse ano, Minas Gerais tinha 16.672.613 de habitantes, dos quais 13.073.852 viviam na cidade e 3.598.761, na área rural. Em 1999 o número total de habitantes pulou para 17.295.955. Os dados de distribuição da população para 1999-2000 ainda não estão disponíveis no IBGE. Considerando os dados disponíveis em 1996, dos estados da Região Sudeste, Minas é o que tem o maior número de habitantes na área rural.

Belo Horizonte tinha em 1996 uma população total de 2.091.448 (2.139.125 em 1999), sendo 989.749 homens 1.095.957 mulheres. Desse total, 2.080.145 encontravam-se na área urbana e 11.303, na área rural. Contagem tinha em 1996 uma população 492.350 habitantes (520.806 em 1999). Na área urbana encontram-se 454.020 e na área rural, 38.330. Betim tinha em 1996 uma população de 249.451(302.108 em 1999). Desse total 236.483 estão na cidade e 12.968, na área rural. Divinópolis tinha em 1996 171.565 habitantes, dos quais 164.600 residim na cidade e 6.965 na área rural. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), ocorreu, portanto, uma clara inversão na distribuição da população, pois, na área rural, reside pouco mais que 0,5% da população total.

Esse dado, porém, não ajuda a entender a complexidade da cultura urbana da RMBH, pois ele é quantitativo e deveríamos colocá-lo a serviço de uma análise qualitativa. O fato de uma parcela tão insignificante da população total de Belo Horizonte residir ainda no meio rural não transforma Belo Horizonte numa metrópole típica. Belo Horizonte é típica, sim, em sua mescla confusa de fenômenos claramente urbanos (dispersão, engarrafamentos, poluição, etc.) e fenômenos claramente rurais como se pode perceber na informalidade do trato com as pessoas por telefone (" - Deixete falá") e até mesmo nas carroças de tração animal e cavalos soltos pela Avenida Afonso Pena.

Cabe trazer aqui para a reflexão um dado não tão visível dos levantamentos por pesquisas quantitativas. Segundo um informe do P. Sinodal Rolf Schünemann, a dinâmica interna da Região Sudeste está mudando profundamente. Está ocorrendo, desde a década de oitenta, uma "desmetropolização" dos grandes centros e formação de novos centros. Indústrias e grandes grupos comerciais estão dando novo impulso à cidades menores. Portanto, nós podemos falar de um processo de interiorização da riqueza e de um refluxo migratório. As comunidades devem estar atentas a esse processo, pois podem, de repente, preocupar-se excessivamente com sua sobrevivência e inserção nos grandes centros e perder a dinâmica da mobilidade da população, inclusive a dos luteranos.

Os recentes resultados da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio (PNAD) do IBGE, que foram divulgados em 30 de novembro 1999, trazem alguns dados que são interessantes para compor uma análise mais detalhada das modificações no perfil da população brasileira e, é claro, do contexto em que está a CECLBH:

  • a taxa de pessoas como menos de 18 anos caiu de 39,8% em 1993 para 36,3% em 1998. Na região Sudeste, esse percentual caiu ainda mais - 33,2%. Isso reflete a forte queda da taxa de fecundidade da população brasileira, que vem se verificando desde a década de 80 e tem se mantido em patamares moderados de queda na década de 90. O tamanho da família vem se reduzindo. De 93 para 98, o número médio de pessoas por família caiu de 3,7 para 3,5 (3,4 no Sudeste). A participação das mulheres na responsabilidade pela família passou de 22,3% em 93 para 25,9% em 98, isto é, em cada 4 famílias, uma tem como responsável uma mulher;
  • em cinco anos o número de idosos (população de 60 anos para cima) aumentou em 2,2 milhões. O processo de envelhecimento da população vem se acentuando: de 8,0% em 93, passou para 8,8% em 98. Em cinco anos o contingente de idosos cresceu cerca de l8,4%. Um dado interessante a ser considerado em qualquer abordagem é que em cada 100 idosos, 55 são dos sexo feminino;
  • o índice de crianças fora da escola baixou de 11,4% em 93 para 5,3% em 98. A maior taxa de escolarização está na região Sudeste (96,2%). O percentual de crianças fora da escola na área urbana na região sudeste ficou em 3,2%. Também cresceu a taxa média de instrução. O percentual de pessoas a partir de 10 anos que têm o segundo grau completo passou de 14,4% para 18,0%. Na Região Sudeste essa taxa é de 21,6%. O nível de instrução das mulheres é maior que dos homens: entre a população masculina 16,8% tem o segundo grau e entre a população feminina, 19,2%;
  • houve também uma melhoria das condições de habitação em 1998. O percentual de 79% das moradias tem rede geral de abastecimento de água, 42% tem rede coletora de esgoto, 78,3% tem coleta de lixo, 94,2% tem energia elétrica, 32% tem telefone, 81,9% tem geladeira, 19,7% tem freezer, 32% tem máquina de lavar, 90% tem rádio e 87%, televisão;
  • evidentemente, esses dados são expressivos e falam por si, mas devem ser melhor trabalhados a partir de uma preocupação pela pastoral urbana. Eles podem orientar a seleção de metodologias de trabalho e ajudar a melhorar o enfoque do público a ser atingido.

 

2.2 - CECLBH no contexto da ieclb

Conforme os dados enviados pelas comunidades à Secretaria Geral da IECLB, foram realizados, em 1998, 9.329 batismos, 12.108 confirmações, 3.147 bênçãos matrimoniais, 6.410 sepultamentos. Observou-se que batismos, confirmações e bênçãos diminuem ano após ano, enquanto o número de sepultamentos aumenta. Ainda que o número de batismos seja no momento superior, prevê-se que em 2004 ele seja igual ao de sepultamentos, se essa tendência persistir. A conclusão é óbvia: a fase de auto-reprodução natural da IECLB está com os dias contados. Assim, para sobreviver, ela precisa deixar de viver do mero crescimento vegetativo.

Entretanto, há também alguns fatos animadores. No ano de 1998, a IECLB viu entrar em seu rol de membros 3.553 pessoas, sendo 1.799 por profissão de fé e 1.753 por casamento. Evidentemente, isso ainda não indica nada do ponto de vista de uma mudança de atitude das comunidades. Tanto profissão de fé como casamento fazem parte daquelas atividades estáticas que cada comunidade realiza e poderiam ser classificadas como oferta passiva. No caso da profissão de fé, na maioria dos casos somos surpreendidos por aquela pergunta: "Como que a gente faz para entrar para igreja de vocês?". Em grande parte a iniciativa é mais do interessado do que das próprias comunidades. Não tem sido diferente na CECLBH, se considerarmos o número de pessoas que procura a profissão de fé e a flutuação de membros. Os cursos de profissão de fé vivem mais ao sabor da procura do que de uma dinâmica sistemática de oferta.

Um outro elemento que pode ser apontado positivamente é o fato de que as atividades das comunidades vêm se diversificando e o número de grupos ativos nas comunidades vem crescendo. Há no momento 6.696 grupos dentro das comunidades: 1.418 grupos de culto infantil), 1192 grupos da OASE e outros 114 grupos de mulheres, 1.272 grupos de estudos bíblicos, 786 grupos de JEs. Além desses, há grupos de homens (30), de casais (434), de terceira idade (242), de canto, de liturgia, de oração, de dança sênior, etc. Há ainda 450 trabalhos diaconais pelo Brasil. [KLIEWER, Gerd U. Chances de crescer. JOREV-L, dez. de 1999, p. 9]

Para reverter a tendência acima esboçada, não podemos ficar parados esperando que fatos positivos aconteçam por si e alterem o quadro geral dentro da IECLB. As comunidades precisam ter um conjunto de programas criativos e diversificados, oferecidos sistematicamente dentro de um projeto, para abordar e aproximar-se de possíveis membros. É dentro dessa preocupação que se enquadara a afirmação do Secretário Geral:

"(...) é necessário desenvolver uma estratégia missionária mais voltada para as necessidades das pessoas e das comunidades; substituir o modelo obsoleto de paróquias por um modelo dinâmico de comunidade; envolver membros no corpo a corpo de testemunho da fé e ação para atrair pessoas que não participam da comunidade cristã."

[KLIEWER, Gerd U. JOREV-L, abril de 1999, p. 4]

 

2.3 - CECLBH no contexto Sínodo Sudeste

O Sínodo Sudeste contava em 1998 com 25.182 membros e 35,5 pastorados (Média: 709 membros por pastor). No total são 60 obreiros/ras entre pastores/as, catequistas, diáconas e misssionários. O Sínodo tem 24 paróquias e 34 comunidades. Nesse ano foram realizados 3.232 cultos com uma freqüência média de 65 pessoas; além de 297 batismos, 226 confirmações, 149 bênçãos matrimoniais (dessas, 49 pessoas tornaram-se membros), 168 profissões de fé e 181 outras admissões. O total de admissões (batismos, bênçãos, profissões de fé e outras formas) foi de 695 pessoas. Nesse mesmo ano os desligamentos e os sepultamentos totalizaram 426 pessoas. A taxa de crescimento (geral: admissões e batismos menos desligamentos e sepultamentos) foi 1,06 %. A taxa de crescimento vegetativo (batismos) foi de 1,18%.

Assim como Belo Horizonte, as comunidades em áreas metropolitanas têm apresentado uma flutuação (Admissão/Adm., Desligamentos/Desl.) de membros muito grande. É possível citar os seguintes exemplos para o ano de 1998: ABCD = 10 adm. e 4 desl.; Belo Horizonte = 15 adm. e 10 desl.; Rio de Janeiro/ML = 0 adm. e 16 desl; Rio de Janeiro/N = 7 adm. e 2 desl.; Santo Amaro = 60 adm. e 40 desl.; São Paulo/C = 49 adm. e 33 desl.

É interessante comparar as taxas de crescimento (batismos + profissão de fé e transferências - sepultamentos e desligamentos) de algumas comunidades, como por exemplo Petrópolis (+ 7/ 0,39%), Teófilo Otoni (+ 46/0,96%), Juiz de Fora (+ 6/0,95%), Belo Horizonte (+ 12/1,92%), Santo Amaro (+ 31/0,73%), São Paulo/C (+ 21/1,75%), Rio de Janeiro/ML (- 22/-2,2%). Com exceção da Paróquia Rio de Janeiro/ML, as demais comunidades ainda apresentam uma taxa de batismos levemente superior aos sepultamentos. Estas taxas estão longe das taxas médias de crescimento da população das respectivas regiões. A taxa média de crescimento da população para Minas Gerais, por exemplo, foi de 4% e o PNAD informa que taxa de fecundidade média do país em 1998 foi de 2,4%.

 

2.4 - CECLBH em números

Os batismos tiveram os seguintes números: 1996 (22), 1997 (20), 1998 (11), 1999 (12); os sepultamentos os seguintes: 1996 (11), 1997 (05), 1998 (04), 1999 (08); os casamentos os seguintes: 1996 (07), 1997 (09), 1998 (08), 1999 (09); as confirmações os seguintes: 1996 (11); 1997 (10); 1998 (12); 1999 (6); as profissões de fé as seguintes: 1996 (05), 1997 (05), 1998 (03), 1999 (00). As transferências, desligamentos, afastamentos apresentam números muito imprecisos nos anos de 1996-1997. Em 1998, houve 05 pedidos de ingresso via transferências e 10 pedidos de transferência para outras comunidades. Em 1999 houve apenas 01 pedido de desligamento. Isso indica que temos uma dupla dificuldade com esse tipo de levantamento: as pessoas não têm o costume de contatar a comunidade quando saem ou chegam e as comunidades dão pouca atenção a esses registros.

Há, entretanto, dados muito animadores, que são atestados pela diversidade das nossas atividades: OASE, Casais (Grupos de interesse/Diálogo, p. ex.), culto Infantil, coral, estudos bíblicos, JEBH (eventos esporádicos com jovens), grupos de mulheres (em Contagem e na Serra), IBML (trabalhos diaconais: LLG, CCA, CIM, Oficina de Esperança), cultos em Contagem, Betim e São José da Lapa, visitação a Juatuba e Pará de Minas e realização de estudos bíblicos em Divinopólis em Bom Despacho.

Há, porém, um dado preocupante. Percebemos nos cultos na Igreja da Paz uma queda paulatina da frequência média: 1996 (72), 1997 (72), 1998 (64), 1999 (60,3). É possível aqui levantar duas hipóteses:

  • considerando que podemos falar de uma queda sensível do número das visitações [1996 (420), 1997 (460), 1998 (175 - Sem computar: visitas do P. Hans, da PPHPista, da Pª. Aneli), 1999 (209)], é possível estabelecer uma relação direta entre visitação e freqüência nos cultos?
  • considerando a quantidade de oferta de possibilidades de participação em outras atividades (por exemplo, em grupos de estudo bíblico), é possível estabelecer uma relação entre essa participação e a não participação nos cultos?

Não temos dados conclusivos para arriscar qualquer uma dessas hipóteses. Os dados, no entanto, estão cobrando uma reflexão mais atenta. Em todo caso, uma constatação preliminar impõe-se. A forma de registro de informações quantitativas na CECLBH é muito precária. Não há, por exemplo, a prática de registrar com rigor a freqüência em atividades que fogem às atividades tradicionais: cultos esporádicos ou experiências de culto em outros locais, estudos bíblicos e outros tipos de reuniões. Esse tipo de anotação é fundamental para se ter um levantamento de um trabalho que se espalha em tantas frentes. Um quadro estatístico mais acurado poderia nos dar uma percepção de unidade do trabalho, da resposta dos membros em termos de participação, além de orientar a reflexão, a própria ação e suas ênfases.

 

2.5 - A CECLBH no contexto religioso brasileiro

Deve-se mencionar ainda que, em termos religiosos, Belo Horizonte reflete a realidade brasileira. Há uma grande mobilidade de filiação religiosa da população brasileira. Todo o processo de sair do meio rural e vir para as grandes cidade reforça essa indefinição religiosa. No ambiente das cidade têm crescido muito as igrejas pentecostais que, com uma teologia simples mas de forte impacto emocional, têm conquistado milhares de fiéis, inclusive luteranos. A proposta luterana de vivência da fé em comunidade encontra dificuldade de recepção, pois as pessoas são muito influenciadas pela teologia pentecostal que enfatiza a relação individualizada com Deus. Além disso, difunde-se a partir dessas igrejas uma teologia que prega uma retribuição, direta e visível, à fidelidade e generosidade financeira do fiel. Essa proposta leva os fiéis à total alienação da realidade em que vivem. Nessa teologia as coisas são apresentadas como se tudo pudesse ser resolvido individualmente, ou seja, não difundem uma proposta comunitária de trabalho, que vise vivência do Reino de Deus.

 

3 - Localização da CECLBH e suas filiais

A CECLBH tem como referência principal a Igreja da Paz, localizada no Bairro Serra, à Rua Dona Salvadora, 37. Este templo está a 38 anos nesse local. Embora esteja na região centro-sul de Belo Horizonte, o acesso à Igreja da Paz não é fácil. As pessoas perdem-se com facilidade na tentativa de encontrar a localização exata do templo. A Rua Dona Salvadora é perpendicular à Rua Palmira e termina na Rua Dep. Viriato Mascarenhas.

Em Contagem contamos com um salão comercial alugado e adaptado para as necessidades do trabalho comunitário. Também não é uma construção que se destaca. Está numa perpendicular à uma rua principal e o acesso, para quem vem de Belo Horizonte, é fácil, pois o salão está próximo à Fernão Dias. O Salão Paroquial de Contagem está localizado no Bairro Novo Riacho, à Rua Rio Tibre, 540.

Em Betim não dispomos de local próprio. Os estudos bíblicos e cultos são realizados nas casas dos membros, procurando obedecer um certo rodízio.

Em Divinópolis/Bom Despacho, os encontros para devoção e estudo bíblico também ocorrem nas casas, sempre procurando atender a possibilidades de tempo e deslocamento das pessoas.

Em São José da Lapa e Justinópolis, os trabalhos comunitários funcionam nas dependências da IBML. No Lar Luisa Griese (LLG), São José da Lapa, os cultos e devocionais acontecem no amplo salão do refeitório. Os cultos e devocionais nesse local atendem, em primeiro lugar, às/aos residentes, mas também aos moradores de Pedro Leopoldo, Vespasiano e alguns residentes em Belo Horizonte, que residem nas vias de acesso ao LLG. Na Creche Cantinho Amigo (CCA), Justinopólis, os devocionais e cultos estão voltados para as famílias das crianças e para algumas famílias luteranas que residem na região.

 

4 - Áreas de atuação e atividades da CECLBH

A CECLBH tem uma área de atuação bem diversificada. Além das atividades mais tradicionais como culto e grupo de OASE, a CECLBH vem intensificando

  • os grupos de estudos bíblicos (14), procurando distribui-los segundo uma estratégia espacial;
  • os trabalhos com crianças (culto infantil, dias especiais, etc.) e com jovens (reuniões, retiros, acampamentos, etc.), que vêm funcionando, ainda que de forma precária;
  • os grupos de ensino confirmatório (3), que funcionam regularmente;
  • o trabalho com música e tem podido, felizmente, contar com um bom número de músicos e com música de boa qualidade nas celebrações e, além disso, vem oferecendo a jovens membros a possibilidade de aprendizado em instrumentos, como flauta e violão;
  • o trabalho com casais, que está bem estruturado e em pleno funcionamento na comunidade, realizando encontros, festas, cultos, churrascos, atividades culturais, etc.
  • o trabalho com a terceira idade e tem realizado mensalmente o Encontro da Alegria;
  • o atendimento aos falantes de língua alemã, que contam com um culto mensal e em datas especiais, uma reunião mensal da OASE e uma festa de Natal.

Duas áreas têm se fortalecido na CECLBH: missão e diaconia. Por ter aceito o desafio missionário, a CECLBH tem se empenhado em buscar recursos e gera receitas para sustentar e apoiar o testemunho do evangelho em Contagem, Betim, Justinópolis e Divinópois/Bom Despacho. Na área da diaconia, que buscamos fazer caminhar junto com o trabalho missionário, temos a IBML, que é a expressão mais visível do empenho diaconal da CECLBH. A IBML tem crescido muito. A IBML é hoje um fruto que cresceu mais que a árvore que o deu origem. Entretanto, a IBML tem se demonstrado tão dinâmica e autônoma em suas atividades que não tem sido nenhum peso para a CECLBH, antes, pelo contrário, tem sido um fator de dinamização, envolvendo-a e divulgando-a.

 

5 - Caracterização do público atendido pela CECLBH

O público básico da CECLBH são os luteranos históricos, isto é, as pessoas que nascem em famílias luteranas. A história da CECLBH é feita de imigrantes e migrantes. Inicialmente para cá vieram os imigrantes alemães dentro do programa governamental de atrair europeus para solo brasileiro. Em seguida vieram imigrantes em função da construção da cidade e das firmas alemãs da área de siderurgia. E Belo Horizonte tem sido o palco de um constante fluxo migratório. Um grande massa de luteranos provenientes de Teófilo Otoni aqui chegaram e chegam em função do êxodo rural e da limitação local em atender a demanda por formação universitária e por empregos. Há também uma crescente migração de membros luteranos proveniente de comunidades no Espírito Santo. Um bom número desses membros concentra-se hoje em Contagem.

O fato de Belo Horizonte ser, dentro do Brasil, um forte pólo econômico produz na CECLBH um movimento constante de filiação e de desligamento, fazendo oscilar continuamente o número de membros e desnorteando os planejamentos pastorais. Entretanto, pode-se dizer que a CECLBH tem hoje um núcleo estável de membros que vem permitindo uma sedimentação crescente dos projetos comunitários.

Em termos econômicos, a CECLBH reflete também os acertos e desacertos que resultam dos sonhos que animam a disposição de imigrar ou migrar. Muitos vieram e conseguiram estabelecer, mas outros foram triturados pelas engrenagens dos grandes centros. Dizer que o perfil do membro médio é o da classe média não informa muito sobre o perfil geral da CECLBH. É verdade que esse é o perfil médio dos membros contribuintes, dos membros que estão nas lideranças e dos membros mais atuantes. Estão ausentes desse perfil justamente os que fracassam em seu sonhos. Esses normalmente desaparecem no universo da grande cidade. Incapaz de poder contribuir para sustentar a estrutura paroquial, que já conhecera e ajudara em seu lugar de origem, o luterano histórico prefere afastar-se, desaparecer na cidade. Sua compreensão de igreja está prévia e organicamente vinculada ao modelo tradicional de estrutura eclesial. Em sua compreensão, esse modelo deve ser mantido, pois ele é a concretização externa de uma visão de comunidade. Evidemente, esse padrão e sua concepção de ministério é oneroso e acaba selecionando tacitamente sua clientela. O luterano se reconhece e se afirma a partir desse padrão de estrutura eclesial e prefere ser excluído que propor ou aceitar sua alteração.

 

6 - Dados formais da CECLBH

Comunidade Evangélica de Confissão Luterana em Belo Horizonte (CECLBH)

Rua Dona Salvadora, 37 - Serra

Belo Horizonte - MG - 30.220-230

Telefax: (0xx31) 3281.1988

E-mail: ceclbh@luteranos.com.br

CNPJ: 16.512.931/0001-09

 

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