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revendo o planejamento para o novo milênio

Planejamento Estratégico

é um desafio novo que as nossas Comunidades estão vivenciando. Podemos afirmar que tem sido muito animador podermos pensar juntos a comunidade que temos no presente e qual a comunidade que queremos no futuro.

O planejamento deve ser uma atividade integradora e educativa para criar ambientes que possibilitem às pessoas ampliar visões para o atingimento dos objetivos através de metas. No entanto, o caminho deve ser trilhado pelas pessoas em liberdade, com consciência e responsabilidade. O planejamento, principalmente o replanejar, deve fazer a ponte entre a aprendizagem do passado e as ações do futuro. Planejar é pensar sobre o futuro e decidir como mover-se a ele. O plano deve ser audacioso, deve conter sonhos e portanto um grau de imprevisibilidade.

Sabemos que entre o pensar e o agir, temos o sentir. Acreditamos que o nosso papel é coordenar para que, no campo das relações (sentimentos), as pessoas se sintam encorajadas a participar da comunidade e colocar em prática os ensinamentos de Romanos 12.6-8: “Portanto, usemos os nossos diferentes dons, que nos foram dados pela graça de Deus. Se o dom que recebemos é o de anunciar a mensagem de Deus, façamos isto de acordo com a fé que temos. Se é servir, então devemos servir; se é ensinar, então ensinemos, se é animar os outros, então animemos.

Agradecemos a dedicação e o comprometimento dos membros do Conselho Paroquial e do Conselho Fiscal na revisão do Planejamento Estratégico e convidamos para que divulguem e dialoguem com os integrantes do seu Departamento ou Área de Trabalho sobre o conteúdo deste documento para que possamos ser uma comunidade ainda mais atuante e participativa.

Belo Horizonte, abril de 2001

Valério Guilherme Schaper

Pastor

Miltom José de Oliveira

Presidente

A – Apresentação da CECLBH

1 – Breve histórico



25 de janeiro de 1933 é fundada a Comunidade Luterana de Belo Horizonte.
Comunidade Evangélica de Confissão Luterana em Belo Horizonte (CECLBH), filiada à Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), tem sua sede em Belo Horizonte, capital do Estado de Minas Gerais, que está localizada na região Sudeste do País. Ela também deve seu surgimento a imigrantes de fala alemã que vieram por causa do trabalho e entre esses, muitos em função da construção da capital, pouco mais de 100 anos atrás. O outro forte fator de atração de alemães e de empresas alemãs foi a generosa riqueza mineral da região. O primeiro grupo de imigrantes recebeu a primeira visita pastoral em 1912 e já em 25 de janeiro de 1933 é fundada a Comunidade Luterana de Belo Horizonte. A partir de 1942, por ocasião da Segunda Guerra, suas atividades são praticamente encerradas e a sede social foi requisitada pela Polícia e entregue ao Exército. Em 1946 a Comunidade é fundada novamente. Nesta ocasião já conta com 50 famílias. A partir de 1953, ela ganha considerável impulso com a instalação em Belo Horizonte da siderúrgica Mannesmann. No entanto, o número flutuante de membros representava um obstáculo considerável. Os alemães vinham e retornavam regularmente para a Alemanha, criando verdadeiros vácuos de lideranças e participação.

A partir da década de 70, a Comunidade passa a contar regularmente com pastores que vinham da Baviera. Começa a processar-se uma série de mudanças no perfil da CECLBH. Aos poucos a língua alemã deixa de ser predominante (hoje temos um culto mensal em alemão). Aos poucos vai surgindo uma base mais constante de membros, que, em sua maioria, são migrantes do interior de Minas, em especial de Teófilo Otoni, e do interior do Espírito Santo. Hoje a Comunidade conta com aproximadamente 250 famílias. No entanto, à medida que foi se tornando mais brasileira, ela viu reduzir a participação das pessoas de fala alemã. Muitos retornaram para a Alemanha e outros não encontram mais seu espaço na Comunidade.

É também a partir da década de 70 que a Comunidade começa a desenvolver sua vocação diaconal e evangelizadora. Foi criada então, em 1980, a Instituição Beneficente Martim Lutero (IBML) para que o trabalho diaconal ganhasse maior consistência. Não se ignora os perigos da institucionalização da diaconia e luta bravamente para manter viva a dimensão do serviço como um mandato à toda comunidade. Além disso, a Comunidade vem lutando com criatividade e poucos recursos para manter acesa a disposição do anúncio da "boa-nova" (evangelho) em obediência ao seu chamado como Igreja de Cristo.

Hoje Belo Horizonte enfrenta o grande desafio de tornar-se uma comunidade luterana num grande centro urbano num país de Terceiro Mundo. Acreditamos que o futuro da IECLB será decidido nos centros urbanos brasileiros: ou a IECLB, através de suas comunidades já existentes nesses centros, consegue viabilizar uma proposta, um jeito de agir condizente com a dinâmica urbana ou ela retrocederá a um núcleo inexpressivo de membros marcados por atavismos étnicos.

Para se ter uma idéia, em 1996, dos cerca de 69 milhões de habitantes da Região Sudeste, 59 milhões já viviam na área urbana (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios/PNAD - IBGE, 30.11.99. Fotocópia ). Desse total, Minas gerais conta hoje com 17,1 milhões de habitantes e grau de urbanização é da ordem de 78% (A perfomance mineira. Brasil Alemanha. Ano 9, n.º 3, abril de 2001, p. 7). Belo Horizonte tinha em 1996 uma população total de 2.091.448 (2.139.125 em 1999). Os homens totalizam 989.749 e as mulheres, 1.095.957. Desse total, 2.080.145 estão na área urbana e 11.303, na área rural. Contagem tinha em 1996 uma população 492.350 habitantes (520.806 em 1999). Na área urbana, encontram-se 454.020 e na área rural, 38.330. Betim tinha em 1996 uma população de 249.451(302.108 em 1999). Desse total 236.483 estão na cidade e 12.968, na área rural. Divinópolis tinha em 1996 171.565 habitantes, dos quais 164.600 estão na cidade e 6.965 na área rural. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), há uma clara inversão na distribuição da população. Hoje, em Belo Horizonte, um pouco mais que 0,5% da população total reside na área rural (Dados do PNAD - IBGE, 30.11.99. Fotocópia).

2– Perspectivas desafiadoras

A região metropolitana de Belo Horizonte apresenta todos os problemas e possibilidades que apresentam todas as áreas metropolitanas do país. Temos aí condensadas todas as mazelas nacionais e uma massa de pessoas correndo em busca de uma possibilidade de inserção no mercado de trabalho. A Comunidade está no meio de tudo isso. A questão é sempre como ela se posiciona acerca dessa "busca" e como ela pode acolher os que fracassam e como mostrar aos bem sucedidos que isso não esgota o sentido da vida. Isso não é simples para uma igreja que por décadas esteve restrita ao ambiente rural, que ainda pensa ruralmente e tem como permanente "anel de contenção" o passado étnico de seus membros. Some-se a isso o crescimento vertiginoso das igrejas de caráter "pentecostal", que atraem milhares de pessoas, inclusive luteranos, e coloca em questionamento formas tradicionais de participação e ação comunitária. Aqui as igrejas estão cheias, mas não são as nossas.

Motivada, em primeiro lugar, pelo anseio de ser uma comunidade de Jesus Cristo e, em segundo, pelo próprio contexto em que a Comunidade está inserida, uma metrópole, a CECLBH quer ser comunidade de Jesus Cristo num grande centro urbano. Isso foi ficando claro para a CECLBH ao se ocupar com os recentes temas da IECLB: "Somos igreja, que igreja somos?", "Somos igrejas, que igreja queremos ser?", "Aqui você tem lugar", "É tempo de lançar" e, o atual, "Ide, fazei discípulos". Os questionamentos provocados pelos temas (quem somos e que igrejas queremos ser?) e as respostas colocadas em pauta (uma comunidade como um "lugar" de todos e o desafio de sair em busca de todos) foram delineando, sempre mais claramente, sua direção e sua meta. A CECLBH descobriu-se uma comunidade muito diaconal (atendia idosos, crianças e adolescentes), mas pouco acolhedora e muito tímida no anúncio do evangelho, da boa nova. Concluiu-se, então, que o esforço por inclusão social de idosos, crianças e adolescentes não pode estar separado da possibilidade de inclusão na comunidade dos que crêem. Do contrário, a prática comunitária seria uma negação da ação diaconal. Comunidade diaconal precisa necessariamente ser uma comunidade que busca (evangeliza) e acolhe, tomando parte na integralidade da "missão de Deus". Por isso, aqueles que perguntam se a comunidade não está fazendo mais do que pode têm razão. Não há dúvida, tomar parte na "missão de Deus" é, de fato, fazer mais do que podemos. Assim, a CECLBH vem traçando uma linha de trabalho que a tem levado a profundas mudanças no perfil tradicional de uma comunidade luterana no Brasil.

Considerando tudo isso, a CECLBH vem procurando tornar realidade sua definição de comunidade: grupo de pessoas que procura viver o evangelho de forma missionária, solidária, acolhedora, como Jesus queria. Assim, a Comunidade precisa ter um olhar para dentro e para fora: acolhendo solidariamente e indo ao encontro de pessoas, envolvendo-as para que se tornem discípula/os e tomem parte de uma "vida em abundância". Dessa forma ela contribui para construir o reino de Deus à medida que conhece essa vontade de Deus, sem esquecer que ela não se salva, mas Cristo faz isso por ela.

Isso não é simples, pois, como já dito, a sociedade brasileira está cada vez mais "religiosa" e cada vez mais sedenta de respostas. Isso colocar uma questão que ronda os planejamentos pastorais da comunidade: ou nossa resposta não é satisfatória ou ela não é formulada adequadamente! A CECLBH já percebeu que a comunidade não está aí apenas para oferecer respostas "sob medida". E tem se dado conta que é preciso ponderar se as perguntas não estão por demais determinadas por influências do próprio "mercado religioso". O "nó" pastoral reside justamente em como animar pessoas a transformarem a comunidade no local em que se problematiza perguntas e respostas e se ensaia uma nova vivência comunitária da fé do jeito luterano.

Sem, no entanto, ter uma resposta pronta, a CECLBH vem procurando "fazer", isto é, colocar em prática, por tentativas e erros, propostas e novos jeitos de ser comunidade.

Uma das alegrias da Comunidade foi descobrir sua vocação diaconal. Estamos presentes diaconalmente na RMBH (São José da Lapa, Ribeirão das Neves, Favela da Serra em Belo Horizonte). Esse trabalho vem crescendo e vem se tornando cada vez mais sólido. À medida que cresce, exige mais organização e burocracia, numa palavra, "institucionalização da diaconia". Embora seja algo necessário em termos práticos e jurídicos, a Comunidade não vê a institucionalização da ação diaconal como uma solução satisfatória para a sua vocação diaconal. Pelo contrário, a Comunidade vem lutando muito para que a diaconia seja um mandato de toda a Comunidade. A CECLBH e a IBML fazem questão de caminhar juntas, pois sonham com uma comunidade toda diaconal e uma diaconia toda comunitária. Portanto, não se pensa num/a obreiro/a exclusivo da Comunidade ou da IBML. Além disso, entendemos que podemos e devemos levar de alguma forma a nossa proposta de vivência comunitária da fé também lá onde está nossa ação diaconal. Sem dúvida, trata-se de um grande desafio, mas cremos que ele valha a pena.

A CECLBH tem também aberto frentes em várias direções: criar comunidades novas na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), vários pontos de celebração de culto, cultos alternativos, criação de grupos de estudo bíblico, trabalho com terceira idade, um trabalho consistente com casais, um esforço de atrair criativamente os jovens, apoio a famílias luteranas em situação de necessidade, etc. Há um fator que limita consideravelmente todo os trabalhos: as distâncias. A CECLBH é a única comunidade organizada na RMBH. O que, de fato, tem permitido que a CECLBH possa colocar em andamento um projeto de comunidade assim é a intensa participação de não-obreiros/as, isto é, membros da Comunidade que colocam seu tempo e seus dons a serviço de Deus, servindo os outros.

Percebeu-se, porém, que para continuar tomando parte da "missão de Deus", fazendo "mais do que pode", a Comunidade precisava planejar melhor suas ações. Assim, em fins de 99 iniciou um processo de "Planejamento Estratégico" (PE) para o ano de 2000. Hoje, a CECLBH está reformulando seu planejamento e adequando-o ao novo momento, pois, em 2001, a IECLB colocou para as comunidades um "Plano de Ação Missionária" (PAMI)para sete anos de trabalho. O PAMI ressalta a importância da participação dos não-obreiros, a importância de retomar o crescimento numérico da IECLB (quantidade com qualidade) e a necessidade de marcar a presença da igreja em todas as cidade com mais de 200 mil habitantes.

A Comunidade sentiu-se muito à vontade com o PAMI, pois, em primeiro lugar, já estava procurando planejar suas ações e, em segundo, as prioridades do PAMI são, em boa parte, também as do PE da CECLBH. Temos uma proposta para identificar lacunas e para oferecer cursos que aprimorem a formação das lideranças não-obreiras que atuam ou querem atuar na comunidade, temos já esforços concretos de criar comunidade em cidades com mais de 200 mil habitantes (Contagem, Betim), estamos trabalhando em projetos que melhorem a visibilidade física da CECLBH e reforcem seu "marketing", temos realizado seminários para aprofundar a reflexão sobre a "missão de Deus" (evangelização e diaconia), estamos trabalhando para que a CECLBH deixe de ser uma comunidade de fim-de-semana e seja uma comunidade da semana toda através da criação de um Núcleo de Apoio Comunitário, etc.

 

3– Áreas de atuação e atividades da CECLBH

A CECLBH tem uma área de atuação bem diversificada. Além das atividades mais tradicionais como culto e grupo de OASE, a CECLBH vem intensificando:

Duas áreas têm se fortalecido na CECLBH: missão e diaconia. Por ter aceito o desafio missionário, a CECLBH tem se empenhado em buscar recursos e gerar receitas para sustentar e apoiar o testemunho do evangelho em Contagem, Betim, Justinópolis e Divinópois/Bom Despacho. Na área da diaconia, que buscamos fazer caminhar junto com o trabalho missionário, temos a IBML, que é a expressão mais visível do empenho diaconal da CECLBH. A IBML tem crescido muito. A IBML é hoje um fruto que cresceu mais que a árvore que o deu origem. Entretanto, a IBML tem se demonstrado tão dinâmica e autônoma em suas atividades que não tem sido nenhum peso para a CECLBH, antes, pelo contrário, tem sido um fator de dinamização, envolvendo-a e divulgando-a.

4– Caracterização do público atendido pela CECLBH

O público básico da CECLBH são os luteranos históricos, isto é, as pessoas que nascem em famílias luteranas. A história da CECLBH é feita de imigrantes e migrantes. Inicialmente para cá vieram os imigrantes alemães dentro do programa governamental de atrair europeus para solo brasileiro. Em seguida vieram imigrantes em função da construção da cidade e das firmas alemãs da área de siderurgia. E Belo Horizonte tem sido o palco de um constante fluxo migratório. Uma grande massa de luteranos provenientes de Teófilo Otoni aqui chegaram e chegam em função do êxodo rural e da limitação local em atender a demanda por formação universitária e por empregos. Há também uma crescente migração de membros luteranos proveniente de comunidades no Espírito Santo. Um bom número desses membros concentra-se hoje em Contagem.

 

5– Localização da CECLBH e suas filiais

Em Belo Horizonte, a CECLBH tem como referência principal a Igreja da Paz, localizada no Bairro Serra, à Rua Dona Salvadora, 37. Este templo está a 38 anos nesse local. Embora esteja na região centro-sul de Belo Horizonte, o acesso à Igreja da Paz não é fácil. As pessoas perdem-se com facilidade na tentativa de encontrar a localização exata do templo. A Rua Dona Salvadora é perpendicular à Rua Palmira e termina na Rua Dep. Viriato Mascarenhas. A partir desde ano, começamos a realizar cultos regulares na Região da Pampulha. Os cultos ocorrem uma vez por mês na casa de uma família da comunidade, gentilmente colocada à disposição dos trabalhos comunitários. A casa localiza-se à Rua Desembargador Afonso Lage, 99, Dona Clara, nas proximidades do aeroporto da Pampulha e de fácil acesso, tanto pela Av. Cristiano Machado como pela Av. Antônio Carlos.

Em Contagem contamos com um salão comercial alugado e adaptado para as necessidades do trabalho comunitário. Também não é uma construção que se destaca. Está numa perpendicular à uma rua principal e o acesso, para quem vem de Belo Horizonte, é fácil, pois o salão está próximo à Fernão Dias. O Salão Paroquial de Contagem está localizado no Bairro Novo Riacho, à Rua Rio Tibre, 540.

Em Betim não dispomos de local próprio. Os estudos bíblicos e cultos são realizados nas casas dos membros, procurando obedecer um certo rodízio.

Em Divinópolis / Bom Despacho, os encontros para devoção e estudo bíblico também ocorrem nas casas, sempre procurando atender as possibilidades de tempo e deslocamento das pessoas.

Em São José da Lapa e Justinópolis, os trabalhos comunitários funcionam nas dependências da IBML. No Lar Luisa Griese (LLG), São José da Lapa, os cultos e devocionais acontecem no amplo salão do refeitório. Os cultos e devocionais nesse local atendem, em primeiro lugar, às/aos residentes, mas também aos moradores de Pedro Leopoldo, Vespasiano e alguns residentes em Belo Horizonte, que residem nas vias de acesso ao LLG. Na Creche Cantinho Amigo (CCA), Justinopólis, os devocionais e cultos estão voltados para as famílias das crianças e para algumas famílias luteranas que residem na região.

 

6– Dados formais da CECLBH

Comunidade Evangélica de Confissão Luterana em Belo Horizonte (CECLBH)

Rua Dona Salvadora, 37 - Serra

Belo Horizonte - MG - 30.220-230

Telefax: (0xx31) 3281.1988

E-mail: ceclbh@luteranos.com.br

CNPJ: 16.512.931/0001-09

 

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