A
– Apresentação da CECLBH
1
– Breve histórico
25 de janeiro de 1933
é fundada a Comunidade Luterana de Belo Horizonte.
Comunidade Evangélica de Confissão Luterana em Belo Horizonte
(CECLBH), filiada à Igreja Evangélica de Confissão
Luterana no Brasil (IECLB), tem sua sede em Belo Horizonte, capital
do Estado de Minas Gerais, que está localizada na região
Sudeste do País. Ela também deve seu surgimento a imigrantes
de fala alemã que vieram por causa do trabalho e entre esses,
muitos em função da construção da capital,
pouco mais de 100 anos atrás. O outro forte fator de atração
de alemães e de empresas alemãs foi a generosa riqueza
mineral da região. O primeiro grupo de imigrantes recebeu a primeira
visita pastoral em 1912 e já em 25 de janeiro de 1933 é
fundada a Comunidade Luterana de Belo Horizonte. A partir de 1942, por
ocasião da Segunda Guerra, suas atividades são praticamente
encerradas e a sede social foi requisitada pela Polícia e entregue
ao Exército. Em 1946 a Comunidade é fundada novamente.
Nesta ocasião já conta com 50 famílias. A partir
de 1953, ela ganha considerável impulso com a instalação
em Belo Horizonte da siderúrgica Mannesmann. No entanto, o número
flutuante de membros representava um obstáculo considerável.
Os alemães vinham e retornavam regularmente para a Alemanha,
criando verdadeiros vácuos de lideranças e participação.
A
partir da década de 70, a Comunidade passa a contar regularmente
com pastores que vinham da Baviera. Começa a processar-se uma
série de mudanças no perfil da CECLBH. Aos poucos a língua
alemã deixa de ser predominante (hoje temos um culto mensal em
alemão). Aos poucos vai surgindo uma base mais constante de membros,
que, em sua maioria, são migrantes do interior de Minas, em especial
de Teófilo Otoni, e do interior do Espírito Santo. Hoje
a Comunidade conta com aproximadamente 250 famílias. No entanto,
à medida que foi se tornando mais brasileira, ela viu reduzir
a participação das pessoas de fala alemã. Muitos
retornaram para a Alemanha e outros não encontram mais seu espaço
na Comunidade.
É
também a partir da década de 70 que a Comunidade começa
a desenvolver sua vocação diaconal e evangelizadora. Foi
criada então, em 1980, a Instituição Beneficente
Martim Lutero (IBML) para que o trabalho diaconal ganhasse maior consistência.
Não se ignora os perigos da institucionalização
da diaconia e luta bravamente para manter viva a dimensão do
serviço como um mandato à toda comunidade. Além
disso, a Comunidade vem lutando com criatividade e poucos recursos para
manter acesa a disposição do anúncio da "boa-nova"
(evangelho) em obediência ao seu chamado como Igreja de Cristo.
Hoje Belo Horizonte enfrenta o grande desafio de tornar-se uma comunidade
luterana num grande centro urbano num país de Terceiro Mundo.
Acreditamos que o futuro da IECLB será decidido nos centros urbanos
brasileiros: ou a IECLB, através de suas comunidades já
existentes nesses centros, consegue viabilizar uma proposta, um jeito
de agir condizente com a dinâmica urbana ou ela retrocederá
a um núcleo inexpressivo de membros marcados por atavismos étnicos.
Para
se ter uma idéia, em 1996, dos cerca de 69 milhões de
habitantes da Região Sudeste, 59 milhões já viviam
na área urbana (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios/PNAD
- IBGE, 30.11.99. Fotocópia ). Desse total, Minas gerais conta
hoje com 17,1 milhões de habitantes e grau de urbanização
é da ordem de 78% (A perfomance mineira. Brasil Alemanha. Ano
9, n.º 3, abril de 2001, p. 7). Belo Horizonte tinha em 1996 uma
população total de 2.091.448 (2.139.125 em 1999). Os homens
totalizam 989.749 e as mulheres, 1.095.957. Desse total, 2.080.145 estão
na área urbana e 11.303, na área rural. Contagem tinha
em 1996 uma população 492.350 habitantes (520.806 em 1999).
Na área urbana, encontram-se 454.020 e na área rural,
38.330. Betim tinha em 1996 uma população de 249.451(302.108
em 1999). Desse total 236.483 estão na cidade e 12.968, na área
rural. Divinópolis tinha em 1996 171.565 habitantes, dos quais
164.600 estão na cidade e 6.965 na área rural. Na Região
Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), há uma clara inversão
na distribuição da população. Hoje, em Belo
Horizonte, um pouco mais que 0,5% da população total reside
na área rural (Dados do PNAD - IBGE, 30.11.99. Fotocópia).
2–
Perspectivas desafiadoras
A
região metropolitana de Belo Horizonte apresenta todos os problemas
e possibilidades que apresentam todas as áreas metropolitanas
do país. Temos aí condensadas todas as mazelas nacionais
e uma massa de pessoas correndo em busca de uma possibilidade de inserção
no mercado de trabalho. A Comunidade está no meio de tudo isso.
A questão é sempre como ela se posiciona acerca dessa
"busca" e como ela pode acolher os que fracassam e como mostrar
aos bem sucedidos que isso não esgota o sentido da vida. Isso
não é simples para uma igreja que por décadas esteve
restrita ao ambiente rural, que ainda pensa ruralmente e tem como permanente
"anel de contenção" o passado étnico
de seus membros. Some-se a isso o crescimento vertiginoso das igrejas
de caráter "pentecostal", que atraem milhares de pessoas,
inclusive luteranos, e coloca em questionamento formas tradicionais
de participação e ação comunitária.
Aqui as igrejas estão cheias, mas não são as nossas.
Motivada, em primeiro lugar, pelo anseio de ser uma comunidade de Jesus
Cristo e, em segundo, pelo próprio contexto em que a Comunidade
está inserida, uma metrópole, a CECLBH quer ser comunidade
de Jesus Cristo num grande centro urbano. Isso foi ficando claro para
a CECLBH ao se ocupar com os recentes temas da IECLB: "Somos igreja,
que igreja somos?", "Somos igrejas, que igreja queremos ser?",
"Aqui você tem lugar", "É tempo de lançar"
e, o atual, "Ide, fazei discípulos". Os questionamentos
provocados pelos temas (quem somos e que igrejas queremos ser?) e as
respostas colocadas em pauta (uma comunidade como um "lugar"
de todos e o desafio de sair em busca de todos) foram delineando, sempre
mais claramente, sua direção e sua meta. A CECLBH descobriu-se
uma comunidade muito diaconal (atendia idosos, crianças e adolescentes),
mas pouco acolhedora e muito tímida no anúncio do evangelho,
da boa nova. Concluiu-se, então, que o esforço por inclusão
social de idosos, crianças e adolescentes não pode estar
separado da possibilidade de inclusão na comunidade dos que crêem.
Do contrário, a prática comunitária seria uma negação
da ação diaconal. Comunidade diaconal precisa necessariamente
ser uma comunidade que busca (evangeliza) e acolhe, tomando parte na
integralidade da "missão de Deus". Por isso, aqueles
que perguntam se a comunidade não está fazendo mais do
que pode têm razão. Não há dúvida,
tomar parte na "missão de Deus" é, de fato,
fazer mais do que podemos. Assim, a CECLBH vem traçando uma linha
de trabalho que a tem levado a profundas mudanças no perfil tradicional
de uma comunidade luterana no Brasil.
Considerando
tudo isso, a CECLBH vem procurando tornar realidade sua definição
de comunidade: grupo de pessoas que procura viver o evangelho de forma
missionária, solidária, acolhedora, como Jesus queria.
Assim, a Comunidade precisa ter um olhar para dentro e para fora: acolhendo
solidariamente e indo ao encontro de pessoas, envolvendo-as para que
se tornem discípula/os e tomem parte de uma "vida em abundância".
Dessa forma ela contribui para construir o reino de Deus à medida
que conhece essa vontade de Deus, sem esquecer que ela não se
salva, mas Cristo faz isso por ela.
Isso
não é simples, pois, como já dito, a sociedade
brasileira está cada vez mais "religiosa" e cada vez
mais sedenta de respostas. Isso colocar uma questão que ronda
os planejamentos pastorais da comunidade: ou nossa resposta não
é satisfatória ou ela não é formulada adequadamente!
A CECLBH já percebeu que a comunidade não está
aí apenas para oferecer respostas "sob medida". E tem
se dado conta que é preciso ponderar se as perguntas não
estão por demais determinadas por influências do próprio
"mercado religioso". O "nó" pastoral reside
justamente em como animar pessoas a transformarem a comunidade no local
em que se problematiza perguntas e respostas e se ensaia uma nova vivência
comunitária da fé do jeito luterano.
Sem,
no entanto, ter uma resposta pronta, a CECLBH vem procurando "fazer",
isto é, colocar em prática, por tentativas e erros, propostas
e novos jeitos de ser comunidade.
Uma
das alegrias da Comunidade foi descobrir sua vocação diaconal.
Estamos presentes diaconalmente na RMBH (São José da Lapa,
Ribeirão das Neves, Favela da Serra em Belo Horizonte). Esse
trabalho vem crescendo e vem se tornando cada vez mais sólido.
À medida que cresce, exige mais organização e burocracia,
numa palavra, "institucionalização da diaconia".
Embora seja algo necessário em termos práticos e jurídicos,
a Comunidade não vê a institucionalização
da ação diaconal como uma solução satisfatória
para a sua vocação diaconal. Pelo contrário, a
Comunidade vem lutando muito para que a diaconia seja um mandato de
toda a Comunidade. A CECLBH e a IBML fazem questão de caminhar
juntas, pois sonham com uma comunidade toda diaconal e uma diaconia
toda comunitária. Portanto, não se pensa num/a obreiro/a
exclusivo da Comunidade ou da IBML. Além disso, entendemos que
podemos e devemos levar de alguma forma a nossa proposta de vivência
comunitária da fé também lá onde está
nossa ação diaconal. Sem dúvida, trata-se de um
grande desafio, mas cremos que ele valha a pena.
A
CECLBH tem também aberto frentes em várias direções:
criar comunidades novas na Região Metropolitana de Belo Horizonte
(RMBH), vários pontos de celebração de culto, cultos
alternativos, criação de grupos de estudo bíblico,
trabalho com terceira idade, um trabalho consistente com casais, um
esforço de atrair criativamente os jovens, apoio a famílias
luteranas em situação de necessidade, etc. Há um
fator que limita consideravelmente todo os trabalhos: as distâncias.
A CECLBH é a única comunidade organizada na RMBH. O que,
de fato, tem permitido que a CECLBH possa colocar em andamento um projeto
de comunidade assim é a intensa participação de
não-obreiros/as, isto é, membros da Comunidade que colocam
seu tempo e seus dons a serviço de Deus, servindo os outros.
Percebeu-se, porém, que para continuar tomando parte da "missão
de Deus", fazendo "mais do que pode", a Comunidade precisava
planejar melhor suas ações. Assim, em fins de 99 iniciou
um processo de "Planejamento Estratégico" (PE) para
o ano de 2000. Hoje, a CECLBH está reformulando seu planejamento
e adequando-o ao novo momento, pois, em 2001, a IECLB colocou para as
comunidades um "Plano de Ação Missionária"
(PAMI)para sete anos de trabalho. O PAMI ressalta a importância
da participação dos não-obreiros, a importância
de retomar o crescimento numérico da IECLB (quantidade com qualidade)
e a necessidade de marcar a presença da igreja em todas as cidade
com mais de 200 mil habitantes.
A
Comunidade sentiu-se muito à vontade com o PAMI, pois, em primeiro
lugar, já estava procurando planejar suas ações
e, em segundo, as prioridades do PAMI são, em boa parte, também
as do PE da CECLBH. Temos uma proposta para identificar lacunas e para
oferecer cursos que aprimorem a formação das lideranças
não-obreiras que atuam ou querem atuar na comunidade, temos já
esforços concretos de criar comunidade em cidades com mais de
200 mil habitantes (Contagem, Betim), estamos trabalhando em projetos
que melhorem a visibilidade física da CECLBH e reforcem seu "marketing",
temos realizado seminários para aprofundar a reflexão
sobre a "missão de Deus" (evangelização
e diaconia), estamos trabalhando para que a CECLBH deixe de ser uma
comunidade de fim-de-semana e seja uma comunidade da semana toda através
da criação de um Núcleo de Apoio Comunitário,
etc.
3–
Áreas de atuação e atividades da CECLBH
A
CECLBH tem uma área de atuação bem diversificada.
Além das atividades mais tradicionais como culto e grupo de OASE,
a CECLBH vem intensificando:
- os grupos
de estudos bíblicos (18), procurando distribui-los segundo
uma estratégia espacial;
- os trabalhos
com crianças (culto infantil, dias especiais, etc.) e com jovens
(reuniões, retiros, acampamentos, etc.), que vêm funcionando,
ainda que de forma precária;
- os grupos
de ensino confirmatório (2), que funcionam regularmente;
- o trabalho
com música e tem podido, felizmente, contar com um bom número
de músicos e com música de boa qualidade nas celebrações
e, além disso, vem oferecendo a jovens membros a possibilidade
de aprendizado de instrumentos, como flauta e violão;
- o trabalho
com casais, que está bem estruturado e em pleno funcionamento
na comunidade, realizando encontros, festas, cultos, churrascos, atividades
culturais, etc.
- o trabalho
com a terceira idade tem realizado mensalmente o Encontro da Alegria;
- o atendimento
aos falantes de língua alemã, que contam com um culto
mensal e em datas especiais, uma reunião mensal da OASE e uma
festa de Natal.
- buscar recursos
e gerar receitas para sustentar e apoiar o testemunho do evangelho
Duas
áreas têm se fortalecido na CECLBH: missão e diaconia.
Por ter aceito o desafio missionário, a CECLBH tem se empenhado
em buscar recursos e gerar receitas para sustentar e apoiar o testemunho
do evangelho em Contagem, Betim, Justinópolis e Divinópois/Bom
Despacho. Na área da diaconia, que buscamos fazer caminhar junto
com o trabalho missionário, temos a IBML, que é a expressão
mais visível do empenho diaconal da CECLBH. A IBML tem crescido
muito. A IBML é hoje um fruto que cresceu mais que a árvore
que o deu origem. Entretanto, a IBML tem se demonstrado tão dinâmica
e autônoma em suas atividades que não tem sido nenhum peso
para a CECLBH, antes, pelo contrário, tem sido um fator de dinamização,
envolvendo-a e divulgando-a.
4–
Caracterização do público atendido pela CECLBH
O
público básico da CECLBH são os luteranos históricos,
isto é, as pessoas que nascem em famílias luteranas. A
história da CECLBH é feita de imigrantes e migrantes.
Inicialmente para cá vieram os imigrantes alemães dentro
do programa governamental de atrair europeus para solo brasileiro. Em
seguida vieram imigrantes em função da construção
da cidade e das firmas alemãs da área de siderurgia. E
Belo Horizonte tem sido o palco de um constante fluxo migratório.
Uma grande massa de luteranos provenientes de Teófilo Otoni aqui
chegaram e chegam em função do êxodo rural e da
limitação local em atender a demanda por formação
universitária e por empregos. Há também uma crescente
migração de membros luteranos proveniente de comunidades
no Espírito Santo. Um bom número desses membros concentra-se
hoje em Contagem.
5–
Localização da CECLBH e suas filiais
Em
Belo Horizonte, a CECLBH tem como referência principal a Igreja
da Paz, localizada no Bairro Serra, à Rua Dona Salvadora,
37. Este templo está a 38 anos nesse local. Embora esteja na
região centro-sul de Belo Horizonte, o acesso à Igreja
da Paz não é fácil. As pessoas perdem-se com facilidade
na tentativa de encontrar a localização exata do templo.
A Rua Dona Salvadora é perpendicular à Rua Palmira e termina
na Rua Dep. Viriato Mascarenhas. A partir desde ano, começamos
a realizar cultos regulares na Região da Pampulha.
Os cultos ocorrem uma vez por mês na casa de uma família
da comunidade, gentilmente colocada à disposição
dos trabalhos comunitários. A casa localiza-se à Rua Desembargador
Afonso Lage, 99, Dona Clara, nas proximidades do aeroporto da Pampulha
e de fácil acesso, tanto pela Av. Cristiano Machado como pela
Av. Antônio Carlos.
Em Contagem
contamos com um salão comercial alugado e adaptado para as necessidades
do trabalho comunitário. Também não é uma
construção que se destaca. Está numa perpendicular
à uma rua principal e o acesso, para quem vem de Belo Horizonte,
é fácil, pois o salão está próximo
à Fernão Dias. O Salão Paroquial de Contagem está
localizado no Bairro Novo Riacho, à Rua Rio Tibre, 540.
Em Betim
não dispomos de local próprio. Os estudos bíblicos
e cultos são realizados nas casas dos membros, procurando obedecer
um certo rodízio.
Em Divinópolis
/ Bom Despacho, os encontros para devoção e estudo bíblico
também ocorrem nas casas, sempre procurando atender as possibilidades
de tempo e deslocamento das pessoas.
Em São José da Lapa e Justinópolis,
os trabalhos comunitários funcionam nas dependências da
IBML. No Lar Luisa Griese (LLG),
São José da Lapa, os cultos e devocionais
acontecem no amplo salão do refeitório. Os cultos e devocionais
nesse local atendem, em primeiro lugar, às/aos residentes, mas
também aos moradores de Pedro Leopoldo, Vespasiano e alguns residentes
em Belo Horizonte, que residem nas vias de acesso ao LLG. Na Creche
Cantinho Amigo (CCA), Justinopólis,
os devocionais e cultos estão voltados para as famílias
das crianças e para algumas famílias luteranas que residem
na região.
6–
Dados formais da CECLBH
Comunidade Evangélica de Confissão
Luterana em Belo Horizonte (CECLBH)
Rua Dona Salvadora, 37 - Serra
Belo Horizonte - MG - 30.220-230
Telefax: (0xx31) 3281.1988
E-mail: ceclbh@luteranos.com.br
CNPJ: 16.512.931/0001-09