Walter Berner
"Mais
vale o valor da vida a serviço da vida que se possa
compartilhar, que a vida bela obscurecida pelo acaso, e mercê da
própria sorte esta vida arriscar"
O ser humano é uma energia em potencial, que o impulsiona
e o motiva ao crescimento, enfim, à própria vida.
O conhecimento; a meditação e oração;
a razão; as emoções e sentimentos; e, a
criatividade; fazem a massa desta energia.
Não observar um destes elementos, a estrutura básica
fica abalada, e o sentido da vida, sem rumo.
Mas para onde isto quer nos conduzir? Leva-nos à maior
força para a vida: a esperança. Sim, leva-nos à esperança
sem limites, que em qualquer situação alimenta
nossa fé de que existe Deus. De que diante desta fé,
nada, nada mesmo, pode impedir a vida, por mais singela ou conturbada
que venha a ser. Esta esperança nos alimenta para que
possamos nos dirigir a Deus em oração, e confiar-Lhe
nossos anseios e projetos de vida. E ao permitir-nos externar
nossas emoções, sejamos criativos, despertemos
nossa criatividade, para a vida conduzir com razão e amor.
Mas, "somente Deus cria. O homem recebeu a graça
da criatividade". Este dom, divinamente confiado a nós
cresce sem limites quando estamos sendo estimulados na "auto-estima",
quando nos sentimos verdadeiramente amados, e pelo reconhecimento
de que nosso "fazer" é antes de tudo esta bênção
divina, e também quando se tem a certeza que este "fazer",
se associa ao amor. Na vivência que experimentamos, estes "valores
para a vida" são frutos deste amor, pois é aí que
se consegue ver a olhos vivos, os frutos deste "fazer por
amor".
Esta esperança que para muitos é a verdadeira
razão da sobrevivência, é uma mera lusinha
no fundo de um túnel. E felizmente, quantas vezes, sim,
não poucas, o simples despertar de uma pessoa, o acreditar
em sua capacidade, é o bastante para que ela veja esta
diminuta luz renascer como a alvorada. "A esperança
floresce exatamente lá onde o sol se põe, na certeza
de que para cada sol poente existe uma alvorada radiante”.
A vida não se limita ao que já se viveu, mas é a
esperança no viver a plenitude perene.
Esta esperança se solidifica ainda mais quando confiamos
nosso viver, nosso fazer, a Deus, este Deus a quem rogamos para
que transforme o mundo. Mas é igualmente importante, que
cada ser humano, cada criatura deste Criador, faça também
a sua parte, e transforme a partir de sua própria vida,
sua maneira de ir e vir, sua maneira de ser: (Rm 12,2ª.) “E
não vos conformeis com este século, mas transformai-vos
pela renovação de vossa mente, para que experimenteis
qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”.
Esta “recomendação” de Paulo aos Romanos
encerra toda esta “transformação” que
rogamos a Deus, e nos conduz ao verdadeiro ser humano, como “nova
criatura”. Penso assim (parafraseando): “Não
vim para servir, nem para ser servido, mas para ser instrumento
nas mãos de Deus”. Com isto deixo esta reflexão
na esperança de que nesta almejada transformação,
cada pessoa (e não “o” indivíduo) saiba
medir seu espaço; saiba quando e como servir e quando
e como deixar-se servir, pois a missão é de todos
nós, portanto, que Deus nos transforme em instrumentos
em Sua mão, para um mundo mais digno e humano.