P. Telmo Noé Emerich *
Não
causa surpresa, mas, sim, indignação, o fato de
aparecer na lista da CPI dos sanguessugas vários nomes
de parlamentares “evangélicos”. Não
causa surpresa, pois, infelizmente, várias pessoas que
se dizem evangélicas têm manchado esse santo nome
e não é de hoje. Mas causa indignação,
pois o nome ‘evangélico’ tem sido muito mal
utilizado. Quantas pessoas, mal informadas, colocam todos os
evangélicos no mesmo “saco”, como se todos
fossem iguais. Mas será que são mesmo evangélicos
alguns parlamentares “sanguessugas”? Alguns deles
podem até fazer parte de uma bancada evangélica
no congresso, mas daí a serem realmente evangélicos
vai uma longa distância. Quem faz mau uso do poder não
tem legitimidade para ser chamado de evangélico.
Quando a imprensa apura algum escândalo onde evangélicos
estão no meio, alguns crentes logo dizem: “Estão
perseguindo os evangélicos!” Mas isso não é verdade!
Não podemos cair nesse jogo. A verdade é para ser
dita! Devíamos é agradecer, pois os nossos olhos
foram abertos.
Para ser sincero, parte da culpa por haver maus evangélicos
na política é de lideranças de algumas igrejas
evangélicas. Elas apóiam a candidatura desse ou
daquele político que se diz evangélico, pois, como é dito,
e mal dito, por aí: “crente vota em crente”!
Não sou contra a participação ativa dos
evangélicos na política. Creio que todo cidadão
de bem que tem vocação para servir a nação
pode e deve se candidatar. Mas é inaceitável que
pessoas que se dizem ‘evangélicas’, além
de não ter vocação nenhuma para a política,
ainda fazem mau uso dela, em benefício próprio. É inaceitável
que qualquer igreja apóie esse ou aquele candidato esperando
receber alguma coisa em troca. Aliás, é inaceitável
qualquer tipo de apoio da igreja a algum candidato ou partido
político. O que a igreja pode e deve fazer é orientar
os fiéis para que pensem muito bem em quem votar, mas
nunca, indicar.
Como evangélicos, deveríamos refletir mais sobre
política. Não vamos permitir que ninguém “faça
a nossa cabeça”. Não caia no “crente
vota em crente”. O “crente” deve é votar
na pessoa que é mais capacitada para exercer a função,
independe se ela é ou não evangélica.