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As águas destruidoras de novembro
  Por Portal Luteranos - IECLB | Publicado  11/28/2008 | O que vai pelos Sínodos


Vários são os municípios, as cidades, vilas e áreas rurais, no Sínodo Norte Catarinense, atingidas pelas águas caóticas, de conseqüências trágicas na geografia norte catarinense. O ponto culminante do volume de chuva caída, depois de três meses de chuvas constantes, aconteceu no sábado passado, dia 22 de novembro. A realidade dos prejuízos e da catástrofe toda não se compara diante das dimensões dos estragos e da devastação ocorrida, com inúmeras mortes constatadas, no médio vale do rio Itajaí e também na foz daquele rio, na cidade de Itajaí e adjacências, área do Sínodo co-irmão Vale do Itajaí paciente da nossa especial solidariedade.

Na área do município de Joinville, é registrado um total de 6 mil pessoas desalojadas. A informação procede do Jornal "A Notícia", deste dia. Água, lama e deslizamentos ocorreram em várias áreas em torno de Joinville. Soterramentos com vítimas fatais não aconteceram no município de Joinville. Dados emitidos pela Prefeitura local estimam em 160 milhões de reais a soma dos prejuízos havidos. Na cidade de Joinville, foi instalada uma Central de Ajuda, na Expo-Centro Edmundo Doubrawa. As Paróquias da Comunidade Evangélica de Joinville estão mobilizadas, através dos seus setores de trabalho, OASE, Juventude Evangélica, o Departamento de Assistência Social da Comunidade, por exemplo, em parceria com órgãos públicos, com a Defesa Civil, para recolher os donativos, também das nossas Paróquias, e organizando a sua distribuição, tais como: alimentos, água, roupas, utensílios domésticos, etc.

As Paróquias, em volta de Joinville, foram contatadas e solicitadas a fazerem levantamentos do quadro da destruição, para que possam ser arroladas visando ao recebimento de auxílio financeiro, para a reconstrução de moradias e pertences, com os quais a Secretaria Geral da IECLB, a partir de auxílios também do exterior, acenou.

No sábado, dia 22 de novembro, o dia de pico do volume de chuva, a região central da cidade de Joinville, em larga escala, foi atingida, gerando enorme transtorno e prejuízos.

A maré baixa, no entanto, permitiu que ocorresse uma vazão rápida das águas acumuladas. Até o dia de hoje, permanecem águas estagnadas, em algumas áreas na periferia da cidade, por exemplo, no bairro da Vila Nova, mas em especial na região da Paróquia São Marcos da IECLB. Trata-se dos bairros do Morro do Meio, Jativoca, Nova Brasília, neste bairro ocorreu, ainda ontem, pela manhã um deslizamento levando a casa de uma moradora que pertence à Paróquia São Marcos. Existem cerca de 300 áreas de risco, na região de Joinville, sujeitas ao deslizamento de terra e pedras. Muitas são as obras emergenciais que exigem investimentos financeiros a curto prazo.

A situação continua difícil no Balneário de Itapoá, atendido pelo pastorado de Garuva, na divisa com o Paraná. No espaço de 10 dias, aquela cidade litorânea sofreu duas enxurradas violentas; na primeira, houve 400 famílias (casas) atingidas, no sábado, foram 600, ou mais, as propriedades inundadas.

Em Garuva aconteceu um deslizamento, soterrando uma pessoa que veio a falecer. Naquela área, a BR 101 foi interditada, aberta, ontem, em meia pista. A estrada para Itapoá, pelas informações recebidas foi desobstruída para o tráfego, no dia de ontem.

A cidade de Jaraguá do Sul, em especial, os bairros Barra do Rio Cerro e Ilha da Figueira, foi sobremodo atingida. Registraram-se ali 13 mortes, sendo nove soterradas, em conseqüência de um deslizamento que destruiu três casas, em área considerada de não-risco.

Na residência do Presidente do nosso Conselho Sinodal, que reside naquele bairro, havia 50 cm de água acumulada, no sábado passado.

Há pouco, o Pastor Anildo Wilbert informou sobre o espírito de solidariedade que se faz sentir e ver na comunidade local, assim como é marcante a mobilização da população não atingida ou em condições de oferecer ajuda de muitas formas. No Centro Comunitário da Barra do Rio Cerro está instalada uma central de auxílio e de arrecadação de donativos. Todo trabalho de ajuda está acontecendo em parceria com a Associação do Bairro, OASE local e com a Defesa Civil.

Com certeza, essas informações representam somente uma parcela de um mosaico de devastação, previsível ou não, que atingiu com violência a sociedade catarinense.

Concluo, lembrando que, no calendário litúrgico, nos aproximamos do tempo de Advento. A vivência da fé cristã a cada ano, sempre de novo, nos faz sublinhar que a esperança, dom de Deus, não falha! Deus, que se revela na teologia da Igreja cristã, não abandona o mundo por Ele criado e tão amado. Ainda que os caminhos humanos pareçam obstruídos, também por lama e águas barrentas com todas as conseqüências, a confiança liberta e faz apostar em Deus que abre portas e permite descortinar horizontes determinados por novidade e transformação.

Cristo, o Senhor, vem ao mundo não como Rei poderoso, mas se revela como Filho de Deus, só com Ele comprometido; é anunciado como Salvador e Bom Pastor, cheio de misericórdia, um "forno de amor".

Sentado no jumentinho, ele anima e conforta: vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração e achareis descanso para a vossa alma (Mateus 11, 28 e 29).

Pastor Sinodal Manfredo Siegle
Sínodo Norte Catarinense

Joinville, 27 de novembro de 2008