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Doutor
em Teologia pela Augustana Hochschule, na Alemanha, o pastor de olhar
sereno e muito comedido nas palavras deu uma entrevista na
manhã deste domingo (22), no programa Sínodo Em
Revista, na Rádio Antena 1, quando falou da
satisfação em dar continuidade ao trabalho na
Assessoria de Formação do Sínodo Vale
do Itajaí. Na entrevista, Emílio Voigt fala de
expectativas, experiências em novas tecnologias, ensino
à distância e alguns pontos sobre o Plano de
Ação Missionária.
Sínodo em Revista: Quais são as expectativas do trabalho no Vale do Itajaí?
Emílio Voigt:
Minhas expectativas são muitas e muito positivas. O
Sínodo tem uma longa história de investimento e
de trabalho na área da formação.
Há bastante material produzido e muitas atividades em
andamento. Há também a
convicção da importância desta
assessoria para o Sínodo. Isto certamente facilita o meu
trabalho. Por outro lado, toda esta bonita trajetória me
deixa um pouco temeroso e apreensivo. Espero poder dar continuidade ao
trabalho desenvolvido pelo pastor Paulo (Butzke) e corresponder
às expectativas do Sínodo.
SR:
A área de formação está
voltada ao trabalho de líderes na
edificação de comunidades e crescimento
espiritual. Estes continuarão sendo os objetivos?
EV:
Sim, os objetivos permanecem os mesmos.
Alterações significativas nos objetivos da
assessoria de formação deverão ser
discutidas e decididas nos fóruns competentes.
SR: Quais as novidades que poderão ser aplicadas nesta área?
EV:
Pretendo dar ênfase em cursos de
formação bíblica. Já temos
os Círculos Bíblicos sobre o Evangelho de Marcos,
produzidos pelo pastor Hugo (Westphal). Mas a idéia do
Sínodo é criar um curso panorâmico que
contemple toda a Bíblia ou boa parte dela. O desenvolvimento
deste curso será um desafio para os próximos
meses. No desenvolvimento de cursos vamos analisar a viabilidade de
parceria com a Faculdades EST e a possibilidade de realizar
ações de formação por meio
das novas tecnologias de informação e
comunicação.
SR:
A sua experiência com ensino à distância
nas Faculdades EST mostra uma tendência em
formação. Este conhecimento poderá ser
aplicado na formação de lideranças
comunitárias?
EV:
Ao longo da história, a Igreja utilizou diferentes
instrumentos para realizar missão e
formação. As primeiras comunidades não
apenas fizeram uso das possibilidades que tinham à
mão, como o envio de cartas. Elas também ocuparam
os vários espaços das cidades: ruas,
praças, teatros, etc. Também Lutero valeu-se da
invenção da imprensa para popularizar a
Bíblia, que ele havia traduzido ao alemão. Por
que não ocupar um novo espaço que está
surgindo com as novas tecnologias? Acredito que podemos utilizar os
novos recursos de comunicação e
informação para aproximar pessoas e realizar
formação cristã. Há muitas
possibilidades a serem exploradas, mas será preciso
verificar a viabilidade. E naturalmente não podemos
descuidar dos encontros, da partilha e da vivência concreta,
face a face.
SR:
Na sua opinião, o trabalho de
formação, a partir das estruturas sinodais,
mostra-se mais competente?
EV:
Acredito que sim, principalmente pela proximidade com as comunidades e
seus membros. Esta proximidade permite conhecer melhor o perfil,
verificar necessidades, traçar metas e avaliar o trabalho
realizado. O Sínodo Vale do Itajaí tem ainda a
vantagem de ser relativamente pequeno em termos geográficos.
Neste sentido, a estrutura sinodal é bastante
favorável. Mas também considero importante que
sejam discutidas e promovidas ações de
formação em nível mais amplo,
extra-sínodo. Fazemos parte da IECLB e podemos contribuir
com nossas experiências e aprender com as
experiências de outros sínodos.
SR: Quais as vantagens de se investir na área de formação?
EV:
Vivemos um contexto de crescente pluralismo religioso. Os membros das
nossas comunidades precisam ter conhecimento sólido sobre os
conteúdos da fé e da confissão. A
capacitação teológica e confessional
deixará nossos membros menos vulneráveis ao
proselitismo de outras igrejas. Mas o trabalho de
formação não persegue apenas este
objetivo e também não é um mero
repasse de conteúdos. Formação
é um chamado à reflexão e ao
testemunho. Este trabalho capacita pessoas para atuar na Igreja e na
sociedade, permitindo cumprir o mandamento de ser sal e luz para o
mundo.
SR:
Pensando no futuro da IECLB, e nas propostas do Pami, como podemos
visualizar esta área na construção do
futuro da Igreja?
EV:
A tarefa de educar na fé não é uma
invenção humana, mas mandamento que
provém do próprio Deus (Dt 6.6-7, Mt 28.19-20).
Investir na educação cristã
é, portanto, sinal de fidelidade a Deus. A
educação cristã é realizada
na família e na comunidade e deve acontecer ao longo de toda
a vida. No último Concílio Geral da IECLB, em
outubro de 2008, o Plano de Educação
Cristã Contínua foi debatido e aprovado como eixo
transversal do PAMI. Esta decisão do Concílio
evidencia a importância da formação
para o fortalecimento da IECLB e mostra que a Igreja está
sendo fiel ao mandamento divino. Se uma igreja quiser ter futuro,
deverá investir em formação no
presente. Para mim, essa é a mensagem que a
decisão conciliar nos transmite. Se toda a IECLB assumir
este compromisso agora, o futuro não deverá ser
motivo de preocupação.
SR: Para finalizar, deixe a sua mensagem ao Sínodo Vale do Itajaí.
EV:
Agradeço pelo voto de confiança depositado com a
minha eleição para este cargo e espero contribuir
para o crescimento do Sínodo e da IECLB.
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