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Humanidade precisa reinventar ciclo histórico
  Por Portal Luteranos - IECLB | Publicado  02/3/2010 | O que vai pelas Igrejas e Religiões


A possibilidade de salvação através da economia, aclamada pela modernidade, não se concretizou como imaginado, resultando em regressões de ordem moral e política, sentenciou o economista francês Dr. Patrick Viveret na palestra de abertura do Seminário Direito e Justiça, evento promovido pelo Fórum Mundial de Teologia e Libertação (FMTL) que, em 2010, está sendo acolhido pela Faculdades EST, em São Leopoldo, entre os dias 26 e 28 de janeiro.

O desafio que se coloca, pontuou Viveret, é criar um novo ciclo na história capaz de salvar o planeta dos efeitos nocivos da própria humanidade. “Se não houver a salvação da humanidade por ela mesma vão aparecer monstros como as guerras, o individualismo e o autoritarismo”, esclareceu o palestrante ao fazer menção à obra do cientista político italiano Antonio Gramsci.

Na avaliação de Viveret, a insustentabilidade do modelo de vida ocidental moderno do ponto de vista ecológico coloca a questão da salvação “na ordem do dia para a humanidade”. Todos os avanços técnicos, científicos e econômicos, pontuou, foram feitos à custa de graves atentados ao meio ambiente.

Em reação à palestra de Viveret, o diretor do Instituto Humanitas Unisinos (IHU), Dr. Inácio Neutzling, indicou que a única saída para a superação da crise econômica, evidenciada pelo fracasso da Conferência de Copenhague (COP-15), consiste na desaceleração econômica.

“Precisamos reposicionar o nosso modo de compreensão do mundo dentro de um modelo econômico alternativo”, disse Neutzling, ao enfatizar que a salvação pela economia tornou-se um projeto impossível.

Presente ao debate, o coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), Dr. Jung Mo Sung, afirmou que a sociedade poderá construir um mundo melhor, mas não totalmente novo.

“Um mundo radicalmente novo implica na superação da condição humana e na superação de certas condições existentes na sociedade de hoje e que sempre existirão, a exemplo da ambigüidade, da incapacidade de planificar as coisas ou então de calcular os efeitos de nossas ações”, esclareceu.
      
Ao pontuar contribuições da teologia luterana para a construção de um outro mundo possível, Mo Sung enfatizou que jamais devemos esquecer da condição humana da maldade. “O novo mundo pressupõe seres humanos que não produzam maldade, mas o ser humano que não produz maldade perde a condição de humano”.

Tendo em vista a existência deste paradoxo, o palestrante argumentou que a luta por um mundo totalmente livre do mal representa uma luta contra a liberdade, na medida em que seres livres sempre estarão suscetíveis ao erro. “Estamos condenados a esse cenário, mas ao mesmo tempo chamados a nos aperfeiçoar”, afirmou.

Reitor da Faculdades EST, o Prof. Dr. Oneide Bobsin saudou os participantes do FMTL agradecendo pela confiança da comissão organizadora que optou pela realização do encontro no Morro do Espelho. Ele também manifestou alegria pela fato do FMTL ocorrer dentro da programação do Fórum Social Mundial – 10 Anos Grande Porto Alegre, evento que avaliará os resultados desta primeira década de encontros mundiais.

Na abertura dos trabalhos, o Frei Luiz Caros Susin (PUC-RS) traçou um retrospecto da caminhada do FMTL, idealizado no ano de 2005.

O ciclo de palestras do FMTL contribuiu para a consolidação da temática Direito e Justiça através da reflexão em torno das correlações ente teologia, igreja e políticas públicas.

Jornalista Responsável: Micael Vier Behs