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Precisamos do fim para chegar
  Por Dr. Valério Guilherme Schaper | Publicado  11/29/2002 | Meditações , Morte

"No fim sempre dá certo.
Se não deu certo,
é porque ainda não chegou ao fim."

(Provérbio mineiro)

Quem, pensando em escalar um monte, fixa-se no pico, pode não chegar ao topo ou, subindo, pode esquecer cada momento da escalada. Desistir ou não aprender nada na subida podem significar o mesmo.

A verdade é que o cume, o fim, o topo do monte costuma nos paralisar. Pior, somos muitas vezes aterrorizados pelo fim, pelo cume. O cume, o topo, o fim nos fita como um sinal permanente de nossa incapacidade, de nossa fraqueza e possível derrota.

O Ano da Igreja encerra em novembro e reinicia em dezembro. O Ano da Igreja surgiu para nos ajudar a "peregrinar" ao longo de um período, meditando nos mistérios da revelação de Deus em Cristo, voltados para a nossa ação no mundo. O Ano da Igreja também tem um FIM! Nesse fim falamos das "coisas finais": morte, fim dos tempos, daquilo que é "último".

Paulo nos diz que nós e toda a criação esperamos pelo "fim", aguardando ansiosamente a "redenção para a liberdade da glória dos filhos de Deus" (Rm 8.20-21). Podemos nos comportar como se estivéssemos diante de um monte ou de uma longa jornada. Olhando para o cume ou o fim da jornada, podemos desistir ou chegar rapidamente ao final. Derrota ou pressa de pouco nos aproveita.

O fim, a partir de Cristo, tem outro sentido. Mais do que encerramento ou conclusão, ele indica um "alvo". Esse "alvo" não encerra, mas abre. Esse "alvo" descortina um "novo horizonte". Como diz o provérbio mineiro, é preciso desconfiar dos finais rápidos, pois, quem sabe, ainda não teremos chegado ao "fim". O fim de Deus é "alvo" e nesse "fim" certamente "tudo dará certo". O "fim-alvo" é fundamental. Sem alvo, meta é impossível chegar. Enquanto caminhamos para esse fim-alvo, é preciso considerar a própria caminhada. Na caminhada sonhamos com o cume, com o topo, com o fim, com o alvo. Antecipamos assim a alegria do final. Respiramos, como diria Drummond, o perfume da eternidade.

"As coisas que amamos,
as pessoas que amamos
são eternas até certo ponto.
Duram o infinito variável
No limite de nosso poder
De respirar a eternidade."

(Carlos Drummond de Andrade)


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