O domingo amanheceu
com céu encoberto e a chuva não tardou. Mesmo assim, membros das comunidades de
perto e longe do Sínodo Planalto Rio-Grandense foram chegando, em ônibus, em carros,
para o Dia Nacional da Igreja, em Panambi. Em torno de 800 pessoas juntaram-se aos
mais de 100 participantes do XXV Concílio da Igreja, realizado na cidade, de 12 a 15 de outubro. O culto de
abertura do Dia da Igreja foi, ao mesmo tempo, o culto de encerramento do
Concílio. Em conexão com o tema do evento máximo da IECLB – “Deus, em tua
graça, transforma o mundo” –, o culto, esteve sob o tema “Transforma a nossa
Igreja para que ela sirva no mundo”.
O pastor Dr. Rolf Schünemann, até então pastor segundo vice-presidente da
IECLB, oficiou a investidura da nova Presidência da Igreja e do Concílio, em
eleição realizada na tarde de sábado. Para a Presidência da Igreja, o
Concílio reelegeu o P. Dr. Walter Altmann como pastor presidente; para pastor
primeiro vice-presidente foi reeleito o P. Homero Severo Pinto; e para o cargo
de pastor segundo vice-presidente foi eleito o P. Carlos Augusto Möller. Iris
Helena Pedrotti é a nova presidente do Concílio e Nivaldo Kiister, vice-presidente.
No ato de investidura, o pastor Rolf
Schünemann teve como assistentes a diácona Dra. Sissi Georg e o pastor Werner
Brunken. Coube ao pastor presidente Altmann dar a prédica.

A Presidência sendo investida
(da dir.: Carlos Möller, Walter Altmann, Homero Pinto e Íris Pedrotti)

da dir.: Werner Brunken, Rolf Schünemann, Sissi Georg

A grande comunidade do dia da Igreja participou do ato da bênção
Uma liturgia rica em
música e canto – animada pela Comissão de Liturgia do Concílio – levou o
público a cantar com vigor e entusiasmo os muitos e significativos hinos. Entre
eles, “Quando o povo se reúne para Deus juntos louvar, não se fecha em si
mesmo, não esquece de amar”, e “Vem, Espírito Santo, vem atende o nosso
chamado, nos ensina a ser teu povo, na esperança libertado”.
O símbolo do Concílio, a borboleta azul, também migrou para
o Dia da Igreja. Foi uma homenagem à cidade de Panambi, que em linguagem
indígena significa “Vale das borboletas azuis”.
A Santa Ceia foi
distribuída em 20 mesas, por dois obreiros ou obreiras.
PRÉDICA - Marcos 9.50 foi uma
das passagens bíblicas-chave da mensagem: “Tenham sal em vocês mesmos e vivam
em paz uns com os outros.” Houve também referência comparativa a Mateus 5.13:
“Vocês são o sal para a humanidade.”
O pastor presidente iniciou
lembrando, com alegria, que tem raízes na região do atual Sínodo Planalto
Rio-Grandense, pois exerceu seu primeiro pastorado em Ijuí, onde foi ordenado (em
1973), época em que também participou do VII Concílio da IECLB, igualmente
realizado em Panambi (1972), concílio este que aprovou o documento norteador
para a vida nas comunidades “Nossa Fé
– Nossa Vida” e o programa de acompanhamento de membros migrantes para
as então chamadas “novas áreas de colonização”.
Quanto ao ser “sal da terra” ou
“sal para a humanidade”, referiu-se à função do sal de dar sabor aos alimentos
ao neles se diluir, de modo a que passa a ser desapercebido, a não ser que haja
falta ou excesso de sal na comida. Na medida certa, não é o sal que é elogiado,
mas a boa comida preparada. Assim, segundo ele, também importa que as pessoas
cristãs estejam diluídas na sociedade como sal e tempero, que dêem testemunho
por suas atitudes e palavras no momento certo e na proporção adequada que a
sociedade precisa para o bem-estar e a vida digna de todas as pessoas.

Pastor presidente Altmann: importa que as pessoas cristãs
estejam diluídas na sociedade como sal e tempero
Também os conciliares e os
membros de comunidade que acorreram ao Dia da Igreja foram conclamados, ao
regressarem a suas comunidades na região e no país, a levar as decisões do
Concílio e a experiência da comunhão no Dia da Igreja como tempero e sabor que
animará e fortalecerá a vida nas comunidades, nos sínodos e na igreja toda.
Ao lembrar da palavra de Jesus “tende sal em vós mesmos, e paz uns com os
outros” (Marcos 9.50), Altmann disse que termos sal em nós mesmos
é a condição para sermos sal para a humanidade. Ou seja: nós mesmos devemos ser
transformados para podermos agir em fidelidade a Deus, servindo ao próximo. O
sal em nós nada mais é do que aquela dignidade mais profunda que nos é
concedida por Deus. Essa misericórdia de Deus, transmitida por sua palavra, nos
concede fé, esperança e amor. Em última análise trata-se do próprio Cristo no
coração como o verdadeiro sal, diluído na comunhão universal de irmãos e irmãs,
ensinou o pregador.
(Texto e fotos: Ingelore S. Koch)