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A História da Reforma em Versos


Prestem bem atenção

Na história que eu vou contar.

Aconteceu há muitos anos atrás,

Num distante lugar.

 

            Que todos possam entender,

            Isso é o que eu espero.

            Esta história fala de um monge

            Chamado Martim Lutero.

 


Era um homem de vida devota

E também muito  sincero.

Quando saiu do seminário

Queria cumprir bem seu ministério.

 

            Isso aconteceu

            Lá pelo século dezesseis.

            A Igreja não estava mais

            Como na época que Deus a fez.

 

Sempre cobrava dinheiro

Pra perdoar os fiéis,

Que sem pensarem duas vezes,

Davam até valiosos anéis.

 

Não precisava ser dinheiro

Podia ser qualquer outro bem,

Desde que eles entregassem,

Diziam logo:”amém”.

 

A coisa acontecia assim:

Quem tinha seus pecados

Queria ser perdoado.

Para isso dava alguns trocados.

 

De acordo com o pecado,

Pequenino ou grandão,

O fiel era obrigado

A pagar uma porção.

 

A Igreja ensinava

Que pecador era réu.

Só pagando indulgência

Conseguia um lugar no céu.

 

 

            Indulgência, era a venda de perdão.

            Perdão para pecador.

            Coisa que só quem pode fazer

            É Jesus Cristo, Nosso Senhor.



Mas a Igreja não pensava assim.

Vendia a tal indulgência,

Pois naquele tempo ela vivia

Debaixo da sua influência.

 

 

O povo em tudo acreditava.

Era cheio de superstição.

Mas era um povo que acreditava

Sinceramente na salvação.

 

 

A igreja então ensinava:

“Guardai-vos da cólera dos santos.

São todos cheios de amor,

Mas, ai de quem é pecador!”

 

“Os que não os cultuam devidamente

Recebem graves doenças.

Pior ainda é ter com eles

Algumas desavenças.”

 

Ficavam todos com medo

Da grande ira celeste.

Quem era devoto,

Não escaparia a uma peste.

 

Não era bom também

Deixar os outros santos esquecidos.

Recorrendo a um só santo,

Os outros ficariam ofendidos.

 

O povo era formado de pessoas

Que, além de ignorantes,

Acreditando em tudo,

Eram também pessoas errantes.

 

Era uma humanidade

Em tudo pecadora.
Para evitar o castigo divino

Só uma solução redentora.

 

O povo tinha que se sacrificar

Pra obter a salvação.

Era preciso fazer

Procissão de mortificação.

 

Quem quisesse salvação

Comprava relíquia de santo.

Podia ser um espinho da coroa de Cristo

Ou até mesmo um sagrado manto.

 

Também recebia o povo

Um outro ensinamento:

“Quem quisesse salvação

Podia comprar um sacramento”.

 

Mas, muito grave mesmo

Era a venda de indulgência,

Que o povo comprava,

Demonstrando pouca inteligência.

 

Tudo isso os padres

Ao povo ensinavam.

Como ninguém desacreditava,

Cada vez mais eles enricavam.

 

            Mas isso não era coisa

            Pra continuar muito tempo não,

            Alguém tinha que surgir

            Pra mudar tal situação.

 

Esse alguém era um monge,

Cujo nome era Lutero.

Era homem de fé, de devoção

E também bastante austero.

 

Era um jovem alemão, formado em artes

E filosofia também já tinha feito.

E já se preparava para entrar

Na Escola de Direito.

 

Mas, algo iria ocorrer

A esse jovem alemão,

Para mudar da idéia

E receber outra vocação.

 

Num dia de viagem, e grande tempestade,

Ia ele para um lugar muito longe.

Com medo da ira celeste e da morte, grita:

“Sant’Ana, socorrei-me! Eu me farei um monge!”

 

Seu pai não gostou muito.

Queria seu filho de outra maneira.
Para ele a vida de padre

Não era uma boa carreira

 

Mas Lutero insistiu

Foi para o mosteiro dos agostinianos.

E por lá permaneceu

Durante muitos anos.

 

 

 

Para ele tudo aconteceu

Durante aquela tempestade.

Era  preciso fazer, então,

O que Deus fazia vontade.

 

A 2 de maio de 1507

Sua primeira missa era rezada.

Contra a vontade do pai

Sua  vocação estava consagrada.

 

Lutero enfrentou graves crises.

Mas em tudo manteve obediência.

Quando a coisa estava muito feia,

Fazia vigília e penitência.

 

De corpo e alma passou a estudar.

Já era formado em filosofia.

Logo não tardou também

A ser bacharel em teologia.

 

Finalmente, já um monge respeitado

A Roma ele foi enviado

Para tratar de um problema

Que precisava ser solucionado.

 

Roma não era mais cidade dos mártires,

Aquela cidade antes espirituosa.

Os papas que a ela governavam

Não davam valor à fé religiosa.

 

Títulos de bispo compravam

Os senhores da nobreza.

A Igreja foi ficando cheia

De homens de grande riqueza.

 

Lá, nos lugares santos,

Onde se fazia peregrinação

E até mesmo nas igrejas,

Mulheres faziam prostituição.

 

Todo esse panorama

De decadência espiritual

Encheu Lutero de angústia.

Em Roma faltava muita moral.

 

Lutero volta à Alemanha

Completamente  desiludido,

Pois a corrupção

Havia conhecido

 

 

 

Lutero era admirado

Por sua dedicação religiosa.

Era homem devoto

E de fé muito ardorosa.

 

Lutero se indignou

Contra essa desmoralização.

Resolveu lutar para mudar

Uma tal situação.

 

Para ele, quem comprava indulgência,

Comprava uma falsa segurança.

Dinheiro não resolvia nada.

Só Deus era digno de confiança.

 

Para ele, o Evangelho

Era o tesouro do cristão.

E nele não se falava

Sobre venda de perdão.

 

Lutero escreve 95 afirmações

Condenando a tal situação.

Estava ele, então, criando

Uma grande rebelião.

 

As 95 afirmações ele coloca

Bem na porta da igreja,

Para que o povo possa ver

O que Deus realmente deseja.

 

Sem que ninguém soubesse

Nascia naquele instante

Uma coisa que ficou conhecida

Como Reforma Protestante.

 

            Em pouco tempo as 95 afirmações

            Já não eram mais mistério.

            Já estavam conhecidas

            Em todos os principados do Império.

 

Martim Lutero, então,

A Roma foi chamado.

Começava ele a ser

Um homem ameaçado.

 

            A Igreja queria

            Que ele voltasse atrás.

            E sobre aquele assunto

            Não voltasse  a falar mais.

 

 

 

Lutero só fez, então,

Firmar sua posição.

Não voltava atrás

A sua condenação.

 

           

Com essa decisão

            As brigas continuaram.

            E muitos doutores

            A doutrina de Lutero condenaram.

 

Lutero era, assim,

Um homem ameaçado.

Não demoraria muito

Para ser excomungado.

 

            Na fogueira ele joga

            Carta contendo decreto papal.

            Para ele, aquilo continha

            Nenhum valor espiritual.

 

O papa considerou isto

Uma grande ingratidão.

Tratou de lhe dar logo

A sua excomunhão.

 

            No começo de 1521,

            Lutero seria, então julgado.

            Mas o grande monge, porém,

            Não se mostra amedrontado.

 

No julgamento, respondeu:

“Dizer que eu não disse eu não quero,

Porque agindo assim

Comigo não sou sincero.”

 

            Com essa decisão,

Lutero foi banido.

            Sua vida passou, então,

            A correr grande perigo.

 

Já que vivia escondido,

Ele aproveita a situação

Para escrever sobre Salmos,

Missa, confissão e excomunhão.

Aproveita ainda para da Bíblia

Fazer a tradução.

 

            Lutero passa a ser

            Um grande chefe espiritual.

            Muitos homens passam a segui-lo

            Para lutarem contra o mal.

 

Em 1522, explode uma revolta.

Contra a Igreja era a luta,

Muita gente já havia

Se metido nessa disputa.

 

Muita gente estava contra

As riquezas que a igreja acumulava.

Sabiam que aquilo não era certo

E que Deus não concordava.

 

Martim Lutero passa

A viver uma nova vida.

Resolve também casar

Com uma freira convertida.

 

Na Alemanha, outra revolta explode.

Agora são os trabalhadores do campo.

Que a Lutero resolveram dar

O seu apoio amplo.

 

Os trabalhadores do campo viviam

Numa terrível situação:

Trabalhavam muito, mas o salário era:

Fome, miséria e opressão.

 

Os camponeses estavam contra

A exploração dos seus patrões,

Que lhes roubavam tanto

Como verdadeiros ladrões.

 

Lutero ficou indeciso.

Não sabia a quem ajudar.

Resolveu, então, do lado

Dos patrões ficar.

 

Os camponeses dedicavam

A Lutero um gande amor.

Depois disso passaram a chamá-lo

De um grande traidor.

 

Os camponeses foram todos

Atacados e massacrados.

Os que não eram mortos,

Pra prisão eram levados.

 

Em 1529, houve outra rebelião,

Não de trabalhador.

Depois do massacre, os que sobraram,

Calaram de temor.

 

 

Esta outra rebelião

Foi um grande manifesto.

Pra mudar uma situação,

Só um grande protesto.

 

Foi assim que surgiu,

De um protesto como não se viu antes,

A nossa denominação,

Conhecida como protestantes.

 

Surgiram outros grandes líderes,

Como Zwinglio e Calvino.

Todos acreditando

Estarem servindo ao Deus divino.

 

Muitos não se entendiam.

Então, houve divisão.

Porque todos queriam mostrar

Como se alcança a salvação.

 

Com isso surgiram

Diferentes denominações.

Todas pregando o Evangelho

Em diferentes regiões.

 

Lutero continuava ainda

Lutando contra o papado.

Estava mais fortalecido

Com todo o povo a seu lado.

 

Em 18 de fevereiro de 1546

Martim Lutero iria morrer.

Mas estava calmo e tranqüilo,

Pois cumpriu o seu dever.

 

Antes dele morrer

Perguntaram se desejava

Morrer em Cristo e

Em tudo que ensinava.

 

Não houve vacilo algum.

“Sim”, respondeu ele.

Foi sua última palavra,

Mas muito se falaria dele.

 

Hoje a coisa mudou.

Vivemos em outra situação

A Igreja Católica já  reconhece

O valor daquela revolução.

 

 

 

Também reconhece

Que o monge Martim Lutero,

Naquele tempo agiu

Como homem muito  sincero.

 

Que Deus faça ainda

Outra grande transformação

Para que a Igreja possa

Levar o homem à salvação.

 

Tudo que aqui foi contado

Devemos guardar na memória.

Nós que somos protestantes.

Esta é a nossa história.




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