Jochen Klepper (1903-1942)

Obra e Biografia

29/06/2012

Klepper, Jochen (1903-1942) HPD nº 03 e 23

Nasceu: dia 22 de março de 1903 em Beuthen na Silésia,
Suicidou-se, junto com a esposa e a filha, em 11 de dezembro de 1942

“Não quero ser nada mais do que um poeta protestante”, assim Jochen Klepper, filho de pastor, definiu seu destino. Ele chegou a ser conhecido através do seu romance “Der Vater” (1937) que trata do rei Frederico Guilherme I da Prússia.

Em 1938 escreveu também um livrinho com poesias, intitulado “Kyrie”, isto é “Senhor, tem compaixão!” Cada estrofe dos hinos neste livro é como um extrato da Bíblia Sagrada, seja que fale do Advento de Deus, do Ano Bom, do Sacramento, seja que trate das histórias do Antigo Testamento ou dos Salmos. E a linguagem deste poeta moderno é bem simples, assim que cada cristão pode compreender e acompanhar as orações deste seu irmão perseguido.

Grandiosos são os hinos sobre Pentecostes, e despretensiosa é a oração para o Meio-Dia “O sol subiu ao zênite”. Um outro hino finaliza: “A culpa – Deus a venceu. Em vez de lamentar – louvai!” Muitas de suas poesias religiosas desta coleção tornaram se hinos que se encontram em hinários de ambas as confissões, como por exemplo “Die Nacht ist vorgedrungen1 = A noite está findando (HPD nº 3), um hino para época de Advento, baseado em Romanos 13,11-14, com melodia de Johannes Petzold (1939) e Meu Deus, teu festival de luz (HPD nº 23) com melodia de Hans Günther Naumann.

Klepper, apesar de ser cristão convicto, não tendo ainda alcançado a idade de 40 anos, suicidou-se junto com a esposa e a filha. As minuciosas anotações do seu Diário foram editadas (em 1956) sob o título “Sob a sombra de tuas asas”; elas representam um documento histórico-eclesiástico da época sob o governo nazista na Alemanha.

Jochen Klepper era uma criança doentia, sensível e com dom artístico. Até a idade de 14 anos o próprio pai lhe deu toda a instrução. Ao freqüentar o ginásio ele fez as primeiras tentativas líricas.

Em Erlangen e Breslau ele estudou teologia. Sendo magro, individualista, amante de artes, usando sempre trajes elegantes, os colegas de estudos às vezes o cognominaram de “bicho magrelo estético”. A vida austera no Internato contrastava muito do mundo das artes. Para livrar-se do conflito, ele decidiu-se pelas artes. Pouco antes do exame final ele interrompe os estudos de teologia, e encontra um emprego na Associação Evangélica de Imprensa em Breslau, onde se tornou um dos pioneiros do trabalho radiofônico evangélico.

Em 1931 ele casou com Johanna Stein, uma viuva, 13 anos mais velha do que ele, de origem judaica, mãe de duas filhas. Essa união significava para ele “o salvamento no naufrágio”, como ele diz mais tarde, lembrando os anos críticos de sua vida. Ele muda para Berlim, onde espera encontrar emprego. Apesar da crescente influência do Partido Nacional-socialista, o jornalista e escritor talentoso foi empregado numa emissora de rádio.

O matrimônio se tornou a grande felicidade de Klepper, apesar de não conseguir ter filhos. A esposa junto com a filha Renate aceitaram o batismo cristão. Apesar disso não se sentem seguras diante das sangrentas leis anti-semitas dos Nazistas. Klepper recebe a recomendação de se separar de sua esposa. Mas ele não obedece. Conseqüência: em 1933 perde seu emprego e o direito de publicação.

No início da Segunda Guerra Mundial ele presta serviço militar. Mas devido seu matrimônio é declarado “indigno para servir”, e após 10 meses é despedido. Brigitte, a filha primogênita da esposa havia emigrada para Inglaterra em 1939. Renate, a mais nova, é obrigada a servir numa fábrica de armamentos.

Klepper, não tendo a natureza de lutar, retira-se para o idílio de seu lar. Com convicção celebra as datas festivas do calendário litúrgico. No estudo da Bíblia e no diálogo com seu Diário ele procura amparo no meio da catástrofe que se aproximava, e da qual não queria fugir nem por resistência nem por emigração.

Em 10 de dezembro de 1942, Adolf Eichmann, líder do ministério de segurança, pessoalmente negou a emigração da filha Renate. No dia seguinte (11-12-1942), temendo um desquite obrigatório (forçado) da Hanni e em seguida a deportação, a família fugiu da insuportável opressão do regime para a morte, cometendo suicídio por gás.

Klepper escreveu no último dia: “Morreremos – também isto confiamos a Deus. Esta noite, todos juntos, poremos fim a nossa vida. Nas últimas horas vemos sobre nós o Cristo – abençoando, lutando por nós. Com essa visão encerra-se a nossa vida. Deus é maior do que o nosso coração – essa palavra nos acompanhará na morte.”

Fonte: Karin Vorländer em O CAMINHO – Suplemento Alemão – Ano XIX – Nº 1 e 2 – Janeiro e Fevereiro de 2003
e: P. Jahn “Só vinte anos atrás”, em “Seleções Evangélicas 1963” , Editora Sinodal, São Leopoldo.

Nota: 1 veja também “Die Nacht ist vorgedrungen” de Athina Lexut, em “Lebendiger Glaube, Liedpredigten zu neuen und alten Liedern” editado por Friedrich Wintzer e Henning Schröer, Göttingen, 1997


 


Autor(a): Leonhard Creutzberg
Âmbito: IECLB
Natureza do Texto: Música
Perfil do Texto: Autor Letra
ID: 15593
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