Língua madiha (kulina) ganha gramática

02/11/2004

O povo Kulina já tem registro lingüístico em gramática. A obra do teólogo Frank Tiss, um alemão que desenvolve pastorado de convivência entre esse povo indígena da Amazônia, foi lançada pelo Conselho de Missão entre Índios (Comin) no Concílio da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), realizado nos dias 13 a 17 de outubro, em São Leopoldo (RS). O Comin é um dos programas apoiados pela Fundação Luterana de Diaconia.

A gramática tem por objetivo desvendar a complexidade do idioma Kulina e para que os próprios índios percebam e valorizem as riquezas contidas em sua linguagem.

O branco tem a visão de que a língua indígena é primitiva, e os índios acabam assumindo esse preconceito, relatou Frank Tiss. O que essa gramática pretende, sublinhou, é propor uma escrita em concordância com o sistema fonológico desse povo, mantendo viva e catalogando a língua Kulina. 

Frank conta que a idéia de elaborar a gramática Kulina surgiu primeiramente como um instrumento de auxílio ao seu trabalho missionário junto aos índios. A gramática tem três públicos-alvo, explica, que seriam todos aqueles que pretendem manter contato com o povo Kulina, o próprio povoado, e a comunidade científica, que pouco conhece a respeito.

O povo Kulina tem seu habitat tradicional nas planícies dos rios Juruá e Acuraua, ambos afluentes do Solimões, na Amazônia. O município mais próximo da área indígena é Eirunepé, que conta com uma população de 25 mil habitantes, e está a 1.200 km ao sul de Manaus, capital do estado do Amazonas.

É na sede do município de Eirunepé que Frank vive com a esposa, a médica alemã Christiane Tiss, e os dois filhos, Tilman, de 5 anos, e Luise, de 2. 

Christiane desenvolve trabalho na área da saúde junto ao povo Kulina. Ela relata que desde os 11 anos já tinha o enorme desejo de ser médica e trabalhar em algum país em desenvolvimento. Nunca me agradou a idéia de trabalhar com as doenças da civilização, junto daqueles que ficam doentes porque comem demais ou se exercitam de menos, contou. O que eu sempre sonhei foi prestar auxílio àqueles que morrem por falta de alimento, completou.

Christiane e Frank contam que todo trajeto percorrido de Eirunepé até as aldeias é realizado através de uma embarcação, conhecida na região como batelão. As viagens duram em média três a quatro dias e a permanência do casal nas aldeias pode durar até uma semana. Tilman e Luise acompanham os pais em todo o trabalho realizado junto aos índios, e inclusive já pronunciam algumas palavras no idioma Kulina.

A médica sente falta da companhia de um grupo de músicos em Eirunepé que pudessem acompanhá-la no violoncelo. Mesmo assim, gosto do ritmo de vida menos agitado que temos na Amazônia, do calor que faz por lá, e inclusive da umidade relativa do ar, que gira em torno dos 90% na região, anotou. 

Um dos trabalhos mais significativos do casal junto ao povo Kulina, empreendido em parceria com a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), consiste na instalação de filtros comunitários, que funcionam à base de areia e proporcionam água potável à população. Os filtros podem ser instalados e mantidos pelos próprios índios, e esse é o grande mérito do projeto, relatam.

Essa filtração lenta à base de areia é um método antigo, conhecido há mais de um século, e que funciona bem e custa pouco, sublinhou Christiane. O objetivo do projeto é reduzir o número de mortes por doenças de veiculação hídrica, como a diarréia e a verminose, que ainda afligem as aldeias Kulina.

Os esforços missionários de Frank no Amazonas pretendem fortalecer a autonomia desse povoado indígena, discriminado pelo homem branco, assim que os Kulina possam vir a ser protagonistas da sua história. O que eu proponho é um diálogo inter-religioso com os índios, oferecendo-lhes condições de discernirem por quem eles querem ou não querem ser influenciados, explica. 

Os Kulina acreditam num paraíso, uma terra sem dores, sem males e sem a presença do homem branco. Frank, Christiane a as duas crianças estiveram em São Leopoldo (RS), para o encontro de obreiros enviados pela Igreja Evangélica da Alemanha com o conselheiro-mor da denominação, pastor Peter Weigand. A reunião foi realizada em São Leopoldo, logo após o Concílio da IECLB. (Fonte: Micael Vier B., ALC Notícias)

Para mais informações sobre a gramática, entrar em contato com comin@est.com.br

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