22/06/2007

Luteranos, reformados, unidos, evangélicos: Quem são eles?

 

Igrejas Luteranas e Reformadas

 

As igrejas luteranas e reformadas são herdeiras da Reforma da Igreja Cristã do século 16 na Europa. Uma corrente desse movimento foi liderada pelo alemão Martim Lutero (1843-1546), da cidade de Wittenberg, Alemanha. Desta corrente surgiram as igrejas luteranas. Outra corrente foi liderada pelo suíço Ulrico Zwínglio (1484-1531) na cidade de Zurique, na Suíça de fala alemã. Uma terceira corrente, sob a liderança do francês João Calvino (1509-1564), surgiu na cidade de Genebra, na Suíça de fala francesa.

 

Não faltaram tentativas de unir as diversas correntes da Reforma. Lutero e Zwínglio não conseguiram superar suas divergências na compreensão da Santa Ceia. Mas, em 1549, uniram-se as reformas de Zurique e de Genebra. Nisso as igrejas reformadas têm a sua origem. O nome quer dizer que são igrejas renovadas (reformadas) de acordo com o evangelho. Seguem a orientação de Calvino. Por isso, são chamadas, às vezes, de igrejas calvinistas. Em países de fala inglesa chamam-se, geralmente, de igre­jas presbiterianas.

 

Consensos

 

Luteranos e reformados têm muito em comum. Concordam em questões essenciais da fé cristã.

Ambos têm o mesmo ponto de partida: o reencontro com o evangelho. Tem o mesmo objetivo: a renovação da igreja. Recorrem em todas as questões à Sagrada Escritura como autoridade máxima na igreja. Ela testemunha Jesus Cristo como o único Senhor de tudo (Efésios l .22), fundamento e cabeça da igreja. Por sua causa somos salvos unicamente mediante a fé.

 

Diferenças

 

Há uma série de diferenças entre os líderes das Reformas: de personalidade, de pensamento, de língua, de educação e formação, de lugar, de condições sócio-políticas e culturais. Articulavam a Reforma de maneiras diferentes. Surgiram igrejas separadas.

 

Igrejas luteranas formaram-se, na época da Reforma, muitas vezes em estreita ligação com autoridades civis. Igrejas reforma­das normalmente eram igrejas minoritárias, freqüentemente perseguidas pelas autori­dades civis.

Templos luteranos têm altar, crucifixo, cruzes, velas, imagens, decorações, órgãos ou harmônios. Templos reformados não têm nada disso: são prédios bem simples.

 

No culto, Lutero preservou da missa tradicional todas as partes da liturgia que expressam com clareza a mensagem do evan­gelho. Os reformados romperam completamente com a missa tradicional. Seu culto concentra-se na prédica, no canto de Salmos rimados e de hinos bíblicos e em orações.

 

Luteranos e reformados tem versões di­ferentes dos Dez Mandamentos. Os reformados têm a proibição das imagens do Êxodo 20.4 como 2° mandamento. Conseqüentemente tem uma contagem diferente dos mandamentos seguintes e um final di­ferente.

 

As igrejas luteranas têm em comum a Confissão de Augsburgo, de 1530, como sua confissão de fé básica. Reúnem seus escritos confessionais no Livro de Concórdia, de 1580. As igrejas reformadas elaboraram várias confissões de fé. Não possuem uma coleção normativa de escritos confessionais.

 

Quanto à vida cristã, os reformados eram mais exigentes do que os luteranos. Praticavam a disciplina eclesiástica com grande rigor. Também os luteranos orientavam as pessoas cristãs para uma vida agradável a Deus (l Tessalonicenses 2.12), mas não agiram com o mesmo rigor dos reformados.

 

Entre luteranos e reformados há também diferenças doutrinárias. Uma das principais refere-se à compreensão da Santa Ceia. Os luteranos afirmavam que, junto com o pão e o vinho, Cristo está verdadeiramente presente na Ceia. Os reformados ensinavam que na Ceia os fiéis realmente participam do corpo e sangue de Cristo pela obra do Espírito Santo.

 

Os luteranos entendem a Igreja como a congregação de todos os crentes” em torno do evangelho e dos sacramentos. Pregar e administrar os sacramentos são incumbências do ministério eclesiástico. Para os reformados, a igreja é a comunhão das pessoas escolhidas por Deus para a salvação. Eles conhecem três ministérios: pastores, presbíteros e diáconos. Entre os reformados, a doutrina da eleição divina ocupa lugar de destaque; ser cristão significa ser eleito (escolhido) por Deus para a salvação. Os luteranos destacam a doutrina da justificação: ser cristão significa ser justificado pela graça de Deus mediante a fé.

 

Igrejas Unidas

 

Elas têm sua origem na Alemanha do século 19. Surgiram, desde 1817, por iniciativa de autoridades civis, que, naquele tempo, governavam também as igrejas de seus respectivos territórios. Em quase todas as Igrejas Unidas, cabe às comunidades definirem-se como luteranas ou reformadas. Na mesma igreja convivem comunidades luteranas e reformadas.

 

Igrejas Evangélicas

 

Pessoas cristãs que não pertencem à Igreja Católica Romana costumar ser chamadas de evangélicas, porque colocam o evangelho no centro de sua fé e vida. Em tempos mais recentes predominam, no Bra­sil, dois outros significados da palavra evangélico. Evangélicas são as igrejas de orientação evangelical. Ou evangélicos são os membros de igrejas pentecostais ou neopentecostais, como a Assembléia de Deus, a Igreja Universal do Reino de Deus e muitas outras. A bancada dos evangélicos no Congresso Nacional é formada por membros de tais igrejas.

 

Novo consenso

 

O século 20 foi o século do ecumenismo. As igrejas aproximaram-se umas das outras. Começaram a superar suas antigas diferenças. Procuram a unidade em Cristo. Em 1973, em Leuenberg, perto de Basiléia, na Suíça, igrejas européias de diferentes confissões chegaram a um acordo doutrinário, a Concórdia de Leuenberg. Nela apresentam sua compreensão comum do evangelho. Revogam diversas condenações mútuas do passado. Estabelecem a comunhão eclesiástica entre si: reconhecem-se mutuamente como igrejas no sentido pleno da palavra e tem comunhão na pregação do evangelho e nos sacramentos. Mais de 100 igrejas da Europa assinaram a Concórdia: igrejas luteranas, reformadas, unidas e metodistas, além das Igrejas Hussita, Valdense e dos Irmãos Boêmios, que tem sua origem já antes do século 16. Entre as igrejas signatárias encontram-se cinco igre­jas da América do Sul. Continua havendo diferenças entre as igrejas, mas são diferenças reconciliadas. É um passo importante para a unidade de todas as igrejas cristãs.

 

Pastor Joachim H. Fischer - pastor aposentado da IECLB

 

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Informações


Autor(a): Joachim Fischer
Âmbito: IECLB
Natureza do Texto: Artigo
ID: 6788


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