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cultos
 

Para iniciar, é importante definir o que seja "culto". Sinteticamente, culto é "o encontro da comunidade com Deus". Esse encontro só é possível porque Deus permite e reúne a comunidade. Não é a comunidade que convoca, mas Deus se coloca à disposição (Mt 18.20) e foi Ele que ordenou que esse encontro acontecesse (1 Co 11.24 e 25). Deus ordena e vem ao encontro da comunidade no culto. Não só o/a pastor/a, mas também comunidade toda é responsável para que seja um bom encontro com Deus. O/A pastor/a ajudam a comunidade a celebrar o culto, a celebrar o encontro com Deus. A liturgia é justamente o "conjunto de elementos e formas através dos quais se realiza esse encontro" (Nossa liturgia: das origens até hoje. Fascículo 1).

A Confissão de Augsburgo, texto base da confessionalidade luterana, diz em seu Artigo VII que não é "(...) necessário que as tradições humanas ou os ritos e cerimônias instituídos pelos homens sejam semelhantes em toda a parte". Portanto, não é a afirmação rígida de uma mesma forma de culto que garante a unidade da igreja. Para isto, afirma o mesmo artigo, "(...) basta que haja acordo quanto à doutrina do evangelho e à administração dos sacramentos".

Esse elemento da confessionalidade luterana permitiu, ao longo dos séculos, liberdade e criatividade nas formas litúrgicas na família luterana. Assim, as igrejas luteranas dos estados territoriais da Alemanha desenvolveram suas formas litúrgicas sem se preocupar em ter uma proposta comum. O caso do luteranismo brasileiro tem uma história peculiar, pois as comunidades de origem alemã foram adotando as tradições litúrgicas das igrejas de origem dos pastores que foram vindo para o Brasil. Em grande parte, as comunidades adotaram a Agenda Litúrgica da Igreja Evangélica na Prússia, que já era uma igreja resultante da fusão de protestantes de origem reforma e luterana. Também a veste litúrgica (Veste Talar) em uso na Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) é uma herança da Igreja Evangélica na Prússia. Outras comunidades adotaram a Agenda Litúrgica da Igreja Evangélico-Luterana na Baviera. As comunidades do Espírito Santo adaptaram da Agenda Litúrgica para as Comunidades Evangélico-Luteranas seu modelo litúrgico.

Não obstante essas formas litúrgicas que, mais que história, representam uma herança e uma tradição, a IECLB vem buscando traduzir essa herança e tradição em propostas litúrgicas mais atuais, mais contextuais e, ao mesmo, alicerçadas na herança comum do cristianismo. Duas preocupações norteam as novas propostas: manter a abertura ecumência para que novas formas litúrgicas não signifiquem mais enclausuramento confessional e manter a liberdade criativa das comunidades a fim de que preservem sua autonomia litúrgica e contextualidade.

 

  a ordem do culto no brasil

A Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) aprovou no XXII Concílio da Igreja, em outubro de 2000, em Chapada dos Guimarães, MT, a seguinte ordem de culto:

liturgia de abertura

  • Sino - Prelúdio
  • Acolhida
  • Cântico de entrada
  • Saudação (apostólica ou trinitária)
  • Confissão de pecados (de várias formas)
  • Kyrie Eleison (lamento pelas dores do mundo)
  • Glória in excelsis (louvor)
  • Oração do dia

liturgia da palavra

  • Leituras bíblicas (Lecionário)
  • Cânticos intermediários
  • Pregação (interpretação)
  • Confissão de fé
  • Comunicações (que implicam a oração da Igreja)
  • Oração de intercessão
  • (Se for culto da Palavra passa para o Pai-Nosso, avisos, benção, envio, hino. Neste caso, as ofertas podem ser recolhidas após o Credo)

liturgia da eucaristia

  • Preparo da mesa e ofertório (levar elementos da Ceia e recolher as ofertas)
  • Oração do ofertório
  • Oração Eucarística
  • Pai-Nosso
  • Gesto da paz
  • Fração
  • Cordeiro de Deus
  • Comunhão
  • Oração pós-comunhão

liturgia de despedida

  • Avisos comunitários
  • Benção
  • Envio
  • Hino

Essa proposta é um "esqueleto" mínimo que, ao mesmo tempo que cria um sentimento de pertença para membros que visitam outras comunidade da IECLB em outras localidades do país, garante a liberdade litúrgica das comunidades.

 

  domingo, dia do culto

 

Conforme o testemunho bíblico, ao ser humano cabe trabalhar seis dias e descansar no sétimo. Não só o ser humano descansa, mas toda a criação. Descansar completa a suprema dignidade de tudo o que foi criado. Deus não criou apenas para ser gasto, usado, consumido e explorado, mas, e principalmente, para fruir, para saborear.

Este "dia de descanso" de tudo o que foi criado por Deus foi desde sempre santificado e chamado "dia do Senhor".
O "dia do Senhor" é, portanto, oferta generosa do Criador para que toda a sua criação se recupere, restabeleça-se em todos os sentidos para a luta do do dia-a-dia. Assim, toda a criação repousa e dedica-se em gratidão ao Criador de toda a vida.

Para as primeiras comunidades cristãs o primeiro dia da semana, o domingo, tornou-se o "dia do Senhor", pois nesse dia deu-se o evento central da fé cristã, a ressurreição. Na ressurreição de Cristo, Deus coloca o horizonte a que se destina toda a criação: a redenção
(Rm 8.18-25). Cristo é o "cabeça", o Senhro da Igreja.
Por isso, os luteranos entendem, que o domingo é o dia apropriado para o descanso da criação e para render culto a Deus, celebrando em antecipação a glória futura a que toda a criação está destinada.

 

  música

 

O canto
O canto é uma das marcas da tradição luterana, principalmente o canto comunitário. A Reforma, em suas propostas litúrgicas, estimulava a participação da comunidade com o canto. Lutero mandou imprimir o primeiro hinário em 1524. Ele mesmo compôs vários hinos, entre eles o "Castelo Forte" - o hino da reforma.

Hinários
O hinário em uso hoje na Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) chama-se Hinos de Povo de Deus (HPD) e tem 306 hinos. Nesse hinário temos hinos que vão do século XVI ao século XX. Muitos desse hinos são "clássicos" da hinologia luterana e certamente estão na base da espiritualidade das comunidades. Cantá-los evoca o sentimento de pertença à família luterana e ao Povo de Deus. Na segunda metade de 2001, a IECLB lançou o Hinos de Povo de Deus 2 com 185 hinos novos. Com mais esse hinário, a IECLB acolhe hinos mais recentes e que, de alguma forma, já haviam sido incorporados ao dia-a-dia das comunidades.

Além desses hinários oficiais, as comunidade, os setores de trabalho e os movimentos dentro da IECLB têm a liberdade de lançar coletâneas de hinos mais identificados com sua proposta e sem o compromisso de oferecerem hinos para todos os períodos do ano litúrgico. Para ficar só dois exemplos de circulação nacional, citamos o "Cantarei ao Senhor" (vários volumes) e "O povo canta", que procura oferecer subsídios e hinos para todo o ano litúrgico.

Acompanhamento musical
O canto comunitário é tradicionalmente acompanhado de orgão ou harmônio. Entretanto, o canto tem renovado sua linguagem e também as possibilidades de acompanhamento. Hoje já encontramos comunidades onde o canto se faz acompanhar de piano, violão ou bandas. Uma forte característica das comunidades luteranas é o canto coral. Em momentos especiais ou reforçando a celebração dominical, o coral enriquece o louvor da comunidade.

 

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