P. Aneli Schwarz *
"Posso fazer tudo o que quero. Sim,
mas nem tudo me convém.
Posso fazer tudo o que quero, mas
não deixarei que nada me escravize."(1Co
6.12)
Estamos
a poucos dias do Carnaval, festa conhecida como sinônimo de liberalidade,
em que parece não haver limites para a descontração,
em que muitos foliões se despem de preocupações
cotidianas e procuram viver a fantasia de ser e fazer tudo aquilo que
normalmente não é permitido ou tolerado.
Diante do Carnaval há vários tipos de opiniões
e manifestações: há pessoas que ficam escandalizadas
com tanta falta senso de responsabilidade e por isso procuram ficar
alheias a tudo o que se relaciona ao Carnaval; há outras que
simplesmente ficam indiferentes ou assistem a tudo pela televisão
como meros expectadores; há quem condene com total veemência
o Carnaval, como símbolo de depravação e evidência
da perdição das pessoas que tomam parte nesta festa,
então optam por participar de retiros de espiritualidade, onde,
através de palestras, orações, cantos e comunhão,
procuram um crescimento na fé; há, ainda, aquelas pessoas
que adoram o Carnaval e esperam ansiosos por sua chegada, quando terão
a oportunidade de viver muitas de suas fantasias ou coisas que normalmente
não se sentem encorajadas a fazer. Como cristãos, vale
a pena perguntar: qual é a melhor postura diante do Carnaval?
Dá para conviver com ele, tomar parte em certa medida ou o melhor é empenhar-se
por combatê-lo?
Embora esta festa possa ter tido em suas origens ou ao
longo de sua história um caráter religioso, o que não
se pode negar é que atualmente o Carnaval é marcado por
muita descontração, mas também por muitos abusos,
geralmente relacionados ao uso um tanto irresponsável do próprio
corpo, por exemplo: no consumo exagerado de bebida alcoólica,
no relacionamento íntimo e inconseqüente entre pessoas
totalmente desconhecidas, no desgaste físico decorrente de vários
dias e noites seguidas de folia, praticamente sem dormir e, ainda,
de muitas outras formas.
Para nós, luteranos, conhecidos por gostarmos
de dançar, fazer festas alegres, por não termos proibições
com relação ao uso de bebidas alcoólicas, cigarro,
roupa e assim por diante, também não existe proibição
quanto à adesão ao Carnaval. O que não podemos
perder de vista é que, como cristãos, somos chamados
a ser bons administradores de tudo o que recebemos de Deus: vida, saúde,
inteligência, criatividade, alegria, disposição,
trabalho, bens, amigos, família ... Se reconhecemos que tudo
o que temos e somos é graças a Deus, isso também
deve se refletir na nossa responsabilidade para com tais bens.
A dica do apóstolo Paulo, encontrada no versículo
que orienta nossa reflexão serve bem como guia para nossas decisões
e atitudes: "Posso fazer tudo o que quero. Sim, mas nem tudo me
convém. Posso fazer tudo o que quero, mas não deixarei
que nada me escravize."(1Co 6.12) É desejo de Deus que
sejamos livres e não escravos, por isso, desejo que todos recebamos,
pelo Espírito Santo, sabedoria suficiente para vivermos nossa
liberdade cristã, sem nos tornarmos justamente escravos dela.
Que Deus abençoe você!
* Aneli Schwarz é pastora
da Comunidade Evangélica
de Confissão Luterana em Belo Horizonte