P. Zulmir Ernesto Penno *
Por
quê? Meu Deus, por quê? Pergunta-se repetidas vezes a jovem
viúva, que acabou de perder o marido num acidente trágico,
estúpido... Uma pergunta inevitável, difícil de
encarar, humanamente sem resposta.
Mas não sem resposta para Deus!
Por que morreu Jesus? Muitos devem ter-se perguntado naquela sexta-feira
sombria, na colina de Gólgota. E nós, em pleno século
XXI, continuamos perguntando: Que sentido faz esta morte estúpida,
vergonhosa? Uma pergunta difícil, tanto hoje como outrora. Não
difícil de ser respondida, porque a resposta de Deus a esta pergunta
é muito clara e já foi dada mesmo antes de acontecer a
tragédia. Por que morreu Jesus? É uma pergunta difícil,
não porque custamos a achar resposta, mas exatamente porque a
resposta nos parece simples demais, descomplicada demais. Custa-nos
ACEITAR esta resposta dada por Deus.
Por que morreu Jesus? Na carta aos Hebreus (9.27) temos uma resposta
clara: Jesus morreu para pagar, aniquilar o pecado, de uma vez por todas,
para nossa salvação. Sua morte não foi apenas uma
morte; foi morte expiatória, para remissão dos pecados
de toda humanidade. Portanto, também dos nossos pecados, dos
meus e dos teus. Pois, sem perdão dos nossos pecados, oferecido
por Jesus Cristo na cruz, não temos salvação.
Bem, isso até que dá para ENTENDER: que Jesus Cristo
morreu para pagar, expiar os pecados da humanidade. Mas, como Jesus
pode perdoar os meus pecados hoje? Eu nem mesmo me sinto culpado pela
morte de Jesus, pois não fui eu quem o assassinou! - Você
se sente culpado pela morte de Jesus? - É você o assassino
de Jesus? Duvido que você esteja disposto a assumir a autoria
do assassinato de Jesus! Eu é que não, pois nem estive
lá, não participei desse horror! Consigo entender que
Jesus tinha de morrer pelos pecados do mundo, afinal a lei de Deus exige
isso, que haja derramamento de sangue para remissão de pecados.
Sim, a lei do Rei dos céus e da terra exige isso. A exemplo do
que aconteceu com um determinado rei deste mundo. Aconteceu que alguém
tinha furtado jóias no palácio real. O rei emitiu um decreto:
que o ladrão fosse descoberto e chicoteado. Após investigações,
descobriu-se que o ladrão de jóias era o filho do rei.
E agora? A lei tinha que ser cumprida. O rei, com pena do filho, a quem
muito amava, pôs-se no lugar do filho e ordenou que lhe dessem
as chicotadas que a lei determinava.
Também a lei de Deus tinha que ser cumprida. E Deus mesmo assim
o fez. Em Jesus Cristo o próprio Deus se colocou em nosso lugar.
Deus achou melhor que um morresse, para pagar os pecados de todos, do
que todos morrerem.
Por que morreu Jesus? Para pagar, aniquilar os pecados do mundo todo.
Bem, isto já deu para entender. Mas ainda não consigo
entender como Jesus pode me perdoar os pecados hoje, a mim, eu que nem
participei do assassinato dele naquela sexta-feira da Paixão
original.
De fato eu não matei Jesus. Nem você. Nós não
matamos Jesus. Mas o que nós temos presente hoje, e disso não
dá para fugir, é o FATO HISTÓRICO de seu assassinato.
Está diante de nós o horror que fizeram com Jesus naquela
cruz. É preciso conhecer, atentar para a história, assimilar
a história. Nós sabemos o que fizeram com Jesus naquela
sexta-feira da Paixão, pois estamos avivando a nossa memória.
E tudo aquilo que fizeram com Jesus no passado, hoje nos pertence DE
GRAÇA, sem ao menos precisarmos assumir a autoria de seu assassinato.
Eu não preciso mais assassinar Jesus e nem mesmo ficar me martirizando.
Não preciso carregar o trauma de ter assassinado Jesus. Mas,
para que tudo isso que hoje nos é dado DE GRAÇA, não
vire graça barata, é preciso, sim, que cada um de nós
assuma conscientemente a CULPA HISTÓRICA. Isto significa admitir
que eu hoje pregaria Jesus na mesma cruz, que os meus compatriotas pecadores
de outrora o pregaram!
Ter presente tudo o que fizeram com Jesus, assumir esta culpa histórica,
é deixar que tome conta do nosso coração, não
o sentimento de ser o assassino, o culpado da morte de Jesus, mas o
sentimento de AMOR-RESPOSTA ao amor que Deus tem revelado por nós
pecadores exatamente nessa cruz do Cristo crucificado.
De modo que não dá mesmo para ENTENDER como Jesus pode
perdoar os nossos pecados hoje, mas dá para ACEITAR! E ao aceitar
esta GRAÇA de Deus, vamos experimentando o descortinar-se diante
de nós de uma vida em liberdade, como filhos perdoados pelo Pai,
enviados a viver o perdão, o amor e a paz.
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Pastor Zulmir é nascido em Ijuí/RS A 18.04.1948,
formou-se em Teologia na EST (Escola Superior de Teologia), em
São Leopoldo/RS. Atua como pastor na IECLB Há 28
anos, desde 2000 em Juiz de Fora-MG. É formado também
em pedagogia. Casado com a professora de línguas Neiva
Maria Penno, tem 4 filhos: Rosemeri, 25 anos, cursando Psicologia
no CES/JF, Kátia Maria, com 22 anos, cursando Direito na
UFJ-JF, e os gêmeos Eugenio Zulmir e Ernesto Joel, com 21
anos, cursando Direito e Engenharia de Produção,
respectivamente, na UF-JF, Ernesto está em preparativos
para um semestre de intercâmbio nos Estado Unidos. |