Pª Aneli Schwarz *
Ainda que eu falasse a língua dos homens, que eu falasse
a língua dos anjos, sem amor eu nada seria... (1 Coríntios
13)
O
mês de junho, para muitos, é o "mês dos namorados".
Quem está enamorado se deixa envolver por uma atmosfera de romantismo
e usa de muita criatividade para demostrar o quanto valoriza a pessoa
amada. Mas o amor romântico é apenas uma dimensão
do amor em si. Há muitas formas de amor, a Bíblia mesmo
nos fala de pelo menos três: o amor erótico, o amor que
se manifesta em forma de amizade sincera e o amor sacrificial de Deus
por nós, que se manifesta ao longo da história da humanidade,
mas tem na vida, obra e doação de Jesus, sua maior expressão.
Pensando em situações diferentes, é até
um tanto difícil definir o amor. Certamente é mais fácil
senti-lo do que explicá-lo. O amor é um misto de força
e fraqueza: quando amamos - não importando agora o tipo de amor
em que estejamos envoltos - temos medo de perder; ao mesmo tempo arriscamos
iniciativas que sem o amor não teríamos; queremos cobrir
o ser amado de proteção, cuidados, atenção
e presentes, pois o amor nos liga ao ser amado de modo que o bem-estar
da outra pessoa seja fundamental para nosso próprio bem-estar.
Certamente uma das maiores dores é a causada por um amor não
correspondido. Apesar de o amor ser algo que acontece espontaneamente
- quando menos nos damos conta ele já nos ligou a alguém
- se nos afeiçoamos a alguém, é humano desejarmos
que esta pessoa não apenas receba o nosso amor, mas também
o retribua. Empenhar-se pela amizade de alguém e ter indiferença
como resposta é mais ou menos como trabalhar esperando um salário
e não recebê-lo. É frustrante.
O amor é um sentimento dinâmico e, como tal, requer sempre
novidade. A rotina é a maior inimiga do amor porque este se traduz
em criatividade, em renovação, em constante busca por
novas formas de demonstrá-lo.
O gostoso deste sentimento, desta força atuando na vida da gente,
está no fato de não termos controle sobre ele. Isso porque
ele não tem seu ponto de partida em nós. A origem de toda
forma de amor está em Deus. Ele nos ama, nos cria e recria com
amor. É Deus quem implanta este sentimento em nós e ainda
o alimenta para que funcione como uma flor perfumada que vai espalhando
seu aroma pelo ar, de modo que não seja possível não
senti-lo. Assim já não é possível estar
tomado por ele e cruzar os braços. Permanecendo inertes diante
dos efeitos do amor, que age dentro de nós e se empenha pela
transformação positiva da realidade em que nos encontramos,
estaremos sufocando o amor, de modo que todas as suas boas características
poderão se converter num mal contra nós mesmos.
Dito tudo isso, quero finalizar endossando as palavras do apóstolo
Paulo quando exorta os cristãos de Roma a não ficarem
devendo nada a ninguém, a não ser o amor mútuo.
Que assim seja entre nós: que nos empenhemos na vivência
do amor uns pelos outros de maneira bem palpável, para que possamos,
como Deus, nos alegrar com os frutos que este amor produz. Amém.
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Aneli Schwarz
é Pastora em Belo Horizonte, MG