P. Carlos Emídio Grill Lacerda *
Parábola do filho pródigo -
Lucas 15.11-32
Quando
lemos a Bíblia e a mensagem que nela está, cada vez que
a lemos, ela nos fala algo novo. Creio que esta é uma das maravilhosas
obras de Deus para nós. A passagem do filho pródigo, por
exemplo, toda vez que a lemos ela nos fala pessoalmente.
Estava em casa, preparando-me para um retiro de jovens. Iria trabalhar
a parábola do filho pródigo. Senti-me preocupado em relação
ao que iria encontrar neste retiro, se conseguiria transmitir tudo aquilo
que havia me proposto a falar aos jovens.
À noite, nos reunimos em família (minha esposa e três
filho/as) para juntos celebrarmos nosso culto, como fazemos com certa
freqüência. Mas naquela noite parece que tudo estava dando
errado. As crianças estavam muito agitadas e acabamos não
conseguindo celebrar esse momento que consideramos importante na família.
Cada um foi para um canto, as crianças foram dormir e eu fiquei
na sala, triste, preparando o retiro. Orei: "Oh Deus! Nem na minha
família, na minha casa, consigo compartilhar a tua Palavra, imagine
com outras pessoas".
Depois de um tempo, minha esposa veio falar-me que nosso filho estava
chorando pelo que havia acontecido. Não demorou muito ele veio
até mim chorando, abraçou-me e pediu-me desculpas. Como
pai, o abracei e disse que o amava muito. Ele também disse que
me amava. Ficamos um tempo abraçados. Após levei-o no
colo para seu quarto, oramos, dei boa noite e ele dormiu.
Voltei para sala, abri minha Bíblia na passagem do filho pródigo
e Deus, na sua imensa misericórdia e no seu maravilhoso amor
por nós, falou ao meu coração. Esta palavra de
Deus, através do evangelista Lucas, nunca havia ficado tão
clara para mim como naquele momento. A experiência com meu filho
me fez vivenciar de um modo profundo a graça do amor, do perdão
e da reconciliação. Renovei a certeza de que, sendo nós
pais ou filhos, também erramos e falhamos para com Deus. E ele
é um Pai bondoso que nos ama e perdoa e nos ensina a fazer o
mesmo uns com os outros, principalmente em família.
Deus é um Pai que sempre tem pensamentos bons, de paz, e agradáveis
para conosco. Ele sempre está de braços abertos nos esperando
para nos abraçar e envolver com seu amor, assim como aconteceu
na minha experiência com meu filho e na parábola do filho
pródigo. O filho foi recebido com festa pelo Pai. Por causa do
amor perdoador do Pai, o filho que estava perdido e morto, foi achado
e reviveu.
Essa também pode ser a nossa experiência como pais e filhos
e como filhos em relação a Deus. Reconhecer nossos erros
e voltar para os braços do Pai. Nesses braços encontramos
amor e perdão, consolo e alívio, e forças para
recomeçarmos e permanecermos com ele. Amém!
* P. Carlos Emídio
Grill Lacerda
realiza o seu período prático de
habilitação ao ministério pastoral
na Paróquia de Rio Claro