Cand. P. Roseli Breunig *
O
envelhecimento faz parte de nossa vida! É um processo natural
que se inicia no momento em que nascemos. Não é questão
a ser aceita ou tese da qual se possa discordar. A gente envelhece e
ponto. Não há, porém, limites estabelecidos para
o término de nossa caminhada neste mundo. Temos é que
manter sempre acesa a chama do entusiasmo, pois a vida tem encantos
para aqueles que gostam dela.
Em nossa sociedade, porém, envelhecer é
passar da atividade para a passividade. Isso significa deixar de fazer
para que façam pela gente, deixar de ser cidadã/ão,
deixar de ser família, etc. Assim limitadas e isoladas, as pessoas
perdem a razão de viver. É como se as pessoas idosas não
tivessem valor, habilidades, direito à opinião própria,
etc. Algumas expressões que se ouvem em nossa sociedade, e até
em nossas famílias, em relação às pessoas
idosas mostram essa mentalidade: "lugar de velho é em casa",
"está ficando igual a criança, quer participar de
tudo", "velho não tem mais nada para aprender".
Na Bíblia, também podemos perceber que
a atitude frente às pessoas idosas nem sempre foi tão
pacífica ou tão tranqüila como, às vezes,
ouvimos e afirmamos. Podemos perceber na leitura da Bíblia que
as pessoas idosas não têm uma vida sem problemas, sem dificuldades.
Mas a exortação quanto ao respeito, à valorização
da sabedoria dos mais velhos sempre aparece. O Salmista, por exemplo,
compara as pessoas que andam com Deus como árvores viçosas
cheias de vigor e de frutos mesmo na velhice (Sl 92.13-15). A Bíblia
nos mostra um horizonte diferente daquele que percebemos na nossa sociedade.
"Até à
vossa velhice, eu serei o mesmo e, ainda quando tiverdes cabelos brancos,
eu vos carregarei; já o tenho feito; levar-vos-ei, pois, carregar-vos-ei
e vos salvarei."
(Is 46.4)
A família, a comunidade e a sociedade precisam
dignificar as pessoas idosas, assegurando sua participação
na comunidade, defendendo sua liberdade, autonomia, bem-estar e garantindo-lhes
o direito à vida. No contexto social temos várias formas
agradáveis de viver esta fase da vida, participando de grupo
de idosos, de dança, artesanato, realizando viagens, fazendo
caminhadas, mantendo-se atualizado, freqüentando cursos e, desta
forma, preenchendo significativamente o nosso envelhecer.
E você, que se considera nessa fase da vida, não
pense no número de anos que já viveu. Pense, isto sim,
em como desfrutar com muita coragem, perseverança e fé
os anos que tem pela frente, dedicando-se a algo que lhe interesse e
orgulhando-se de sua idade, por mais avançada que seja. Tudo
isso manterá seu espírito alegre e juvenil. Enfrente,
pois, o entardecer da vida com responsabilidade, alegria e muito amor.
Esse entardecer não acaba em uma noite fechada, mas em um amanhecer
cheio de esperança.
Vamos olhar para a pessoa idosa como ser humano integral,
valioso e amado por Deus e por nós. Não podemos considerar
apenas sua força física, mental e sua saúde. É
preciso respeitar a personalidade formada, a riqueza da experiência
acumulada. As pessoas idosas podem trazer de volta muitos valores perdidos
pela sociedade de consumo e pela violência.
Que Deus nos lembre do valor e da transitoriedade de
nossa vida. Que nunca haja um tarde demais para amar, perdoar e servir.
Amém.
* Roseli Breunig fez
o seu PPHP
(Período Prático de Habilitação ao Pastorado)
em Belo Horizonte, durante o ano de 2002