P. Valério G. Schaper*
"No fim sempre dá
certo.
Se não deu certo,
é porque ainda não chegou ao fim."
(Provérbio mineiro)
Quem,
pensando em escalar um monte, fixa-se no pico, pode não chegar
ao topo ou, subindo, pode esquecer cada momento da escalada. Desistir
ou não aprender nada na subida podem significar o mesmo.
A verdade é que o cume, o fim, o topo do monte
costuma nos paralisar. Pior, somos muitas vezes aterrorizados pelo fim,
pelo cume. O cume, o topo, o fim nos fita como um sinal permanente de
nossa incapacidade, de nossa fraqueza e possível derrota.
O Ano da Igreja encerra em novembro e reinicia em dezembro.
O Ano da Igreja surgiu para nos ajudar a "peregrinar" ao longo
de um período, meditando nos mistérios da revelação
de Deus em Cristo, voltados para a nossa ação no mundo.
O Ano da Igreja também tem um FIM! Nesse fim falamos das "coisas
finais": morte, fim dos tempos, daquilo que é "último".
Paulo nos diz que nós e toda a criação
esperamos pelo "fim", aguardando ansiosamente a "redenção
para a liberdade da glória dos filhos de Deus" (Rm 8.20-21).
Podemos nos comportar como se estivéssemos diante de um monte
ou de uma longa jornada. Olhando para o cume ou o fim da jornada, podemos
desistir ou chegar rapidamente ao final. Derrota ou pressa de pouco
nos aproveita.
O fim, a partir de Cristo, tem outro sentido. Mais do
que encerramento ou conclusão, ele indica um "alvo".
Esse "alvo" não encerra, mas abre. Esse "alvo"
descortina um "novo horizonte". Como diz o provérbio
mineiro, é preciso desconfiar dos finais rápidos, pois,
quem sabe, ainda não teremos chegado ao "fim". O fim
de Deus é "alvo" e nesse "fim" certamente
"tudo dará certo". O "fim-alvo" é
fundamental. Sem alvo, meta é impossível chegar. Enquanto
caminhamos para esse fim-alvo, é preciso considerar a própria
caminhada. Na caminhada sonhamos com o cume, com o topo, com o fim,
com o alvo. Antecipamos assim a alegria do final. Respiramos, como diria
Drummond, o perfume da eternidade.
"As coisas que amamos,
as pessoas que amamos
são eternas até certo ponto.
Duram o infinito variável
No limite de nosso poder
De respirar a eternidade."
(Carlos Drummond de Andrade)
Valério
G. Schaper, mineiro de Teófilo Otoni,
é pastor da Comunidade Evangélica de Confissão
Luterana em Belo Horizonte.