Pª Elisabeth Lieven e P. Guilherme
Lieven*
A
violência contra a mulher é um dos fenômenos
sócias mais absurdos e inaceitáveis.
É uma tática consciente para obter poder e
controle sobre a mulher.
Quando acontece em ambiente familiar é uma fonte de
medo, dano físico e psicológico à mulher
e também às crianças, incluindo todos
tipos de ameaças e privação de liberdade.
A violência contra a mulher não é doença
genética, nem conseqüência de alcoolismo,
drogas, estresse ou raiva descontrolada, tampouco conseqüência
do comportamento da vítima ou da pobreza.
A violência contra a mulher é fruto da desigualdade
entre homens e mulheres. Vamos acabar com a desigualdade!
Vamos acabar com a violência contra a mulher!
No Brasil, há mais de três décadas,
as mulheres denunciam e tentam dar visibilidade a essa situação.
Neste período o país participou de várias
convenções e assinou diversos tratados em prol
da redução da violência doméstica
e de gênero. Este ano o Governo Federal lançou
um Plano Nacional de Prevenção e Redução
da Violência Doméstica e de Gênero. Porém,
todas estas iniciativas ainda não tem desencadeado
um processo de mudança que de fato supere a violência
contra a mulher.
É fato que, em nosso contexto de tantas contradições
sócio-econômicas, as mulheres são vítimas
de violência tanto quanto os homens. Mas a situação
das mulheres é ainda agravada pela violência
sexista.
Em nosso país grande número de mulheres vive
em situação de violência física
e psicológica (63% das mulheres brasileiras já
sofreu algum tipo de violência) e, especialmente, a
violência doméstica (75% dos casos de violência
contra a mulheres e crianças acontecem no âmbito
familiar). A casa, espaço da família, antes
considerada lugar de proteção passa a ser um
local de risco para as mulheres e crianças. O alto
índice de conflitos doméstico já destruiu
o mito do "lar, doce lar". As expressões
mais terríveis da violência contra a mulher estão
situadas na casa que já foi o espaço de maior
proteção e abrigo.
Acostumamo-nos
a considerar como violência somente os atos que provocam
algum tipo de lesão física. No entanto, a violência
também ocorre na forma de destruição
de bens, ofensas, intimidação das filhas e dos
filhos, humilhações, ameaças e uma série
de atitudes de agressão e desprezo; situações
que desrespeitam os direitos das mulheres, seja na rua, nas
escolas, nos consultórios, nos ônibus, nas festas
e, sobretudo, em casa.
VIOLÊNCIA SEXUAL
-
Considerar as mulheres com inferiores e
justificar isso usando a Bíblia ou tradição
religiosa;
-
Culpar as mulheres pelo mal e pela morte
ou a causa do pecado;
-
Usar as cerimônias matrimoniais para
afirmar a supremacia masculina e a submissão das
mulheres;
-
Não permitir às mulheres à
participação plena e ativa da vida religiosa
e desqualificá-las em sua atuação religiosa
e vivência de fé;
-
Fazer uso de textos bíblicos específicos
para desqualificar ou impedir a participação
religiosa plena, negando às mulheres a potencialidade
e participação no discipulado de Jesus;
-
Fazer uso de linguagem discriminatória,
em que as mulheres não estão incluídas;
-
Estabelecer normas ético-morais que
limitam a vida das mulheres, estabelecendo critérios
de conduta diferenciados para homens e mulheres;
-
Ter o salário diminuído em
função da profissão ou remuneração
do companheiro;
-
Ser discriminada por estar divorciada, ou
por ser mãe sem ser casada;
-
Ser induzida a silenciar sobre a situação
de violência e não receber acompanhamento pastoral
adequada em situações de violência.