P. Dr. Rolf Schünemann
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Entra
ano e sai ano e as pessoas alimentam a sua
existência com uma energia cuja origem
não pode ser detectada a olho nu. Em
meio a muitas dificuldades e no enfrentamento
de inúmeros problemas do cotidiano,
constata-se que algo as movimenta.
As pessoas andam pela vida e acumulam vitórias
e derrotas. Levam tombos e se levantam. Trombam
com realidade e mesmo assim persistem e insistem
em seguir em frente. Tropeçam nas pedras
e continuam a andar. Pisam em falso nos buracos
e se equilibram novamente. Enfrentam tempestades
e contam com a brisa suave. Passam por nevoeiros
e ficam na expectativa do sol brilhante.
Os grandes ou pequenos projetos, as visões
de uma realidade futura diferente da experimentada
no presente, os sonhos relacionados ao trabalho
e à sobrevivência, ao amor e
à família, ao estudo e à
formação, enfim, todos os gestos
e todas as ações trazem embutida
uma força invisível, mas real.
É a força da esperança.
O povo sempre diz: A esperança é
a última que morre!
Os
cristãos vivem sua fé mergulhados
neste cotidiano de esperança e desesperança.
Têm seu princípio esperança
que norteia a sua vida. Têm suas raízes
profundamente arraigadas na tradição
de fé do povo de Deus. Os testemunhos
presentes na Bíblia sublinham a sua
importância e o seu valor para vida
cotidiana. A fé cristã tem uma
esperança muito radical, a saber, toda
a realidade de dor e sofrimento será
transformada para que todas as pessoas tenham
vida plena e abundante. Esperam um mundo e
uma sociedade totalmente novos.
Os caminhos das pessoas, e também
os seus descaminhos, têm dentro de si
a presença dos impulsos daquele que
é a fonte motriz da esperança,
a saber, o Deus vivo. As alegrias que envolvem
os projetos do cotidiano, alimentados pela
fé em Jesus Cristo, bem como as frustrações
e os fracassos são parte da trajetória
dos filhos e das filhas de Deus. As pessoas
vivem numa grande teia de relações
que se entrecruzam. Nem sempre todas as expectativas
são viáveis. Certos sonhos só
podem ser coletivos e, por isso, não
podem ser personalistas. Certos projetos ainda
não estão suficientemente maduros
para se concretizarem.
Seja qual for a dimensão da existência,
seja qual for a circunstância, o princípio
esperança sempre ilumina a vida cristã.
Ela se constitui na energia propulsora que
mantém a vida em movimento. Mesmo que
um vazio enorme abata as pessoas e as perspectivas
estejam totalmente fechadas, um aspecto básico
e fundamental não pode ser ignorado:
pode-se confiar em Deus, o Senhor da vida.
Pode-se dizer com o salmista: "E eu,
Senhor, que espero? Tu és a minha esperança."
(Sl 39.7)