Pª Aneli Schwarz *
"Senhor, tu me sondas e me conheces.
Sabes quando me assento e quando me levanto; de longe penetras os
meus pensamentos. Ainda a palavra me não chegou à língua,
e tu, Senhor, já a conheces toda." (Salmo
139.1-3)
Estamos
no mês do Carnaval e a simples menção desse fato
pode levar você a pensar: e daí, o que tem isso a ver
com igreja? Na verdade não quero me esforçar aqui por
fazer nenhuma relação entre as duas coisas. Gostaria
apenas de aproveitar a associação com fantasias para
refletir com você sobre máscaras. É isso mesmo:
máscaras!
Acompanhando um pouco os desfiles ou as reportagens sobre o carnaval,
é comum ouvirmos relatos de pessoas que partilham o prazer
de poderem ser, às vezes por algumas horas somente, personagens
que as ajudam a esquecer a dureza do dia a dia. O simples fato de
poderem se tornar parte de um enredo, faz com que se sintam na pele
de outra pessoa.
Pensando sobre isso lembrei de uma reflexão de Gilbert B.
Lazan que fala sobre máscaras. Ele chama de máscaras
os subterfúgios que costumamos usar para esconder das outras
pessoas as nossas debilidades ou aquilo que achamos que pode não
agradar. Muitas vezes por medo de que alguém se afaste da gente,
caso deixemos visíveis as nossas fragilidades, ocultamos fatos
e características. Preferimos ser admirados a que outros nos
rechacem ou tenham pena de nós. No fim da história,
Lazan conclui que por causa das máscaras só consegue
atrair outros mascarados, pessoas que agem do mesmo jeito, e não
encontra a verdadeira amizade que, acredito eu, somente a transparência
da nossa humanidade, com tudo o que lhe é peculiar, é
capaz de alcançar.
Quando nos damos conta de que o modo como nos relacionamos com as
pessoas cedo ou tarde será o mesmo com que elas responderão
aos nossos estímulos, podemos decidir se queremos seguir mascarados
ou deixar que os outros nos vejam como realmente somos.
O autor do Salmo 139 constata que, com Deus, só podemos ser
o que somos, porque nada Lhe passa oculto. Ele tem mais do que uma
visão de raio X, porque além de saber o que se passa
dentro de nós, conhece nossos pensamentos e até mesmo
as palavras que ainda não proferimos. Ter consciência
disso é um estímulo à total transparência
e entrega sem "cartas na manga" ou "máscaras".
Não há como ocultar, só nos resta ser autênticos.
Uma tal relação de verdade e transparência é
a que somos sempre desafiados a construir. Se fazemos tanta questão
de ocultar aquilo que nos causa mal-estar ou constrangimento, como
encontraremos quem nos acolha quando já não for mais
possível esconder-nos de nós mesmos?
Se lendo isso você se deu conta de alguma(s) máscara(s)
que tenha usado, desejo que não a(s) confunda com o que você
é em essência, mas que experimente passar algum tempo
sem ela(s) para distinguir o que é real do que é fantasia.
Desejo que, uma vez sem a(s) máscara(s), você goste do
que encontrar e ouse se mostrar como você realmente é:
do mesmo modo como Deus vê e ama você!