P. Telmo Noé Emerich *
"Declarou-lhes,
pois, Jesus: Eu sou o pão da vida; o que vem a mim, jamais
terá fome; e o que crê em mim, jamais terá sede."
(João 6.35)
Vivemos numa sociedade muito carente de pão. Carente do
pão material e do pão espiritual. Como cristãos,
somos chamados a partilhar o pão. Nos perguntemos: O que
nós oferecemos ao carente? Que pão nós damos?
Não me recordo mais onde li uma afirmação
muito pertinente dita por São Basílio Magno: "Ao
faminto pertence o pão que se estraga em tua casa. Ao descalço
pertence o sapato que cria bolor debaixo de tua cama. Ao nu pertence
o dinheiro que desvaloriza em teus cofres".
Muitas vezes, nem mesmo o que sobra e o que estraga em nossas casas
estão sendo compartilhados. Preferimos deixar estragar, pois
aí não temos que nos envolver.
Mas Jesus nos chama a compartilhar o pão. Se dermos aquilo
que já nem estamos usando mais, já será uma
obra de caridade importante num mundo de tanta frieza, de tanta
falta de carinho.
Mas me preocupa também a parte espiritual. Jesus nos diz
que Ele é o pão da vida. A pergunta que me faço
é: Que tipo de pão espiritual está sendo oferecido
por aí? Será que é o verdadeiro pão?
Nós, como cristãos, cremos e afirmamos que o verdadeiro
pão espiritual é Jesus. Não há outro.
Aquele que realmente alimenta a nossa fé é Cristo.
Aquele que nos sustenta é somente Jesus. E essa mensagem
nós devemos passar adiante. Devemos respeitar todas as religiões,
mas também devemos afirmar que o pão vivo que desceu
do céu é Cristo. Devemos mostrar que o único
caminho da salvação, caminho que chega ao Pai é
Jesus: João 14.6.
E isso, creio eu, o cristão tem feito. Mas um outro fenômeno
tem marcado mais nitidamente a nossa sociedade atual: É o
surgimento de um grande número de novas igrejas que dizem
estar oferecendo também o pão espiritual chamado Jesus.
Creio que as assim chamadas igrejas históricas não
são as únicas detentoras do evangelho. Mas devemos
cuidar com as novidades que têm aparecido por aí.
Se a gente pega a imagem do pão, devemos dizer: Vamos tomar
cuidado com as "padarias, ou melhor, com os mercados espirituais"
que têm aparecido. Eles dizem que oferecem o verdadeiro pão,
que é Cristo, contudo, nem sempre, mas muitas vezes, este
pão está completamente adulterado. E quando a gente
come alguma coisa contaminada, mais cedo ou mais tarde, passaremos
mal. E isso acontece também na área espiritual.
Penso que mais do que nunca devemos zelar por uma pregação
reta do evangelho. Há muita gente doente porque comeu um
pão espiritual contaminado, achando que era o verdadeiro
pão da vida. Desses enfermos, nós também somos
chamados a cuidar. E, creio, cada vez haverá mais enfermos
desse tipo na nossa sociedade, pois o pão que é oferecido
por aí, mesmo levando o nome de Cristo, na verdade, quantas
vezes está contaminado por pensamentos humanos. E nem sempre
esses pensamentos são os mais elevados.
Se dentro desse mercado religioso, que é o Brasil, nós,
como Igreja Luterana, continuarmos oferecendo o verdadeiro pão
que desceu do céu, que é Jesus, estaremos cumprindo
a nossa parte. Vamos cuidar dos doentes que estão chegando.
Vamos alertar os nossos membros para não se deixarem seduzir
por tudo que é oferecido por aí como sendo o "pão
do céu".
Que Deus nos dê sabedoria e espírito de discernimento
para que julguemos tudo e retenhamos o que é bom. Amém.