P. Eduardo Paulo Stauder *
Finalmente
chegou a sua vez. Foram mais de quatro horas esperando naquela
fila para preencher uma ficha de candidato a vaga de trabalho.
Cada palavra escrita naquele formulário vinha carregada
de esperança: deixar de viver de "bicos";
ter uma carteira assinada; um salário no final do mês
para pagar as contas. É a esperança de garantir
o pão de cada dia com maior tranqüilidade e dignidade.
Como falar de paz quando se constrói a esperança
na fila do desemprego?
Vivemos tempos de medo e insegurança. A violência
urbana nos acompanha diariamente. O desemprego assusta trabalhadores
e coloca um futuro sombrio diante dos jovens. Sonhar com o
futuro se torna cada vez mais difícil, assim como se
torna cada vez mais um imperativo ter esperança para
não sucumbir diante uma realidade competitiva e excludente.
A busca por um lugar ao sol acontece em meio a um nevoeiro
que esconde os caminhos de esperança. Como falar de
esperança quando ela desaparece do horizonte para ser
construída na fila do desemprego?
Trabalhadores tem a sua esperança reduzida às
necessidades imediatas. Falar de esperança é
falar do pão nosso de cada dia. Um dia após
o outro... Não é uma grande esperança,
mas quando se está com fome, quando as panelas estão
vazias e as contas atrasadas, esta esperança é
tudo.
Esperança cristã é esperança
para vida, e vida em abundância. É uma esperança
que passa pela garantia do pão de cada dia, mas não
pára na refeição seguinte. Vai além.
Ela é carregada pela força do Espírito
Santo que vem como o vento e dissipa o nevoeiro que escondia
os caminhos de esperança.
Jesus promete a vinda do Espírito Santo. Quando Jesus
vai para junto de Deus, ele deixa entre nós o consolador.
Será que teremos que entrar numa fila para recebê-lo?
Vamos preencher uma ficha e aguardar uma entrevista para sermos
escolhidos para receber esta bênção?
Receber o Espírito Santo não é uma conquista
pessoal. Nem precisamos passar por um processo de seleção
para sermos abençoados. Deus aboliu as filas. Esta
é a esperança que vem de Deus. Não há
filas. O Espírito Santo não faz processo de
seleção. Ele não escolhe alguns deixando
muitos sem perspectiva de trabalho, de vida. Ele não
escolhe alguns, deixando muitos na procura de uma nova fila,
na busca contínua pelo pão de cada dia sem a
certeza de que irão consegui-lo.
O Espírito Santo traz esperança construindo
a paz que só é possível quando se vence
as desigualdades. Ele valoriza a diversidade, mas é
intolerante com a desigualdade. Deus derrama o Espírito
Santo sobre todos, conforme o livro de Joel 2.28 a 31. Os
velhos sonharão. Os moços terão visões.
O Espírito Santo ultrapassa as divisões sociais
e é derramado sobre os escravos e escravas. Ele supera
as desigualdades valorizando os dons de cada um. Ele aposta
no mutirão.
A esperança não está na fila, na seleção,
na escolha de alguns. A esperança é um caminho,
não uma fila. A esperança vem com o Espírito
Santo que fortalece os nossos passos, anima o nosso coração
e abre os nossos olhos para enxergamos o caminho além
do nevoeiro.