P. Germanio Bender *
"Cremos que todas as
coisas cooperam
para o bem daqueles que amam a Deus,
daqueles que são chamados segundo o seu propósito"
(Romanos 8.28)
Recentemente
sofri um grave acidente de carro. Como cristão
creio que não morri por graça de Deus. O
carro deu perda total, mas eu, apesar de vários
ferimentos, sobrevivi. Este acontecimento me levou a refletir
sobre a vida e os propósitos de Deus com aquilo
que acontece em nossa vida. Na minha reflexão cheguei
ao texto de Paulo aos Romanos citado acima.
Que belo testemunho cristão é confiar nesta
palavra. Talvez seja fácil dizer isso quando tudo
está bem e quando nós mesmos estamos bem.
Mas quando vem as dificuldades, os problemas, as doenças
e as surpresas que a vida traz, como nós reagimos?
Mas é exatamente para dentro dessa realidade que
esta palavra quer nos falar. Tudo coopera para o bem daqueles
que amam a Deus, mesmo que momentaneamente talvez nem
entendemos as razões de tudo que acontece com a
gente. Essa reflexão me lembrou uma interessante
história que li certa vez.
Conta-se que certo chinês gozava de grande prestígio
em sua aldeia. Seu único filho, seguindo as instruções
e o exemplo do pai, crescia em sabedoria e conhecimento.
Pai e filho dedicavam parte de seu tempo ao cultivo da
terra. Certa noite o filho esqueceu de fechar a porta
da estrebaria e o cavalo fugiu. Ao saberem do acontecido
os vizinhos comentavam com certa ironia: Mas que azar!
Encarando-os calmamente, o sábio perguntou: O que
é azar? Foi azar ou foi sorte? Ninguém entendeu
o que sábio queria dizer.
Como o cavalo estava acostumado a passar as noites de
sereno e frio na estrebaria, acabou voltando no quarto
dia. Para a surpresa de todos, trouxe consigo mais três
cavalos selvagens. Na boca dos vizinhos, uma só
exclamação: Mas que sorte! Repetindo a cena
de quatro dias antes, o sábio perguntou: O que
é sorte? Foi sorte ou foi azar? Mais uma vez as
pessoas não entenderam o que ele queria dizer.
Nos dias seguintes, o filho do sábio se ocupou
com o adestramento dos cavalos selvagens. Tudo corria
muito bem. Mas do último cavalo ele caiu e quebrou
uma perna. Ao visitá-lo, os vizinhos comentavam
consternados: Mas que azar! Ao que o sábio novamente
perguntou: O que é azar? Foi azar ou foi sorte?
Há muito tempo havia conflitos entre aquela aldeia
e uma aldeia vizinha. Naqueles dias estourou a guerra.
Todos os jovens foram convocados para lutar. Menos o filho
do sábio que estava com a perna quebrada e por
isso foi dispensado. Tristes com o fato de seus filhos
estarem na guerra, os vizinhos disseram ao sábio:
Mas você é de sorte! Mas o sábio respondeu:
O que é sorte? Foi sorte ou foi azar?
Muitas pessoas pensam que a nossa vida é um joguete
entre sorte e azar. Tem gente que acredita que somos como
uma peteca que é atirada de um lado para o outro;
pensam que dependemos de um destino cego, traçado
para cada um de nós, do qual não podemos
fugir. Outros são escravos de horóscopos
e de previsões quanto ao futuro; pensam que sua
vida segue mapas astrais e que cada dia já está
traçado em sua jornada desde o seu nascimento.
A palavra da Bíblia que lemos acima não
diz isso. Afirma, pelo contrário, que a nossa vida
está nas mãos de Deus. Que ele cuida de
nós todos os dias. Deus não abandona aqueles
que nele confiam. Podemos ter esta certeza: Em qualquer
situação, também em meio aos problemas,
Deus está trabalhando para o nosso bem. Ele transforma
o mal, que não é da sua vontade, no bem
que ele quer. Quando as tempestades da vida se abatem
sobre nós podemos fazer como a águia, que
aproveita o vento da tempestade para subir ainda mais
alto. As dificuldades da vida querem nos levar para mais
perto de Deus e não afastar-nos dele.