Pª. Andrea Luisa Mühlhäusser
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"15 - Porque assim diz o SENHOR
Deus, o Santo de Israel: Em vos converterdes e em sossegardes, está
a vossa salvação; na tranqüilidade e na confiança,
a vossa força, mas não o quisestes.
16 - Antes, dizeis: Não, sobre cavalos fugiremos; portanto, fugireis;
e: Sobre cavalos ligeiros cavalgaremos; sim, ligeiros serão os
vossos perseguidores.
17 - Mil homens fugirão pela ameaça de apenas um; pela
ameaça de cinco, todos vós fugireis, até que sejais
deixados como o mastro no cimo do monte e como o estandarte no outeiro."
(Isaías 30, 15-17)
Moradores que presenciaram o início do maremoto
no sul da Ásia relataram: Nós vimos quando a primeira
onda se aproximou da praia, em busca de socorro corremos para dentro
do hotel, mas em vista da segunda onda, nada mais socorreria os que
estavam na praia, porque ela varreu tudo. Corremos para nos escapar
da violência do mar.
Dimensões de uma catástrofe da natureza nunca antes vista.
Na segunda-feira, um dia depois, eram 11.000 pessoas mortas, cinco dias
depois já se noticiava a morte de mais de 150.000. O risco de
epidemias, devido à falta de água tratada, à rápida
decomposição dos corpos mortos nesta época de calor,
à proliferação de insetos, à falta de alimentos,
à destruição das instalações de saneamento
público, à falta de hospitais, de medicamentos e de auxílio
médico, faria mais vítimas. Abalou o mundo todo. Principalmente,
porque muitos cidadãos e cidadãs, do mundo inteiro, buscam
nesta região, longe de suas casas, suas férias merecidas.
Mais do que legítimo... Igualmente, mais do que legítimo
é países do mundo inteiro sentirem-se compromissados neste
momento em enviar auxílio, das mais diferentes formas: alimentos,
roupas, medicamentos, verbas, auxílio humano, médico,
pedagogos, sanitaristas. O presidente de um país conclamou a
população à solidariedade dizendo: Está
na hora de nossos esforços políticos estarem voltados
ao UM mundo que somos. (Porque é um absurdo dividirmos o mundo
em que vivemos em primeiro, segundo, terceiro... mundo. Somos um mundo
só!).
O tema desta reflexão é: VOCÊ TEM FUGIDO
DO QUE?
O
texto de Isaías relata como o povo, ao invés de voltar-se
ao seu Deus, de confiar nele, confia em suas forças, faz alianças
com outro país (com o Egito, neste caso), para fugir daquilo
que os ameaça ("os inimigos"- a Assíria)...
Quais os mecanismos de fuga que nós usamos? Fugir da realidade
(reprimir, esquecer, partir para outra!!!) é algo que nós
humanos e humanas sabemos fazer e muito bem! Ao invés de montarmos
cavalos ligeiros, "montamos" na frente da televisão.
Precisamos de ruídos, de barulho, para escapar de nossos pensamentos
que torturam; ou, pra arejar, fumamos um cigarrinho; pra escapar de
nossa vulnerabilidade, falamos, falamos, até não poder
mais da vida alheia; ou, para escapar (esquecer) fugimos para dentro
de nossos afazeres (vício do trabalho!); ou fugimos para a leveza
que o álcool nos proporciona ou a satisfação que
a comida nos dá.
É engraçado dizer que a gente foge dos seus pensamentos.
Porque, pensando bem, a gente acaba fugindo é de si mesma, acaba
sendo inimiga da gente mesmo. Passando para uma esfera global da humanidade...
Na economia, parece que só funciona a lógica da concorrência
- o outro país como inimigo - e a gente, é claro, sempre
precisa estar melhor do que o outro, isto é, estar em 1°
lugar!- cair no ranking é perder!!! Os economistas dizem com
orgulho que neste ano a economia mundial cresceu demais. Se nos anos
90, o PIB estava com um crescimento de 3,4%/ano, neste ano foi de 5%....
Só que parece que a nossa economia virou inimiga da gente mesma.
Continuam morrendo crianças aos montes de fome, milhares de pessoas
marginalizadas pela fome, entram no mundo do crime, crianças...
Na concorrência pelo poder, se guerreia, mata, no mundo todo:
atentado em Madri, em março que matou 191, atentado em Beslan,
no interior da Rússia matou mais de 340 pessoas, entre elas principalmente
crianças, logo na virada do ano a morte de 175 jovens numa discoteca
na Argentina, que tiveram a saída barrada, porque não
haviam pago seus gastos, a guerra dos EUA com Iraque continua, e a guerra
entre Israel e Palestina... não sei nem mais o que dizer. Yasser
Arafat morreu e Bush foi reeleito... E, toneladas de lixo no mundo são
fabricadas com esta economia da concorrência e da rivalidade:
1000 toneladas de lixo por segundo!! Como esconder o lixo, até
quando?!.... Da mesma forma como na economia, os avanços da tecnologia
parecem estar contra a gente, contra a vida. Agora descobriram que houve
água, vida em Marte, porém o cuidado e a distribuição
igualitária da água aqui na terra, o desmatamento, as
queimadas, emissão de dióxido de carbono na atmosfera...
parece não ser relevante quando nações decidem
em que investir. Será que os avanços na economia e na
tecnologia viraram forças autônomas que nos dominam, submetendo-nos
à desigualdade, à miséria, à violência,
à inimizade e à destruição?
O que desejamos para este novo ano? Silencia. Nosso texto diz: Em vos
converterdes e em sossegardes, está a vossa salvação;
na tranqüilidade e na confiança, a vossa força. SILENCIA:
Deus precisa de nosso silêncio para que ouçamos o sopro
de sua voz - para que sintamos a saudade mais remota que existe e sempre
existiu em nós - a vontade de ser amada e aceito, a vontade de
amar, de aceitar, a saudade de reconciliar-nos conosco, com os outros,
com o mundo... Sem concorrência, sem inimizade. Creio eu que a
simplicidade, a sinceridade e a dignidade da vida é a perspectiva
de Deus, nascido criança na manjedoura, que renova a nossa esperança
e a nossa alegria de ser, estar e zelar a VIDA, neste ano novo.
Feliz ano novo!! Amém