P. Hermann Wille *
A
semana que seguiu a páscoa, neste ano de 2005, foi das mais carregadas
e marcantes. Toda a polêmica e emoção em torno do
caso " Terri ". A agonia de João Paulo II. Milhares
de pessoas em todo mundo dirigindo preces ... Para que melhorasse? Para
que não sofresse? Ou, para, de forma inconsciente até,
dar vazão a necessidade de tê-lo para sempre como líder
?
O que tornou tudo tão carregado? A consciência, talvez,
de que existem coisas que nós absolutamente não conseguimos
reter e guardar.
No entanto, também existem coisas que nós tivemos a felicidade
de experimentar. E estas ninguém nos tira. A qualidade destas
experiências alimentam em nós a noção de
que as coisas não se perdem, não se esvaem simplesmente.
Como ficamos nós em meio a tudo isto?
Disse Jesus: "Não me detenhas. Subo para meu Pai e vosso
Pai. Subo para meu Deus e vosso Deus!"
Não restam apenas o anonimato, o vazio, e o que é obscuro.
Existe uma direção, um lugar. Não só uma
direção, não só um lugar, existe um conteúdo,
uma qualidade a ser buscada e encontrada.
"Meu Pai é o vosso Pai. Meu Deus é o vosso Deus"
- disse Jesus, o ressurreto.
As evidências comprovam: alguém tirou, alguém levou,
alguém escondeu, alguém perdeu... desencontrou.
"A quem procuras? " - Ela supondo ser ele o jardineiro, respondeu:
"Senhor, se tu o tiraste, dize-me onde o puseste, e eu o levarei."
Disse-lhe Jesus: " Maria! "
Ela, voltando-se, lhe disse: "Mestre!"
Neste momento, os desencontros, o vazio, a confusão, o luto;
nada superou a força da abordagem e o conseqüente reconhecimento
mútuo.
Maria pode reagir porque foi reconhecida e reconheceu. Voltou a ter
algo para anunciar. Não permaneceu na perda, no vazio, em sua
confusão. Foi chamada pelo nome e isto aqueceu o seu coração.
E esta experiência alimentou nela a noção e a profunda
confiança de que nós temos um endereço e um destino
que é maior do que aquilo que as mais duras contingências
da vida tentam tirar.
* Hermann Wille é pastor na Paróquia
Santo Amaro