Pª. Anete Roese *
Nos
tempos do Antigo Testamento, a dignidade da mulher dependia dos filhos
que gerava, especialmente dos filhos homens e da quantidade de filhos.
Ser mãe era o que tornaria a mulher um ser humano reconhecido.
Esse contexto nós podemos conferir na história de Ana.
Ana era estéril e, por isso, seu marido Elcana tinha o direito
de se casar com outra mulher. Só muito tarde Ana gerou filhos
- um primogênito, homem, chamado Samuel. Mas Penina, a outra esposa
de Elcana, gerou 10 filhos. Ela tinha muito orgulho da sua maternidade
(1 Sm 1-2).
Também Sara, casada com Abraão, era estéril. Então,
juntos decidiram que teriam uma criança através de sua
escrava egípcia Hagar. Assim nasceu Ismael. Mais tarde também
Sara teve uma criança, um primogênito, filho homem, chamado
Isaque (Gênesis 16 e 21). Outra mulher que enfrentou uma dura
luta para se tornar reconhecida foi Tamar - "tataravó"
de Jesus (Mateus 1). Ficou viúva duas vezes e sem filhos. Sofreu
injustiça por parte de seu sogro que a fez voltar para a casa
de sua mãe. Mas encontrou uma saída: vestiu-se como prostituta
e ficou na beira da estrada numa ocasião em que seu sogro Judá
foi à cidade. Então ela teve gêmeos de Judá
(Gênesis 38). Há também as irmãs Lia e Raquel,
ambas casadas com o primo Jacó. Lia foi abençoada com
seis filhos e uma filha. E Raquel, depois de sofrer amargamente com
a esterilidade, gerou José e Benjamim. Jacó teve mais
quatro filhos com as servas das esposas, Bila e Zilpa (Gênesis
29-30).
Depois, temos uma grande mãe no Novo testamento: Maria. Maria
é a mãe que sintetiza muito bem um novo tipo de maternidade.
Ela é uma jovem mulher que concebe uma criança em condições
de mistério, que não tem reconhecimento da sociedade.
Fica sozinha. Prestes a perder seu noivo. Depois, dá à
luz em condições precárias. Revela-se profetiza
e corajosa. É uma mulher inteligente e presente na vida de Jesus
e educa seu filho com desapego, preocupação e liberdade.
Uma mãe desesperada é a mãe cananéia que
busca cura para a sua filha, implorando a Jesus que olhe por ela. Teve
tremenda coragem, pois debateu com Jesus e fez com que Jesus mudasse
de idéia (Mt 15.21). É assim: a mãe que tem uma
filha doente move montanhas e conceitos!
Em outras ocasiões também Deus se revela como uma mãe
(veja: Is 42.14; 49.15; 66.13). E, além de todas estas mães,
não nos esqueçamos do quarto mandamento que pede que toda
a mãe seja respeitada e honrada. Assim seja!
* Anete Roese é pastora na Comunidade
de Belo Horizonte
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