Pª. Margarete Emma Engelbrecht
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Sempre
se diz que quem tem amizade, fala a verdade, não mente, corrige,
e tem toda a abertura para chegar do jeito que for, que a amizade resiste
a tudo isso.
Temo que não. A amizade precisa ser cuidada, com zelo, com carinho,
com dignidade. Amizade, que não é tratada com respeito,
começa a estragar, começa a deixar de ser amizade.
Há algumas amizades que nos seguem a vida inteira. Nada de visitas
constantes, nada de telefonemas prolongados, mas em determinados momentos,
quando se reencontra, de forma casual ou programada, a conversa flui,
os segredos são partilhados, a vida é contagiada com a
graça da intimidade. Outras amizades não resistem a longos
períodos sem notícias, contatos.
Lembro de mulheres que acompanharam Jesus, nos relatos do Novo Testamento.
O acompanhamento a Jesus tornou-as próximas, talvez, entre si.
Mas elas eram amigas de Jesus. Por serem amigas de Jesus, o acompanhavam.
Ele as procurava. Elas o serviam. Ele as curava, consolava. Elas o fortaleciam,
preparavam-no para a morte. Ele as salvou. Elas levaram adiante a mensagem
da ressurreição para outras pessoas.
A amizade não tornou Jesus igual às mulheres, nem as
tornou igual a Ele. Ele era diferente de cada uma, e com certeza, cada
uma era diferente entre si.
Quando a amizade quer tornar a pessoa com quem nos relacionamos, alguém
diferente do que é, deixa de ser amizade para se tornar vínculo
empregatício, vínculo de propriedade. A amizade percebe
como é a pessoa com quem nos relacionamos e vai aceitando seu
jeito de ser, sua forma de viver. Ao mesmo tempo, a amizade vai curar
feridas que são feitas até mesmo na família, a
amizade vai consolar perdas e vai perdoar atitudes que trazem perda...
É interessante perceber que a amizade não é automática.
Nós nos relacionamos bem com nossas amizades, mas nem por isso
as amizades destas são extensivas a nós. Isso mostra quanto
selecionamos e somos selecionadas em nossas amizades. Os amigos e as
amigas de Jesus nem sempre permaneceram sendo amigos e amigas. Houve
acusações e desavenças entre essas pessoas.
Em comunidade, nosso jeito de ser, às vezes, exclui outras pessoas.
Nossos gestos, nossas palavras nem sempre são aceitas automaticamente.
Por isso mesmo, vida em comunidade é aprendizado de convivência.
Não somos pele da mesma pele, carne da mesma carne. Somos diferentes.
Comunidade é exercício de convivência. Mas, por
isso mesmo, é lugar de se colher boas amizades. Nunca uma igual
à outra. Sempre diferentes. Mas que levam a Boa-Nova da ressurreição
adiante. Graças a Deus!