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fé e compromisso
diante da corrupção
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P. Dr. Rolf Schünemann *
De
tempos em tempos e, em especial, nas últimas semanas, somos
bombardeados por notícias que tratam da corrupção
em nosso país. De fato, constatamos que na história brasileira
a corrupção tem sido um mal, uma doença perniciosa,
uma bactéria destruidora da sociedade. Ela afeta as relações
sociais, políticas e econômicas, forjando uma cultura
danosa a partir da qual procura-se levar vantagem às custas
do dinheiro público ou tirar proveito da boa fé do povo.
A corrupção leva à corrosão das relações
de confiança nas instituições políticas.
Ela decompõe o tecido social. A política entra em estado
de putrefação. As pessoas se distanciem cada vez dela.
O mau cheiro da decadência favorece os urubus oportunistas.
A partir da teologia luterana Deus tem o Estado como instrumento da
ação no mundo. Deus coloca a seu serviço governos
e instituições. O Estado para cumprir suas funções
carece de receitas tributárias. O imposto é o recurso
mais corriqueiro para viabilizar as ações do Estado na
sociedade. Os impostos são pagos pelos cidadãos, a sociedade
em geral. Pagar impostos significa contribuir para a missão
de Deus através do Estado. Não se trata aqui de discutir
o mérito da política fiscal e tributária do país.
Importante é reconhecer o princípio teológico
que vê a ação de Deus no braço estatal e
nas demais instituições sociais e políticas. Que
fazer quando os recursos são mal aplicados ou desviados?
Aqui entra o papel conferido aos cristãos. Fé, gratidão
e compromisso abrangem também a dimensão pública.
O cristão reconhece que tudo vem de Deus. Que seus recursos
são dádivas que ele procura administrar e colocar a serviço
da missão de Deus no mundo. Isso tem como conseqüência
um acompanhamento criterioso do uso e aplicação dos impostos
pagos ao Estado. Quando há corrupção, os recursos
do povo são mal administrados. Como cidadãos não
só denunciamos a corrupção, mas exigimos a apuração
das denúncias bem como a punição dos responsáveis.
Jesus afirmou: “Vós sois o sal da terra!”. O sal
tem a qualidade de conservar e evitar a deterioração
de tecidos vivos. Impede a podridão e a corrupção.
Os cristãos estão presentes na sociedade. Dissolvem-se
em seu interior para manter o tecido social segundo os desígnios
de Deus. Com base nos valores evangélicos e segundo seus dons
atuam na vida pública como parte da missão de Deus no
mundo. Continuemos a nossa vigilância em oração
e em ação efetiva na sociedade.
* Dr.
Rolf Schünemann é pastor Sinodal no Sínodo
Sudeste, e 2º vice-presidente da IECLB.
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