P. Dr. Rolf Schünemann *
O
profeta-poeta “Gentileza”, famoso no Rio de Janeiro por
suas inscrições nos muros e nas pilastras dos viadutos,
afirmava que, ao invés de falar “Obrigado”, dever-se-ia
dizer “Agradecido”.
Há, de fato, uma grande diferença entre
as duas expressões, e a segunda reflete diretamente aquilo que
queremos dizer.
Somos educados para sermos agradecidos. Boas maneiras, etiqueta e
bom comportamento recomendam que nas relações humanas
tenhamos uma atitude de gratidão. Por que agradecer? Eu diria
que o agradecimento espelha a interdependência humana. Reconhecemos
que não podemos viver sozinhos.
A partir da fé cristã, estabelecemos uma relação
com Deus que traz embutida uma dimensão de carência e
dependência. Reconhecemos que não somos auto-suficientes.
Tudo o que somos e temos devemos a Deus, o Criador e Mantenedor da
vida. Render graças ao Senhor é, por assim dizer, uma
atitude de humildade e de reconhecimento dos filhos e das filhas de
Deus, em função dos inúmeros benefícios
e das inúmeras dádivas recebidas.
Agora, por que dia de ação de graças? A gratidão
não deveria ser algo natural no dia-a-dia? Sem dúvida,
aprendemos na nossa vida de fé que em nossas orações
agradecemos primeiramente e depois pedimos. Dedicar um dia, um domingo,
como Dia de Ação de Graças, significa dar um destaque
especial para esta dimensão de nossa fé. Confessamos
publicamente que, apesar de nossa indignidade, Deus nos abençoa
com toda sorte de benefícios. Apesar de muitos reveses e frustrações,
podemos colocar nossa vida diante de Deus e dizer-lhe que queremos
viver segundo a sua vontade. A partir da fé reconhecemos como
dádiva de Deus, os dons e habilidades, o trabalho, os bens,
a saúde, os amigos e as amigas, a família, enfim, tudo
que favorece o acontecimento da vida.
Dia de Ação de Graças é um dia em que
demonstramos com gestos concretos que em nossa vida carecemos de Deus
e dos irmãos e das irmãs.
“Bom é render graças ao Senhor e cantar louvores
ao teu nome, ó Altíssimo” (Salmo 92.1)