P. Guilherme Lieven *
Sabemos
que o dinheiro doado para a Igreja, ou a contribuição,
não nos distingue diante de Deus. A contribuição é uma
dádiva, uma resposta para o amor e para a graça que
já nos foi dada por Deus.
Já desde o início, conforme os relatos bíblicos,
no tempo do Templo de Jerusalém, o povo aprendeu a responder às
imensas dádivas recebidas de Deus com doações
para as festas da Páscoa, da Colheita, do Fim de Ano, do Dia
do Perdão, das Barracas e através do dízimo.
Os que crêem em Deus sempre compreenderam que tudo que lhes
pertence e todos os bens da criação são dádivas
do Deus Criador, que possibilitam a vida no mundo. Sabem também
que a salvação é uma dádiva, doada por
Deus em Jesus Cristo, através da cruz e da ressurreição.
Os cristãos conscientes, com a sua doação em
dinheiro para a Igreja, com a sua contribuição, tornam
visível e prático o seu agradecimento a Deus na certeza
de que Deus aceita o seu gesto e o transforma em bênçãos.
Pelas Sagradas Escrituras aprendem que Deus ama a quem dá com
alegria (2 Coríntios 9.7), que a dádiva não
os faz melhores ou piores diante de Deus, mas quando brota do coração,
quando espontânea, é ação viva de agradecimento
que os envolve na dinâmica salvadora de Deus, aquela que acontece
especialmente através das comunidades e da Igreja.
Recebemos a missão de viver em comunidade, de sermos Igreja
de Jesus Cristo neste mundo, um sinal de esperança e da presença
viva de Deus na história e na Criação. Esta
missão gera responsabilidades. E estas responsabilidades,
por sua vez, precisam ser partilhadas. A contribuição é uma
faceta importante desta partilha. E, novamente, ela revela o amor
de Deus quando ele não retém para si o que lhe retribuímos
em agradecimento. Mas transforma a contribuição em
dinheiro num movimento vivo de dádivas que sustenta a Igreja
no mundo e se torna expressão de um amor que se traduz em
responsabilidade, solidariedade, proclamação de amor
de paz e de justiça. Por isso dizemos que a contribuição
em dinheiro para a Igreja participa da construção de
sinais visíveis da missão de Deus na Criação.
Quem doa dinheiro para a Igreja regularmente não faz uma
simples contribuição. Este gesto tem como pano de fundo
uma fé amadurecida, uma interação alegre e respeitosa
com as abundantes dádivas de Deus, um amor atento às
orientações e à missão de Deus.
* Guilherme
Lieven é pastor na Paróquia ABCD