P. Ernani Röpke *
No
dia 27 de novembro celebramos o primeiro domingo de Advento. A palavra
Advento vem do latim e significa: vinda, chegada, está chegando.
Eu diria, Advento simboliza aquela visita, chegada inesperada, sem
aviso prévio: “Mãe, pai chegou alguém para
nos visitar!” Uma visita que pode provocar duas reações
diferentes: ou ser motivo de muita alegria ou de preocupação
e desconforto, principalmente quando a casa está totalmente
bagunçada. Pois ninguém gosta de receber uma visita sem
ter as coisas bem ajeitadas e limpas. Talvez até com algo especial
preparado para oferecer.
Advento para muitos é tempo de limpeza geral
na casa. É tempo de preparar a casa para receber as visitas
que virão no Natal. Oferecer um ambiente gostoso e agradável é,
sem dúvida, também uma demonstração de
amor e carinho que temos em relação aos que queremos
acolher.
Porém, será que Advento significa só limpeza
geral e total na casa? Cristo afinal de contas veio por quê?
O lugar onde Ele nasceu estava totalmente limpo?! Advento tem um significado
muito mais profundo! Advento anuncia a chegada de Cristo para dentro
de nossas vidas. Para dentro do nosso coração. É esta “casa”,
sobretudo, que merece uma limpeza maior.
Quantas famílias, apesar da casa estar impecavelmente limpa,
com uma farta refeição e presentes para todos, não
festejam o Natal num clima hostil e de inimizade justamente por não
terem feito uma limpeza geral no coração antes?
Advento é o momento de perguntar e ver se Cristo ainda tem
um espaço na minha vida. Se a sua chegada vai ser motivo de
alegria ou transtorno! Pergunte-se: Como está o meu relacionamento
conjugal? Que relação tenho com os meus filhos/as? Como
estão as minhas amizades? Estou realizado na minha profissão?
Como posso tornar o ambiente em que vivo mais alegre, fraterno e humano?
Estimado leitor, cada um sabe quanta desordem Cristo pode encontrar
na nossa vida. Muitas vezes ela pode ser tão grande que nem
espaço para Ele há em nosso coração. Porém,
se dedicarmos tempo para Ele, para uma “limpeza”, o Natal
será mais alegre e cheio de paz. Para nos ajudar nisso, uma
história da África nos conta o seguinte:
“Depois que a comunidade havia se retirado do templo, tudo silenciou
ao redor altar. Foi quando Jesus levantou a cabeça e olhou para
a porta. Ali estava um menino tímido, abatido e triste.
-- Chega mais perto, disse Jesus. Por que estás com medo?
-- Eu não trouxe nenhum presente para ti, respondeu o menino.
-- Oh, mas eu gostaria que me desses três coisas, disse Jesus.
-- Mas eu não tenho nada para te dar, respondeu o menino, encabulado.
-- Podes me dar o desenho que fizeste hoje de manhã?
-- Ninguém gostou do desenho, disse o menino com tristeza.
-- É por isso mesmo que o quero. Quero que sempre me dês aquilo
que os outros não gostam e também aquilo que não gostas
em ti. Como segundo presente dá-me teu prato.
-- Eu o quebrei hoje de manhã.
-- Sim, é por isso mesmo que eu o quero. Quero consertá-lo.
Quero que sempre me tragas o que se quebra em tua vida. E como última
coisa, quero que me dês a resposta que deste a teus pais, quando te
perguntaram a respeito do prato.
-- Eu menti disse o menino.
-- Eu sei, respondeu Jesus. Mas quero que sempre me tragas para mim o que
está errado em tua vida: tuas maldades, mentiras, tristezas, complexos
e tua falta de confiança. Quero dar-te minha alegria para substituir
a tua tristeza, minha paz para a tua ansiedade, minha verdade para as tuas
mentiras e o meu amor para preencher a tua amargura.”
Advento é tempo de “limpeza”. É tempo de
tirar de nossas mentes e corações tudo o que nos impede
de viver e de ir ao encontro do outro. É tempo de dar, sobretudo,
espaço para Cristo em nosso coração. É tempo
de rever valores e reativar relacionamentos cortados para que o novo
ano que se inicia possa realmente corresponder às palavras que
nos desejamos mutuamente no final de cada ano: Paz, saúde, alegria,
fraternidade, comunhão... Advento é, sobretudo, tempo
de ver o que Cristo quer de nossas vidas – se os objetivos traçados
correspondem à sua vontade última: “Que vos ameis
uns aos outros, assim como eu vos amei...” (João 13. 34).
P. Ernani.