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quaresma: tempo para se retirar
 

Pª Aneli Schwarz *

Contam os três primeiros evangelistas que Jesus, após ser batizado, retirou-se para o deserto, onde permaneceu por quarenta dias e teve que enfrentar vários tipos de tentações. E tendo passado por elas, deu início à sua missão de propagar o Reino de Deus.

Em diversas partes dos Evangelhos encontramos passagens onde Jesus, antes ou depois de fazer algo que lhe exigia muito como Deus-humano que era, se afastava um pouco das multidões ou mesmo dos próprios discípulos para orar e se recompor.

Temos aí a imagem do filho que precisava conversar com seu pai, apresentar-lhe seus medos, suas fraquezas, buscar coragem e sabedoria para seguir em frente e fazer não a própria vontade, mas a Daquele que o havia enviado. Isso fica ainda mais evidente quando, em seu último retiro, estando no Getsêmani, Jesus ora e expõe a Deus toda a sua fragilidade e necessidade de desprendimento diante do que tinha pela frente. Ali Jesus busca reunir forças pois se encontra totalmente só e não pode contar sequer com seus melhores amigos que, ao invés de ficar em prontidão, caíram no sono, desatentos à angústia do seu mestre e amigo.

Esses relatos querem ser para nós, neste tempo que antecede a Páscoa, um convite à sensibilidade e a que também nos permitamos fazer retiros: de rotinas sobre as quais nem refletimos, de cobranças por atender padrões de comportamento que nos roubam a naturalidade, de dependências dos mais diversos tipos (dependência de consumir, de se ocupar o tempo todo, de comer, de jogar e até mesmo da dependência química etc.). Creio que há uma lição no fato de Deus ter criado dia e noite, inverno e verão, dias de sol e de chuva; penso que era para que houvesse espaço e tempo para fazer pausas, para se recolher, para fechar os olhos, silenciar, descansar e não se gastar em atividades ou num ativismo impensado e ininterrupto.

Que, ao exemplo de Jesus, aprendamos a fazer pausas e que nestas nos permitamos olhar para a vida como algo que nos foi dado para cuidar; que saibamos contemplá-la como a uma criança de colo, que requer atenção e cuidados para se desenvolver com saúde e em segurança, enquanto nos sensibiliza com seu sorriso.

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* Aneli Schwarz é pastora em Belo Horizonte.

 

 
 
 

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