P Matthias
Ristau*
Na
semana antes de Pentecostes cristãos de muitas igrejas no mundo
todo celebram a Semana de oração pela unidade dos cristãos,
esse ano preparado por cristãos católicos, protestantes
e outros da Irlanda. Na história daquele país foi muito
forte a dor da separação entre os cristãos que
causou até a divisão do país até hoje e
a guerra civil.
E aqui no Brasil parece que a briga entre as igrejas está sempre
aumentando. Por que tanta divisão entre os cristãos?
Jesus não fundou uma igreja só?
Tem aquela visão da história da igreja que no começo
existia uma só igreja e só depois houve separações.
Eu vejo isso bem diferente:
A igreja, se diz, nasceu no dia de pentecostes, cinqüenta dias
depois da páscoa (Pentecostes em grego quer dizer cinqüenta).
Naquele dia “todos os seguidores”de Jesus estavam junto
num lugar. Veio um barulho como um vento forte e algo como fogo e eles
receberam o Espírito Santo. Com isso nasceu a igreja porque
até aquele dia os discípulos ainda não tinham
iniciado a missão que Jesus deu a eles. Mas repletos do Espírito
eles logo começaram a pregar a todo mundo na rua e aconteceu
algo muito especial: eles conseguiram atingir todos que estavam lá,
pessoas de muitos países diferentes. Cada um ouviu eles falar
na sua própria língua.
Para mim isso é um claro sinal que Deus não quis uma
igreja uniforme e igual para todo mundo, mas uma igreja unida no espírito,
mas presente em muitas formas diferentes, conforme as línguas
e culturas diferentes que existem no mundo. No movimento ecumênico
se fala em “unidade na diversidade”. E isso não é algo
que foi inventado hoje, mas se olhamos para a igreja primitiva podemos
ver que desde o começo a igreja é assim (veja só as
diferenças entre as comunidades dos Gálatas e os Coríntios,
por exemplo). O milagre de pentecostes não é que todo
mundo falasse a mesma língua, mas o milagre é que os
discípulos de Jesus conseguiram falar em todos os idiomas diferentes
das pessoas presentes.
E quem conhece mais que uma língua sabe que nenhum pensamento é igual
numa outra língua. A partir de pentecostes Deus fez nascer uma
igreja de Jesus Cristo presente em muitas igrejas diferentes.
Oramos pela unidade dos cristãos, mas não por uma unidade
que deixa todos iguais. Somos diferentes, católicos, luteranos,
presbiterianos, metodistas e a grande pluriformidade das igrejas jovens,
chamadas pentecostais. Somos diferentes – até um luterano
no Brasil é diferente de um luterano na Alemanha.
O Ecumenismo busca a unidade dos cristãos, mas uma unidade
que aceita os outros como diferentes. E este ecumenismo é o
dom do espírito Santo que aconteceu no pentecostes: cada um
ouve a mensagem do evangelho do seu jeito.
Eu ouvi a mensagem como Luterano na Alemanha. Vejo que a mesma mensagem
aqui no Brasil já é diferente. E outros ouvem a mensagem
cada um na sua igreja, na língua que entende e no jeito que
consegue aceitar.
Somos diferentes. Mas em Jesus Cristo somos um (Gálatas 3.28:
todos vocês são um por estarem unidos com Cristo Jesus).
Vivamos esta unidade na diversidade conforme a vontade de Deus, aceitando
uns aos outros dentro de nossa igreja e nas outras igrejas.
Isto é o verdadeiro espírito de Pentecostes, não é exclusivo
dizendo que cristão é só aquele que é igual
a mim, mas é um espírito que inclui os diferentes e une
os em Jesus Cristo.