P. Germanio
Bender
Se
Deus existe porque há guerras? Se Deus existe porque há estiagem
em alguns lugares e enchentes em outros? Se Deus existe porque há tanta
violência, destruição da natureza, desigualdades
sociais, maldades, doenças, dificuldades, infidelidades, tristezas,
desgraças, fome, drogas, infelicidade, sofrimentos...?
Estas foram algumas das perguntas feitas num grupo de adolescentes,
quando motivados a refletir sobre a realidade em que vivemos. Certamente
são questionamentos feitos não apenas por adolescentes.
Também nós adultos fazemos perguntas parecidas com estas
quando somos defrontados com situações difíceis
em nossa vida. Quantas vezes já fizemos questionamentos semelhantes?
Não pretendo aqui responder a todos estes questionamentos,
mas convido para deslocarmos nosso olhar, mudar o foco de nossa visão.
Quero chamar atenção para a responsabilidade humana ao
invés de logo culparmos a Deus por todas as desgraças
que acontecem no mundo.
Neste sentido, de todas as perguntas levantadas naquele grupo de
adolescentes, apenas três parecem olhar nesta direção.
Elas diziam: Se Deus existe porque fazemos tanto mal uns aos outros?
Se Deus existe porque assassinamos e estupramos? Se Deus existe porque
fazemos tantas coisas erradas?
Ainda que seja uma diferença sutil, parece-me que aqui o olhar
mudou de direção. Ao invés de simplesmente culparmos
ou responsabilizarmos a Deus pelas maldades e misérias que há no
mundo, as perguntas apontam para a responsabilidade dos seres humanos.
Por que fazemos tanto mal? Mais ainda: Se Deus existe, se confiamos
nele, não deveríamos fazer o bem?
Isso me faz lembrar de duas palavras bíblicas que podem nos
ajudar nesta reflexão. Uma está no Antigo Testamento
e é do profeta Jeremias: “Enganoso é o coração,
mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto, quem o conhecerá?” (Jr
17.9). A outra está no Novo Testamento e é uma palavra
de Jesus: “Porque do coração procedem maus desígnios,
homicídios, adultérios, prostituição, furtos,
falsos testemunhos, blasfêmias” (Mateus 15.19).
Ou seja, ao invés de culparmos a Deus por todas as maldades
e tragédias, somos chamados à responsabilidade. Nós
mesmos, como seres humanos, provocamos muitas desgraças e somos
responsáveis pelas maiores maldades que acontecem no mundo.
Reconhecendo isso somos convidados a mudar de atitude, a melhorar
nosso comportamento, a responder por nossas ações, a
não fugir de nossas responsabilidades, a não culpar alguém
outro, nem que seja Deus. Se Deus existe, isso deveria nos dar esperança
e aumentar a nossa responsabilidade. Se Deus existe, então podemos
recorrer a ele assim como fez o profeta Jeremias que clama pela ajuda
de Deus, orando: “Cura-me, Senhor, e serei curado, salva-me e
serei salvo” (Jr 17.14).