P Mauri Kappel
Texto
bíblico: Eclesiástes 3.1-8
Prezado amigo, prezada amiga:
Somos imensamente agradecidos a Deus por tudo que temos recebido.
Pois ele é o criador de todas as coisas, e tudo o que ele colocou
neste mundo, o fez para o nosso bem; para que viva-mos bem, alegres,
felizes. O desejo de Deus é que nos sintamos bem em todas as
coisas. E é ele quem nos dá o pão de cada dia.
No seu Catecismo Menor, Lutero disse que o pão de cada dia
significa tudo o que pertence ao sustento e às necessidades
da vida, como por exemplo: comida, bebida, vestes, calçados,
casa, lar, campos, gado, dinheiro, bens, cônjuge, filhos, empregados
fiéis, chefes piedosos, bom go-verno, bom tempo, paz, saúde,
disciplina, honra, bons amigos, bons vizinhos, e coisas semelhan-tes.
É bem verdade que o ser humano provocou muito estrago na criação
de Deus: inventou coisas ruins e prejudiciais; envenenou o relacionamento
entre pessoas; acumulou para si bens e rique-zas em detrimento da necessidade
de outros; facilitou a propagação de doenças;
e assim por diante.
Além do mais, junto com os bons frutos que colhemos na horta
de nossas vidas, colhemos também frutos desagradáveis
e indesejados. Isto é, entre o nascimento e a morte existem
muitos altos e baixos; existem tempos bons e tempos difíceis.
Nesse sentido a agricultura nos fornece uma lição fabulosa.
Entre o plantio e a colheita existe uma sucessão de tempos que
marcam a plantação. São fatos, acontecimentos
e circunstâncias, boas e ruins, nas quais a planta não
tem como interferir, ela simplesmente tem que suportá-las: chuva,
vento, sol, claridade, escuridão, geada, granizo, pragas ...
Na verdade a planta nas-ce, cresce, mas também sofre. Enfrenta
uma sucessão de acontecimentos e fatores, sobre os quais não
pode interferir, mas que determinam o resultado.
Não é assim a vida humana? A nossa vida é uma
sucessão de acontecimentos, sentimentos e ações
agradáveis e desagradáveis. Existem os dias de “tempo
bom”, mas também os dias de “tempestades”.
Claro que existem circunstâncias que nós mesmo criamos,
e que podem dar bons ou maus resultados. Mas existem também
aquelas coisas que acontecem, sem a nossa vontade, e que simplesmente
temos que suportar, como a doença e a morte, por exemplo.
Sim, meus irmãos e irmãs, há tempo para tudo.
Tempo preenchido por acontecimentos e fatos, que acontecem num determinado
tempo. A nossa vida se transcorre numa sucessão de tempos: uma
hora derruba, outra edifica; uma hora chora, outra ri; numa hora ajunta,
noutra espalha; numa hora ama, noutra odeia.
Entre o nascer e o morrer está a vida, que é preenchida
por uma sucessão de tempos, nos quais nós temos sensações
boas e ruins; nos alegramos e choramos; nos sentimos felizes e infelizes.
No entanto, é consolador saber que, se a alegria não
dura para sempre, também não há tristeza que dure
para sempre. Tudo acontece por um tempo. E TODOS OS TEMPOS ESTÃO
NAS MÃOS DE DEUS. Nenhum deles passa despercebido diante de
Deus. E é ele quem faz com que tempos difíceis sejam
substituídos por outros bons.
Se olharmos para trás vamos constatar que, depois de tempestades,
o sol sempre tornou a bri-lhar nas nossas vidas. Pois tudo tem o seu
tempo e todos os tempos estão nas mãos de Deus.
E assim como o agricultor cuida com carinho da sua plantação,
assim também Deus tem cuida-do de nós. O agricultor não
evita completamente que desgraças aconteçam com sua plantação,
mas ele está lá, olhando com carinho, salvando o que
pode, fazendo o melhor possível.
Assim também Deus, ele não impede que o mal, o desagradável
e o triste aconteçam conosco. Ele protege e cuida o quanto possível,
mas ele dá a liberdade de ação e de palavra, que
também trazem suas conseqüências. Por causa da liberdade
que Deus dá ao ser humano, estamos sujei-tos a acontecimentos
desagradáveis.
No entanto, ele sempre esteve e sempre está conosco em todos
os acontecimentos que enfren-tamos, pois todos os tempos estão
nas suas mãos. Porque para ele nós somos, sem dúvida,
mais importantes do que a plantação é para o agricultor.
Pois, para nós ele deu o seu próprio Fi-lho, Jesus Cristo,
que, por nós morreu na cruz.
Como diz o salmista: à noite pode vir o choro, mas a alegria
vem ao amanhecer. Deus quer que vivamos com muita vontade, confiança
e alegria, pois se não há bem que sempre dure, tam-bém
não há mal que dure para sempre. E isto ele tem feito
por nós.
Seja, pois, elevada a Deus a nossa gratidão por tudo que ele
nos tem dado, porque as suas dádivas nos dizem que, nos bons
e maus momentos, ele nos carrega em suas mãos.
Amém