Walter L. Berner *
Muitas
são as ansiosas considerações
e interpretações que o ser humano ao longo de toda
a história, fez e continua fazendo, a respeito deste "personagem
bíblico", de tamanha importância para o "mundo religioso",
especialmente o "mundo cristão".
É preciso que se tenha contudo
em mente, algumas questões muito importantes a respeito destas
sistemáticas afirmações, por vezes radicais,
e até com uma dose de fundamentalismo ou apologia.
Em primeiro lugar é de se ter e
mente o quanto o povo judeu de então (e hoje ainda) seguia
rigorosamente o Pentateuco, onde está claramente escrito (Ex.20,4;
Dt.5,8) que não se faça imagem a semelhança
de qualquer ser em cima e debaixo da terra, sob pena de suas consequências.
Com esta lei sendo levada a rigor por aquele povo, desde o Antigo
Testamento e posteriormente durante a vida de Jesus, um judeu jamais "retrataria" uma
pessoa (nem qualquer outra imagem), e assim sendo, acrescido dos
conceitos artísticos de época, certamente não
se teria um registro de figura humana.
Observe-se no entanto que sómente
os documentos "tardios" dão alguma pista sobre a pessoa de
Jesus, já que em momento algum há uma descrição
precisa daquela pessoa.
Consideremos o "cidadão judeu" de
dois mil anos atrás: estatura média 1,60 m; (bem) moreno;
cabelos longos, roupas cinzas ou beges (nunca bracas por questões
religiosas e climáticas); olhos grandes escuros; nariz alongado.
As roupa coloridas eram privilégio dos Imperadores e dos romanos
(talvez os artistas O vestiram assim com mantos azuis e vermelhos,
para ressaltar "o Rei dos Judeus" = "INRI", e Sua "Santidade")
Isto não nos garante a semelhança "divina" citada
em Gn 1,26, que em alguns estudos teológicos, sua significação
está na esfera do espiritual e não do físico.
Uma "pista" (se isto é tão
importante) vamos encontrar na passagem bíblica de Zaqueu
o publicano (Lc 19,1-5). Aí podemos deduzir que Jesus não
era "mais alto" que o povo que o cercava, pois se assim o fosse,
talvez Zaqueu não precisasse subir numa árvore para
vê-lo... Sua simplicidade também fica patente, quando
de várias descrições no Novo Testamento, e ao
ser confundido em meio ao povo.
Ao longo de toda a história da
humanidade, ("nós") os Artistas interpretaram "à sua
moda e valia", os textos bíblicos, acrescentando uma boa criatividade
e imaginação (muito válido centro de suas limitações).
Daí, com muita "base apócrifa", e fantasia, foram surgindo
imagens deste personagem tão importante. Certamente que Jesus
foi um profeta iluminado, e irradiava isto em seu semblante. Certamente
foi um judeu simples, carpinteiro, que andou pelos quatro cantos
daquela região bíblica, mas que para os seus conterrâneos
era "inexplicável e misterioso". Sómente após
o Apóstolo Paulo, que viveu anos após a "história
de Jesus", é que seus ensinos, mistérios e ministério
foram, "claramente interpretados". Mas isto já é na
esfera teológica que aqui não é o caso...
Retratar a imagem de Jesus, e também
como alguns artistas fizeram em Capelas, pintando "Deus" em forma
corpórea humana, é certamente "apócrifo" para
não qualificar mais sériamente.
Principalmente
as obras que retratam estes personagens bíblicos "ocidentalizados" (olhos
azuis, cabelos loiros, roupas nobres e coloridas...) certamente não
conferem com o fato real e são apócrifos. Lamentavelmente
vamos encontrar também interpretações artísticas
profanando e vulgarizando estes "personagens tão sacros".
E isto é dramático, triste e grave...
Uma "imagem" tardia, atribuida "como sendo
a de mais perfeita similariedade" de Jesus, é o "Pantocrator" em
propriedade da Igreja Ortodoxa, em cujos "traços artístico" podemos "ler" as
informações bílbicas que revelam as mensagens
messiânicas e proféticas que Êle legou à humanidade.
Com todo respeito a todos e todas artistas, é de
se considerar as bases bíblicas antes de conjecturar ou formular
uma interpretação "apócrifa" ou profana, até em
respeito ao direito de credo e de fé de cada pessoa.
São belas as obras que interpretam
os legados bíblicos, basta lembrarmos de grandes mestres. É bom
ter em mente que "a pintura faz para quem não sabe ler, aquilo
que as letras fazem para os letrados" (Papa Gregório Magno,
sec.VI). A chamada "Bíblia páupebra", a Bíblia
inerpretada e pintada por muitos (não poucos) artistas, é de
suma importância incondicional. Mas igualmente importante é sabermos
(nós artistas) que somos
protagonistas de uma "verdade através
da linguagem Visual", e que carecemos respeitar todos os credos,
dogmas, pessoas e àcima de tudo, respeitar tudo aquilo que é Divino.
"A arte é o caminho mais curto
e sublime de aproximar o ser humano
a seu Criador, a Deus", portanto não
nos é conveniente criar imagens de veneração
nem tão pouco "objetos de escárnio ou escandalizadores".
Sejamos "protagonistas da verdade e do simplesmente belo".