Em
momentos determinantes da sociedade brasileira, a IECLB, no exercício
de
sua responsabilidade pública, tem dirigido a suas comunidades,
em particular
a seus presbitérios, e aos integrantes de seu quadro de obreiros
e obreiras,
sua mensagem de estímulo ao compromisso com a nossa realidade.
A carta pastoral de 11 de agosto de 2004, sobre as eleições
municipais, é um
destes exemplos. O mais recente tema de intercessão, que pede
pela
"Integridade ética na política e na vida pública
de nosso país" é outro
exemplo. Para esclarecer um pouco mais sobre este assunto, o Jorev
Luterano
ouviu o pastor presidente da IECLB, Walter Altmann.
Jorev Luterano - Qual a responsabilidade da comunidade cristã nas
eleições e
nos processos políticos?
Pastor presidente Walter Altmann - Pelo amor, as pessoas cristãs
são
servidoras umas das outras (Gálatas 5.13), e esse servir inclui
a política.
Assim, no ano passado, às vésperas das eleições
municipais, reafirmamos,
através de uma carta pastoral, a nossa responsabilidade como
Igreja de Jesus
Cristo nos assuntos políticos e sociais de nossa pátria,
chamando a atenção
para alguns
pontos decisivos no cenário político brasileiro.
Jorev Luterano - O novo tema de intercessão tem o mesmo objetivo?
Pastor presidente Walter Altmann - Como Igreja de Cristo, unidos em
torno do
Tema do Ano, suplicamos: "Deus, em tua graça, transforma
o mundo". Cremos
que a transformação que Deus promove atinge todas as
dimensões da vida,
também a vida social e política. A súplica a Deus é uma
reafirmação de fé de
que a transformação, em última análise,
vem de Deus. Ao suplicarmos, porém,
também nos comprometemos a ser instrumentos de Deus na transformação
do
mundo. A transformação do mundo implica simultaneamente
a transformação de
nossas vidas, de nossas igrejas, de nossas sociedades, a transformação
da
Terra. Ao intercedermos pela transformação da vida social
e política em
nosso país, também assumimos publicamente o compromisso
pessoal e
comunitário em defesa da ética.
Jorev Luterano - É possível vencer a luta contra a corrupção?
Pastor presidente Walter Altmann - É possível sim. Mas
essa é uma tarefa
permanente da sociedade organizada. De um lado, a corruptibilidade é própria
da condição humana. Assim, sempre haverá casos
de corrupção nas relações
interpessoais, no mundo dos negócios, na política, em
qualquer sistema e
regime. Mas ela não é fatalidade e pode ser combatida
e coibida, por
mecanismos legais, políticos, policiais e judiciais mais eficientes.
No
Brasil, constata-se crise de valores no âmbito pessoal e fragilidade
das
próprias instituições públicas que têm
a atribuição de zelar por ordem e
justiça social. Quando afloram casos de corrupção,
em forma de escândalo
público, há a oportunidade de a sociedade e suas instituições
se mobilizarem
para o aprimoramento de seus mecanismos e a punição de
responsáveis pela
corrupção. Contudo, para que a integridade ética
seja afirmada como um valor
permanente, seja na vida pessoal, familiar, profissional e nas relações
públicas, há a necessidade de um processo educativo permanente,
na formação
de uma cidadania ao mesmo tempo livre e socialmente responsável.