Reunidos em São Leopoldo-RS, nos dias 21-23 de setembro de
2001, nós, líderes da Igreja Evangélica de Confissão
Luterana no Brasil (IECLB),
estamos estarrecidos com a corrupção no Brasil, noticiada
pelos meios de comunicação.
Denunciam-se casos de:
- políticos, governantes e funcionários que usam
recursos públicos para proveito próprio;
- órgãos legislativos que abusam de seu poder para
legislarem em causa própria;
- integrantes do poder judiciário que estão envolvidos
na apropriação de vultosos recursos destinados à
Justiça;
- integrantes de todos os poderes que beneficiam parentes com cargos
públicos.
Em
vista disso, somos gratos por políticos e servidores públicos
que são honestos e íntegros. A corrupção,
porém, é tanta e tantas vezes passa impune que o povo
brasileiro resigna, se conforma e acaba assimilando a atitude corrupta
como normal.
Assim a corrupção está evoluindo como um câncer
que se espalha pelo tecido social. Destrói a vida em sociedade
e igreja, perverte as novas gerações e agrava os problemas
da desigualdade e da exclusão social. Prejudica também
a imagem, o desenvolvimento e a competitividade do Brasil no contexto
das nações, além de inibir os investimentos.
Denunciamos esta realidade
nefasta e deprimente porque Deus nos manda falar, conforme está
escrito no Salmo 82.2-4:
"Até quando julgareis injustamente,
e tomareis partido pela causa dos ímpios? Fazei justiça
ao fraco e ao órfão, procedei retamente para com o aflito
e o desamparado. Socorrei o fraco e o necessitado; tirai-os das mãos
dos ímpios."
Deus quer vida digna para todas as pessoas, especialmente para as
que mais dela carecem. Por isso, como cristãos, cientes de
nossa cidadania, nos empenhamos no combate à corrupção,
um obstáculo que prejudica e impede a vida.
Apelamos, pois:
- aos membros da igreja e ao povo em geral que acompanhem e fiscalizem
as pessoas eleitas para cargos públicos; que resistam a todo
e qualquer tipo de corrupção, não participem
dela e a denunciem;
- aos políticos, governantes, legisladores, promotores e
juízes que não desanimem nem resignem na luta contra
todas as formas de corrupção;
- aos proprietários dos meios de comunicação
e aos profissionais que neles atuam para que publiquem a verdade
sem medo, denunciem as pessoas corruptas e coloquem em destaque
as pessoas honestas;
- aos membros de todas as igrejas que roguem a Deus por governantes,
legisladores e profissionais de justiça honestos e competentes.
Conclamamos, portanto,
os órgãos governamentais e não-governamentais,
as igrejas, demais religiões e todas as pessoas de boa vontade
a unirem seus esforços na promoção da honestidade
e do bem-comum.
Fraternalmente,
(pelo Encontro da Presidência
com os Presidentes e Pastores Sinodais da IECLB)
Huberto Kirchheim