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guerra contra o Iraque
 

A Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) e a Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB) expressam conjuntamente a dor que sentem com a deflagração da guerra contra o Iraque por parte dos Estados Unidos da América e nações a ele aliadas. Irmanadas expressam sua solidariedade a todas as vítimas dessa guerra arbitrária, insensata e desumana.


Pomba pousa ao lado de soldado britânico em operação no deserto do Iraque

Como igrejas temos um compromisso permanente de fidelidade ao Evangelho e entendemos ser nosso dever, à luz da santa vontade de Deus, conclamar os povos para a paz, a justiça e o respeito à dignidade de toda vida humana, criatura amada de Deus.

São condenáveis todas as formas de violência, fruto do pecado humano, como regimes ditatoriais e ações de terrorismo. Contudo, a lógica da guerra é igualmente pecaminosa. Ademais, não reconhecemos a guerra como meio nem legítimo nem eficaz, muito menos moral, para atingir a paz e vencer o terrorismo. Ao contrário, seu resultado é a instigação de ódio ainda maior.

Igual rejeição temos para com o conceito de "guerra preventiva", conceito que deveria ser abolido definitivamente das relações internacionais. Não apenas a ordem interna das nações deve estar calcada no direito, mas também as relações entre as nações. Por isso, rejeitamos políticas unilaterais e baseadas na supremacia do poder militar. Inversamente, vemos como necessidade urgente reafirmar a legitimidade e a autoridade das instâncias multilaterais sob a égide da Organização das Nações Unidas (ONU).

Quanto aos aspectos religiosos e teológicos, ficamos também chocados com o abuso na invocação do nome de Deus, com o objetivo explícito de legitimar a ação bélica. Rejeitamos toda e qualquer noção de guerra santa. Deus é um "Deus de amor e de paz" (2 Coríntios 13.11) e Jesus declarou "bem-aventurados os pacificadores", e estes "serão chamados de filhos de Deus" (Mateus 5.9).

Conclamamos aos fiéis de nossas igrejas e a todas as pessoas de fé em Cristo a se empenharem em iniciativas de paz e em processos de educação para uma paz duradoura. Tampouco cessem de interceder pelo término da guerra, pelo respeito ao ordenamento jurídico internacional, pelo estabelecimento da paz, pelo fortalecimento da ONU e, sobretudo, em favor de todas as vítimas, muito em especial dentre as populações civis, mulheres, pessoas idosas e crianças. "Orai sem cessar." (1 Tessalonicenses 5.17)

Porto Alegre, 25 de março de 2003.

 

Carlos Walter Winterle
Walter Altmann
Pastor Presidente da IELB
Pastor Presidente da IECLB

 

  guerra contra o Iraque

Igreja Evangélica da Alemanha distribui comunicado oficial contra a ameaça de guerra ao Iraque

Declaração do Conselho da Igreja Evangélica na Alemanha: "Nas circunstâncias atuais, somos contrários a um ataque contra o Iraque"

 

 
Iraque, 07/02/2003
Cartaz anônimo diz "não à guerra", no Iraque
 

 

"Em grande consenso com as outras igrejas cristãs na Alemanha e no mundo, nas atuais circunstâncias, bem como por motivos de justiça internacional, somos contrários a um ataque contra o Iraque. Exigimos que permaneçam confiadas às Nações Unidas todas as possibilidades de outra natureza, de fato existentes, para alcançar o objetivo do desarmamento do Iraque e, assim, prestar um serviço à segurança e à estabilidade no Oriente Médio."

Nisso não ignoramos que o motivo principal da atual escalada do conflito reside na política de Saddam Hussein, sobretudo na sua ambição evidente no passado de se tornar detentor de armas atômicas, químicas e biológicas de destruição massiva e na sua recusa de cumprir as exigências das Nações Unidas em sua totalidade.

Política evangélica da paz se deixa orientar pelo princípio de que guerra não combina com a vontade de Deus. Cada guerra constitui um mal tão grande que a política só pode considerar o emprego de violência militar no caso de extrema necessidade, ficando também então inescusavelmente envolta em culpa. Cada guerra traz miséria sobre muitas pessoas inocentes e, amiúde, nem alcança os objetivos pelos quais foi conduzida.

Mesmo pelas leis do código internacional não haveria como justificar uma guerra contra o Iraque no presente momento. A carta magna das Nações Unidas compromete os países-membro a resolver seus conflitos de maneira pacífica. Também as duas exceções claramente definidas dessa abrangente proibição de violência não se aplicam no caso, ou seja, não existem o caso do direito de defesa própria de determinado país nem uma resolução de proceder militarmente, conforme o Cap. VII da carta das Nações Unidas. Muito menos pode-se cogitar em guerra para fins de derrubar o governo de outro país, ou pior, de ampliar arbitrariamente o significado da prevenção, definida de forma muito restrita pelo direito internacional.

Um ataque contra o regime de Saddam Hussein, agora, aniquilaria todas as outras possibilidades das Nações Unidas de fazer cumprir suas resoluções referentes ao Iraque - seja por pressão diplomática, seja pela continuidade das inspeções, seja por ameaça direta de outras medidas. Contudo, quem quiser avançar da ameaça para a aplicação da violência militar fica devendo ao Conselho Internacional de Segurança a prova de que todas as outras tentativas de fazer cumprir a resolução das Nações Unidas foram definitivamente inúteis. O próprio alvo da segurança e da estabilidade na região então ameaça tornar-se inviável.

O mais importante é o seguinte: alvo de toda política - também no conflito iraquiano - deve ser a paz justa, e não a procura por uma guerra justa. Cristãos em todo o mundo intercedem por essa paz justa."
 
 
 
Turquia, 31/01/2003 - Menino segura cartaz dizendo "O que você está fazendo para acabar com esta guerra? Não à guerra ao Iraque", em Istambul.
 

 

 

 

 

 

 

 

 


 


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