Posicionamento do Conselho da Igreja referente ao Ministério
Eclesiástico e homossexualidade:
Cremos, a partir do testemunho do Evangelho, que Deus ama as pessoas
sem distinção. Está claro, também, que
tanto as pessoas que se sentem atraídas sexualmente para o
mesmo sexo como as que se sentem atraídas para o sexo oposto
precisam da graça de Deus para serem salvas. Nenhuma pessoa
é salva por causa do seu comportamento sexual. O apóstolo
Paulo escreve:
"...Não há distinção,
pois todos pecaram e carecem da glória de Deus, sendo justificados
gratuitamente, por causa da graça, mediante a redenção
que há em Cristo Jesus."
(Rm 3.23)
Todos nós, sejamos pessoas heterossexuais ou homossexuais,
somos justificados tão somente pela graça de Deus e
pela fé que o Espírito Santo em nós opera.
Estamos conscientes e lembramos que a sexualidade faz parte da boa
criação de Deus, constituindo-se numa maravilhosa dádiva
divina, pela qual devemos ser sempre gratos a Deus, vivendo-a também
em responsabilidade diante de Deus e do nosso próximo. Afirmamos
ainda que a fé em Jesus Cristo, que queremos tornar concreta
na convivência na igreja, nos leva a viver nossa sexualidade
em respeito ao matrimônio e ao próximo, conforme os ensinamentos
da Palavra de Deus. Por isso, em nossa conduta sexual, evitamos tudo
quanto possa levar nosso irmão ou nossa irmã a tropeçar
ou cair em pecado. É nesse sentido que Lutero explica o 6.
Mandamento, no Catecismo Menor : "Devemos temer e amar a Deus
e viver uma vida casta e decente em palavras e ações
e cada qual ame e honre seu consorte."
No tocante à homossexualidade, há na atualidade em
muitas igrejas um intenso debate quanto a sua natureza e quanto à
correta interpretação bíblica a seu respeito.
Não há entre os especialistas um consenso absoluto nem
na ciência quanto à natureza da homossexualidade, nem
na interpretação bíblica daquelas passagens que
fazem alusão à homossexualidade. Tampouco há
na IECLB ainda esse consenso. Ao contrário, as posições
são, por vezes, frontalmente opostas. Esse fato requer da Igreja
discernimento, não juízos, enquanto ela segue auscultando
perseverantemente a Palavra de Deus. Acima de tudo, deve haver uma
prática sensibilidade pastoral, tanto para com as pessoas homossexuais
quanto para com as famílias e as comunidades, em cujo meio
essas pessoas vivem. Há nesse particular muito sofrimento,
ao qual a igreja deve sua atenção espiritual e diaconal.
De modo algum devem as pessoas homossexuais ser discriminadas ou afastadas
do convívio na comunidade de fé. A palavra de Deus é
juízo e graça para todas as pessoas, tanto as homossexuais
quanto heterossexuais. Em todas as situações e para
com todas as pessoas, deve prevalecer o amor, que é o maior
dos dons (1Co
13).
Sabemos que o Ministério Eclesiástico Ordenado, instituído
para pregar o evangelho e administrar os sacramentos, exige daquelas
pessoas que o exercem um cuidado especial no comportamento sexual,
para que as suas atitudes nesta área não se tornem escândalo
e empecilho para os membros da igreja. Isso vale igualmente para as
pessoas heterossexuais. Ao mesmo tempo, observamos que a eficácia
da pregação do Evangelho depende também da aceitação
do pregador e da pregadora e do respeito que as pessoas têm
por ele ou ela. Um obreiro ou um obreira que por sua maneira de ser
ou de agir afronta os padrões éticos da comunidade ou
cujo comportamento sexual divide a comunidade dificilmente poderá
realizar um trabalho pastoral proveitoso.
Não negamos que as pessoas homossexuais, que vivem a sua
condição sem causar escândalo, podem realizar
um trabalho abençoado na comunidade, ao colocarem a serviço
do Evangelho os dons que Deus lhes deu. Mas constatamos também
que, no momento atual da Igreja, não há condições
de uma pessoa homossexual praticante assumir o exercício público
do ministério eclesiástico na IECLB.
(Aprovado pelo Conselho da Igreja
em sua reunião de 27 a 29/04/2001.
Publicado no Boletim Informativo da IECLB 173 de 28/06/01)