Paróquia do ABCD

Sínodo Sudeste



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Tudo ruiu, exceto o altar e a torre do templo

Reflexão

04/05/2018

 

O céu e a terra desaparecerão, mas as minhas palavras ficarão para sempre”. (Lucas 21. 33)

As imagens que são veiculadas sobre a tragédia ocorrida no dia 1º de maio, no Centro de São Paulo, são de cortar o coração. São fortes e comoventes. Envolvem vítimas, vidas, pessoas, a sociedade e a Igreja. Deixam marcas profundas e trazem à tona reflexões, aprendizados, confissões de pecados, denúncias e anúncios.

Compartilho com vocês um olhar pessoal sobre as imagens que acompanhei pelos meios de comunicação e mídias, e que mexeram muito comigo: tudo ruiu, exceto o altar e a torre do templo da igreja Martin Luther, que também foi afetada pela queda do edifício.

Vou dizer porque isso mexeu comigo. Cresci aprendendo que o altar é o coração do templo! E isso porque nele estão a Bíblia (Palavra de Deus), o crucifixo, os castiçais e a mesa da comunhão (Ceia do Senhor). E esse conjunto forma o que se pode chamar de sinal visível da presença de Deus entre nós. E por esta razão em volta dele a Comunidade se reúne, e dele ela se alimenta na sua espiritualidade, bem como recebe impulsos para o testemunho da fé junto aos mais sofridos/as no contexto em que vive.

E vejam só: neste altar do templo da igreja Martin Luther não só os membros da Igreja experienciaram Deus, mas também moradores de rua. Sim, também eles/as encontraram neste espaço acolhida, aconchego, refúgio, cidadania e dignidade. Como é sabido, desde 1999 a Igreja Martin Luther os acolhe no templo, e nas demais repartições que compõem as suas instalações. Neste local, eles puderam usar banheiros, foram alimentados (recebiam tickets refeições, água, café e lanche), realizaram trabalhos manuais, foram envolvidos na dinâmica comunitária, tiveram um espaço na secretaria para guardarem seus documentos de identidade e ativamente participaram de Cultos todas as sextas-feiras. Cerca de 120 pessoas eram cuidadas semanalmente pela Comunidade (Roteiro da OASE. Trabalho social com moradores de rua em São Paulo, p. 72-75). Vale aqui frisar que documento é sinônimo de cidadania, tamanha importância este gesto igualmente comunica.

Chama a atenção que deste mesmo altar, em 2005, durante o Culto com os moradores de rua, foi compartilhado a notícia do Tsunami na Ásia e as decorrentes vítimas e os sofrimentos que daí resultaram. Para a surpresa de todos, assim contou o P. Frederico Ludwig, eles voluntariamente foram capazes de um gesto extraordinário (compreende-se por extraordinário o que está além do ordinário, da rotina). Sensibilizados com essa dor, sugeriram ao pastor que seus tickets de alimentação fossem doados e que o dinheiro arrecadado com eles fosse utilizado para compra de água ao povo da Indonésia. Abriram, assim, mão de uma de suas refeições para ajudar quem estava em dor do outro lado do mundo. Que testemunho incrível, fruto de impulsos que vieram do altar.

E isso, me fez chegar agora à torre. Ela que ficou igualmente em pé em meio a tanta fumaça e destroços! Cresci semelhantemente aprendendo sobre o significado dela. Na tradição luterana, a torre também nos diz muito. Ao apontar para cima, para o céu, ela está nos dizendo: “Olhem para cima e lembrem daquele que fez o céu e a terra e que é maior do que todo o universo. Junto Dele irás viver eternamente; o céu será a tua morada”. E mais, ela também nos interpela: “Você é uma testemunha das grandezas de Deus aqui embaixo?” “Você, no contexto em que vive, se alimenta das coisas do alto, dos mistérios de Deus, e busca vivê-los junto ao seu semelhante?”

A torre segue em pé e está comunicando, em outras palavras, que fé e amor, fé e vida, justiça e misericórdia não podem ruir. Precisam permanecer de pé como testemunho da fé em Deus!

Isso agora me toca ainda mais, pois me dou conta de que o altar ofereceu a tantas pessoas inúmeros impulsos para a misericórdia e a compaixão. A torre tantas vezes apontou para a missão de paz, justiça e cuidado entre nós. O altar e a torre unem estes dois mundos, uniu pessoas pobres e não pobres, sem teto e com teto, da rua e do lar.

É por essa razão que, a partir do altar, o coração do templo, que simboliza a presença de Deus no caos, somos agora animados a nos unirmos ainda mais em defesa da vida, dos que mais precisam, pois Deus está junto na tragédia. A reconstrução da igreja faz sentido porque ela é uma Igreja de todos/as e para todos. O altar nos envia: mãos à obra! A torre nos interpela: testemunhemos a esperança, o amor e a justiça no sofrimento e na dor daqueles/as que sofrem por terem perdido familiares, amigos/as, local onde morar e, momentaneamente, o espaço de acolhida e refúgio, pois afinal a igreja é as pessoas. E isso não pode jamais ruir! Que Deus nos ajude!

P. Alberi Neumann


Veja o que saiu no Portal sobre o trabalho com pessoas em situação de rua.

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Veja o que foi publicado sobre Tragédia no centro de São Paulo
 


Autor(a): P. Alberi Neumann
Âmbito: IECLB / Sinodo: Sudeste / Paróquia: ABCD (Santo André-SP)
Natureza do Texto: Artigo
ID: 47055

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