1 Pedro 1.17-22

Auxílio Homilético

02/05/1993

Prédica: 1 Pedro 1.17-22
Leituras: Atos 2.14a,36-47 e Lucas 24.13-35
Autor: Wilfrid Buchweitz
Data Litúrgica: 3º Domingo da Páscoa
Data da Pregação: 02/05/1993
Proclamar Libertação - Volume: XVIII


1. Introdução

O texto de l Pe 1.17-22 já foi tratado no Proclamar Libertação XIII, por Rudi Kich. Quem tiver acesso a esse trabalho terá mais uma fonte para entender e passar adiante o texto.

A epístola de Pedro é dirigida a pessoas e comunidades que não são cristãs de nascença e que, portanto, experimentaram uma transformação quando foram atingidas pelo evangelho de Jesus Cristo, foram convencidas por este evangelho e decidiram pautar suas vidas por ele.

Cristãos recém convertidos mudam, muitas vezes, significativamente suas vidas e chegam a tornar-se estranhos no ambiente em que vivem. Não são entendidos, sofrem até rejeição, quando não são hostilizados.

O outro lado da moeda é que cristãos recém convertidos tornam-se, às vezes, muito desajeitados. Não sabem bem como viver sua nova natureza e seu novo papel. Não assimilam mudanças importantes de um dia para outro.

Autoridades civis, militares e religiosas reagiram com desconfiança, muitas vezes na história, ante o surgimento de uma comunidade cristã crente e atuante. Fé cristã tem sido um estorvo para autoridades constituídas, ao menos onde essa fé foi atuante e comprometida com o evangelho de Jesus Cristo. Onde a fé se acomodou, ela e a igreja se tornam, em momentos da história, o sustentáculo, o melhor apoio, para autoridades irresponsáveis.

Não se percebe nesta carta de Pedro uma perseguição geral aos cristãos, co mo acontece em fases posteriores. Nem a autoridade constituída é rejeitada ou acusa da no texto. Mas a comunidade cristã vive situações de conflito, vive em meio a uma sociedade com hostilidade, uma hostilidade específica daquela situação e momento. Alem disso, damo-nos conta de que o evangelho de Jesus Cristo sempre é contestatório, sempre é subversivo, sempre quer ser transformador, quando os valores do amor a Deus e ao próximo não são observados em algum lugar.

2. Texto

Se alguém chama Deus de Pai (ou Mãe), então tem que levar isso a sério cm toda sua vida. Não pode só falar. Tem que viver. Tem que praticar.

Ainda mais porque Deus não comprou vocês por dinheiro. Deus não libertou vocês por dinheiro, da maneira como os antepassados viviam e dos valores que eles tinham.

Deus libertou vocês por meio do sangue de Jesus Cristo. Jesus Cristo deu sua vida. E fez isso por amor. Deus deu a vocês a vida, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo.

Isso dá um novo sentido à vida de vocês. Vocês podem fundamentar a fé e a esperança nesse Deus.

Tomem isso em consideração em toda a vida de vocês.

Mais ou menos assim poderia ser simplificado o texto. Ele tem frases muito compridas. Na tradução de Almeida, ele é uma frase só, difícil de seguir.

Mas, quando o texto é ordenado de forma diferente, ele não é tão difícil de entender.
Jesus Cristo traz e mostra o amor de Deus a pessoas e comunidades. Deus manda seu amor a pessoas e comunidades através de Jesus Cristo.

Jesus Cristo, que era como um cordeiro sem defeito e sem mancha, doa seu sangue e sua vida. Jesus não fala apenas do amor de Deus. Jesus Cristo vive o amor de Deus. Jesus Cristo se doa, entrega-se, passa adiante sua vida, abre mão de sua vida para que as pessoas, a comunidade, o mundo possam viver. Se os cristãos, se o mundo viver a vida de Jesus Cristo, as coisas vão mudar, tudo vai mudar. É possível experimentar uma nova realidade.

Mas é preciso ser coerente. Pode não ser fácil ser coerente. Pode surgir hostilidade. Podem surgir barreiras dentro e fora do cristão e da comunidade. Mas vale à pena ser coerente. Não dá para querer ser cristão sem ser coerente. Não dá para ser batizado em nome de Jesus Cristo e não viver a nova vida em Jesus Cristo. Portai-vos com temor durante o tempo da vossa peregrinação.

3. Meditação

No Proclamar Libertação XIII, o texto é trabalhado no 3° Domingo da Quaresma (domingo Oculi). Agora o texto é colocado no 3° domingo da Páscoa (domingo Jubilate). Com isso é sugerido um enfoque diferente, talvez da seguinte maneira:

Vocês leram os textos da Sexta-feira Santa e da Páscoa — agora tentem incluí-los no dia-a-dia de vocês. Vocês celebraram a Sexta-feira Santa e a Páscoa — agora vivam isso. Vocês ouviram o evangelho — agora pratiquem-no.

Quem entendeu a Páscoa foi colocado numa nova realidade. E tem que viver uma nova realidade. A vida venceu. Vivam a vida vitoriosa.

A mensagem da vida no dia da Páscoa é bonita, esperançosa. Páscoa é dia de festa, e a comunidade pode ter a liberdade de curtir a notícia, tem direito a se embriagar na notícia. Mas, no dia-a-dia depois da Páscoa, a vida tem que ser vivida, administrada, defendida, articulada, estruturada em meio à morte. Porque a realidade da morte continua presente. E, na atual situação brasileira, a força da morte -é muito grande. Os instrumentos da morte são muitos. As ameaças contra a vida estão em toda a parte. Têm muitas caras. Usam muitas dinâmicas.

A vida precisa ser recebida, buscada e administrada em meio à morte. Por isso, o cristão e a comunidade cristã vivem em situação de constante conflito. Há pessoas, estruturas, grupos muito astutos para se beneficiarem da morte.

A vida cristã tem muitas situações e momentos de festa, que sempre deveriam ser bem aproveitados e experimentados. Mas a vida cristã também provoca conflitos, pequenos e grandes. A vida cristã custa seu preço.

Nosso texto diz que o próprio Deus pagou seu preço para fazer a vida vencer. Não comprou a vida por um cheque de alto valor. Jesus Cristo arriscou sua vida, entregou sua vida, gastou sua vida, foi coerente no seu caminho de verdade e amor, até as últimas consequências. E por isso Ele foi vitorioso. Só por isso Ele foi vitorioso. A vida custou o precioso sangue de Jesus Cristo.

Por isso, portai-vos com temor durante o tempo de vossa peregrinação. É preciso ter presente o gesto de Jesus Cristo em toda a vida. O cristão, a igreja foi resgatada de seu fútil procedimento. Foi resgatada para uma vida nova, plena. Pode, precisa viver essa vida nova, plena.

A Páscoa traz consequências bem concretas no dia-a-dia do cristão e da comunidade. Dá para perceber isso em nossas comunidades da IECLB? Há sinais de Páscoa no dia-a-dia delas? São elas instrumento da vida da Páscoa? Estão em Deus a fé e a esperança de nossas comunidades? Que significam a fé e a esperança nos dias atuais?

4. Prédica

A palavra destacada no texto é portai-vos do versículo 17. Todas as outras conduzem a ela. Ela deve merecer atenção correspondente na prédica.

Nós nos dizemos cristãos?

Então isso requer uma resposta, requer responsabilidade, requer atitudes na vida do dia-a-dia das pessoas e da comunidade e igreja.

A resposta pode ocorrer em meio a um mundo hostil. Ou a resposta pode provocar reação de hostilidade.

Podemos buscar forças para nossa fé e esperança em Jesus Cristo. Ele sofreu hostilidade, num primeiro momento foi vencido por ela, mas, no momento final, venceu-a.

Cristo pode ser o fundamento e o autor de nossa fé e vida.

Na IECLB, temos problemas com a coerência do ser cristão. Balizamos crianças que não recebem educação cristã. A confirmação não tem força, muitas vezes. A vida na igreja anda por um caminho. A vida do dia-a-dia segue outras regras.

É importante continuar a falar da Páscoa, agora não a festa da Páscoa, mas o dia-a-dia da Páscoa.

Como luteranos, falamos muito da graça e da fé. Isso é importante, se junto com isso falarmos dos frutos da fé e da lei.

Os dois outros textos indicados para o 3° Domingo da Páscoa podem aprofundar traços da prédica. At 2.14a,36-47 fala do fundamento e da vida da comunidade de Jerusalém, depois da primeira Páscoa. Lc 24.13-35 conta a história dos discípulos, que só entendem a Páscoa quando o Senhor ressuscitado lhes abre os olhos.

5. Subsídios litúrgicos

1. Confissão de pecados: Senhor, nós nos chamamos por Teu nome, nós nos dizemos cristãos. Nós queremos ser cristãos. Por isso estamos tristes e nos arrependemos quando em nosso dia-a-dia desonramos Teu nome e até o negamos. Não vivemos a nova vida que tu nos dás de graça. Não vivemos Tua vida, nem na família, nem na comunidade, nem na profissão e sociedade. Perdoa-nos. Renova-nos. Tem piedade de nós, Senhor!

2. Oração de coleta: Deus da Páscoa, Deus da Vida, agradecemos-Te que aqui de novo podemos encontrar-nos com Tua comunidade. Ajuda para que todos possamos nos colocar sob Tua Palavra vivificadora e transformadora. Dá que possamos receber nova vida e passar adiante nova vida no mundo em que estamos. Em nome de Teu Filho Jesus Cristo, que contigo e o Espírito reina de eternidade a eternidade. Amém!

3. Oração de intercessão: Orar por sabedoria para que a comunidade, a igreja, possa descobrir caminhos e dar passos para viver a vida da Páscoa, no mundo, no país, nas igrejas e na própria comunidade. Convidar a comunidade a indicar situações e procedimentos.

6. Bibliografia

HAUCK, Friedrich. Die Kirchenbriefe, in: Das Neue Testament Deutsch, vol. 10,
Göttingen, 1949.
KICH, Rudi. l Pedro 1,(1-17)18-21, em Proclamar libertação XIII, São Leopoldo, 1987.


Autor(a): Wilfrid Buchweitz
Âmbito: IECLB
Natureza do Domingo: Páscoa
Perfil do Domingo: 3º Domingo da Páscoa
Testamento: Novo / Livro: Pedro I / Capitulo: 1 / Versículo Inicial: 17 / Versículo Final: 22
Título da publicação: Proclamar Libertação / Editora: Editora Sinodal / Ano: 1992 / Volume: 18
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Auxílio homilético
ID: 13531
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