1 Pedro 2.4-10

Auxílio Homilético

24/04/2005

Prédica: 1 Pedro 2.4-10
Leituras: Salmo 33.1-8,12 e João 14.1-12
Autor: Nilton Giese
Data Litúrgica: 5º.Domingo da Páscoa
Data da Pregação: 24/04/2005
Proclamar Libertação - Volume: XXX

1.Olhos de Páscoa

No interior da França, num lugar chamado Piemont, o Domingo de Páscoa tem uma tradição bastante curiosa. As pessoas saem cedo de suas casas e reúnem-se na frente da igreja à espera do badalar dos sinos. Quando os sinos tocam, as pessoas saem correndo em direção ao centro da praça, onde há uma fonte. Lá crianças e adultos lavam os seus olhos com a água fria que sai da fonte, enquanto os sinos badalam. Dizem que a maioria das pessoas não sabe o que isso significa. Apenas acompanham a tradição. Mas os mais velhos afirmam que esse ritual começou muitos anos atrás, em tempos de guerra e de fome. Lavar os olhos na água da fonte comunitária na manhã de Páscoa significava que as pessoas pediam que Deus as presenteasse com novos olhos, com olhos de Páscoa, olhos que conseguissem enxergar além de sua realidade de guerra e fome.

2. As leituras

A primeira leitura, tirada dos Atos dos Apóstolos, apresenta-nos um primeiro conflito na comunidade, a igreja-mãe de Jerusalém. Como os bens eram postos em comum, a comunidade devia encarregar-se dos mais pobres e fracos, dos que não podiam trabalhar ou não tinham quem os assistisse. Entre estes estavam as viúvas. Os judeu-cristãos de origem helenista, ou seja, os de língua grega, queixavam-se de que suas viúvas não eram bem atendidas na hora da partilha e, como ouvimos, a comunidade, presidida pelos apóstolos e animada pelo Espírito Santo, encontrou uma solução muito sábia: encarregar sete pessoas desse ofício, para que os apóstolos ficassem livres dessa preocupação e pudessem dedicar-se plenamente à sua tarefa, que era a pregação do evangelho e a oração.

Como segunda leitura, ouvimos da primeira carta de Pedro 2.4-10. Este é o texto para a pregação desse domingo. Importante é conseguir localizar o texto. Primeiro vale dizer que o autor não tem nada a ver com o discípulo Pedro. A carta de 1 Pedro foi escrita provavelmente em Roma, em torno do ano 64 d.C. Portanto, muito próxima da grande perseguição que Nero desencadeou contra os cristãos daquela cidade. A carta quer animar os seus leitores a manterem, em meio às aflições e perseguições, uma conduta digna daqueles que professam a fé em Jesus Cristo, com uma forte exortação pastoral. A carta tem como destino aquelas pessoas que toparam o chamado de Deus. Os membros da comunidade passaram pelo ensino e pelo Batismo. São agora membros integrados na comunidade pelo Batismo. Tornaram-se diferentes dos demais. Arrancados das trevas, foram implantados numa nova convivência. “Não a barreira que os separa de Deus, mas a comunhão que os une com Deus é o sinal do novo ser” (PL XVIII, p. 139).

Deus quer vocacionar essas pessoas a viverem de forma diferente neste mundo. A imagem da igreja como templo de Deus vem da memória comunitária, dos ensinamentos de Jesus (Mc 9.35; Lc 10.1-12). A primeira carta de Pedro fala da igreja como “pedras vivas”, que sugere dinamicidade, possibilidade de mudanças, de assumir novos desafios. O texto também afirma que a mensagem de Deus tem um centro, uma “pedra angular”. A comunidade precisa sempre ser lembrada dessa “pedra angular”, a saber: o ato salvífico de Jesus Cristo. O Evangelho de João destaca a centralidade desse ato no capítulo 3 versículo 16. (Sugiro montar este versículo com a ajuda de algumas pessoas diante da comunidade.) Aí encontramos o resumo de toda a mensagem da salvação: a existência, a vida e a missão da comunidade cristã devem estar fundamentadas em Jesus Cristo. Portanto, 1 Pedro está dirigida àquelas pessoas que foram atingidas pela bondade divina, àquelas pessoas que conhecem a misericórdia de Deus. Essas pessoas, sentindo-se agraciadas por Deus, “constroem-se” sobre o alicerce que é Cristo para um ministério santo. A eleição bondosa de Deus passa a ter o sentido de fortalecimento e coloca esses agraciados na responsabilidade de serem sacerdotes (Sauer, p. 257).

O Evangelho de João relata-nos parte dos chamados “discursos de despedida” de Jesus, pronunciados durante a ceia que celebrou com seus discípulos momentos antes da paixão. Esse discurso se prolonga através dos capítulos 14 a 17 e é como o testamento do Senhor. Jesus diz a seus discípulos que vai partir e isto não deve perturbá-los, porque vai para poder depois levá-los e tê-los sempre consigo, para preparar-lhes um lugar na casa do Pai, uma casa grande onde todos cabem, sobretudo os mais pobres, que nunca tiveram uma casa própria, os filhos pródigos que desejam regressar.

3. A caminho da prédica

Estamos no 5º Domingo da Páscoa. Os textos bíblicos alertam-nos de que a aparente ausência de Jesus parece trazer conflitos na comunidade. Existe ansiedade no coração dos discípulos. As primeiras comunidades cristãs tratam de compreender sua missão. Mas não existem modelos estruturais. O que existe é a consciência de que comunidade é movimento, que ela tem o sentido de que uns cuidem dos outros, que através dela Jesus está presente neste mundo. Todo grupo precisa ser administrado. O que Jesus pede é “bom ânimo” diante das dificuldades e das provações. Como pedras vivas, os cristãos vão ter de aprender a conviver e a dar respostas a novos desafios. Para que a existência da igreja seja possível, é necessário sempre falar da razão de sua existência.

É importante lembrar que a comunidade de 1 Pedro vive na iminência de uma grande perseguição. Como novos cristãos, são chamados a dar testemunho de sua fé dentro de seu contexto. Numa sociedade de rejeitados, eles são chamados por Deus a construir uma igreja de pedras rejeitadas, que se tornam pedras vivas. Uma igreja que dê testemunho da vida diante das situações que oprimem e negam a vida. Fala-se aqui do serviço, da missão da comunidade. Mas também aqui vem um alerta: essa igreja não é feita por uma pedra só, por uma só pessoa, mas de muitas pedras, de muitas pessoas, de muitos dons. Esses dons devem ser aproveitados na comunidade. O testemunho em favor da vida vai ser um divisor de águas. A oposição vai se manifestar. Nesses momentos, é importante que a comunidade se lembre de que sua existência, vida e missão estão fundamentadas em Jesus Cristo. A pedra angular é a pedra principal. No tratamento dos conflitos, o apóstolo Paulo recomenda humildade, paciência, mansidão e tolerância (Ef 4.2).

A igreja nascente soube enfrentar com muita criatividade as dificuldades que foram aparecendo, assim ouvimos de Atos dos Apóstolos e de 1 Pedro. Colaboramos também nós para que a igreja encontre soluções novas para os novos problemas com que se defronta no mundo de hoje? Aceitamos que a igreja tem capacidade de se renovar ou somos daqueles que pensam que ela sempre deve estar voltada para o passado, tentando encontrar ali soluções para os problemas atuais?

4. Sugestões para uso neste culto

Como introdução à pregação, mostrar uma figura de uma casa feita com pedras diferentes. É só entrar na internet em www.google.com.br e procurar imagens de “casas de pedra”. Imprimir a figura em transparência e usar o retroprojetor. Convidar a comunidade a relacionar a figura com o texto de 1 Pedro.
É importante que a comunidade se sinta carregada por Deus. Tudo vem de ti, Senhor. Daí a importância da bênção. Sugiro o seguinte texto:

O Senhor

O Pai de Jesus Cristo,
O Deus dos pequenos, dos pobres e dos fracos,
O amigo daqueles que quase ninguém gosta.

Ele te abençoe

Dando-te alegria e bem-aventurança,
Plenitude e salvação,
Ele te permita crescer como ser humano.

Ele te proteja

No medo, na necessidade e no perigo.

O Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti

Lá onde estiver escuro ao teu redor,
Para que consolado possas continuar o teu caminho
E não percas de vista o teu objetivo.

O Senhor tenha misericórdia de ti

Quando tu agires de forma injusta com alguém
Ou quando outros carregarem culpa sobre ti,
O Senhor te corrija quando agires mal
E que Ele te mostre sempre o que espera de ti.

O Senhor levante o seu rosto sobre ti

E veja o que te falta,
Que ele te dê atenção todas as vezes que lhe dirigires a palavra.
Ele cuide de ti, assim como uma mãe cuida de seu filho.

O Senhor te dê a paz

Para que a paz reine dentro de ti e ao teu redor.

Assim te abençoe o nosso Deus, que é Pai, Filho e Espírito Santo. Amém.

Bibliografia

KUNERT, Augusto Ernesto. Proclamar Libertação vol. XVIII. São Leopoldo: Editora Sinodal, p. 138-145.
SAUER, Sergio. Proclamar Libertação vol. XV. São Leopoldo: Editora Sinodal, p. 254-260.


Autor(a): Nilton Giese
Âmbito: IECLB
Natureza do Domingo: Páscoa
Perfil do Domingo: 5º Domingo da Páscoa
Testamento: Novo / Livro: Pedro I / Capitulo: 2 / Versículo Inicial: 4 / Versículo Final: 10
Título da publicação: Proclamar Libertação / Editora: Editora Sinodal / Ano: 2004 / Volume: 30
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Auxílio homilético
ID: 23574
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